Perdedores Passageiros

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HANA

Eu ainda não tinha conseguido me acostumar com aquela camisa.

Toda vez que olhava para baixo e via o uniforme da Nekoma, alguma coisa dentro de mim parecia lembrar que eu havia acabado de atravessar uma linha que talvez não tivesse como desfazer depois. O número 8 estava estampado na camiseta e, apesar de parecer apenas um detalhe, para mim significava muito mais. Eu não estava ali por acaso. Não tinha escolhido aquele time porque queria provocar alguém, muito menos porque queria abandonar o Karasuno.

Eu estava ali porque precisava descobrir a verdade sobre meu pai, e quanto mais informações eu encontrava, mais convencida ficava de que aquela história escondia muito mais do que todos haviam contado. O problema era que, do outro lado da quadra, estava Hinata e ele estava olhando para mim.

Não havia raiva explícita em seu rosto. Aquilo teria sido mais fácil. Se ele estivesse furioso, talvez eu conseguisse simplesmente aceitar que tinha feito uma escolha e seguir em frente. Mas não. O que havia nos olhos dele era decepção. Uma decepção silenciosa, quase dolorosa, que fazia meu peito apertar cada vez que eu olhava para ele. Eu havia imaginado aquela reação.

Talvez por isso tivesse evitado contar.

Eu sabia que, se dissesse que estava entrando na Nekoma, Hinata faria exatamente aquilo que sempre fazia quando acreditava que alguém estava enfrentando alguma coisa sozinho: tentaria ajudar. E eu não podia permitir que ele se envolvesse. Não daquela vez.

— Então... seu namorado sabia que você estaria aqui?

A voz de Kuroo me tirou dos pensamentos. Senti a mão dele tocar meu ombro e imediatamente virei o rosto, me desvinculando dele.

— Sabia.

Kuroo olhou para o outro lado da quadra.

— Pela expressão dele, eu diria que não.

Bufei.

— Isso não é problema seu.

— Continua com esse temperamento maravilhoso, Hanazinha.
— Ele soltou uma risada curta.

— E você continua se metendo onde não foi chamado.

— Só estava perguntando.

Kuroo levantou as mãos em rendição, ainda com aquele sorriso irritantemente tranquilo. Ignorei-o e caminhei em direção ao treinador. Eu precisava me concentrar. Precisava lembrar por que estava ali. O treinador estava conversando com alguns jogadores quando me aproximei. Assim que percebeu minha presença, abriu um sorriso.

— Hana. Está preparada? — Ele questiona cruzando os braços.

— Estou. Queria confirmar uma coisa sobre a rotação. — Sorri ladino.

Ele começou a explicar a estratégia que pretendia usar durante a partida, falando sobre posicionamento, bloqueio, cobertura e algumas mudanças que poderiam acontecer dependendo do adversário. Eu prestei atenção em cada palavra, fazendo perguntas quando necessário. Era estranho estar diante dele. Eu sabia coisas que ele não imaginava que eu soubesse.

Sabia que ele conhecia meu pai. Sabia que havia estado próximo dele. E sabia que seu nome aparecia entre as pessoas envolvidas na história que destruiu a carreira do meu pai.

Mesmo assim, ele continuava falando dele como se nada tivesse acontecido.

— Seu pai entenderia perfeitamente essa estratégia — Comentou olhando pro chão.

Meu coração apertou vendo a caralhice dele. Como um amigo próximo do meu pai poderia fazer algo contra ele? Como ele teve coragem?

— Entenderia? — Franzi o cenho.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora