Treinamento

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Estávamos quase saindo de casa quando a porta, ainda entreaberta, revelou uma silhueta conhecida. Hinata.

Ele estava ali, parado, com uma das mãos prestes a bater, mas congelou assim que nossos olhares se encontraram. Seus olhos se arregalaram levemente, como se ele não esperasse me ver naquele momento — como se tivesse sido pego desprevenido.

Engoliu em seco, meio sem jeito, e eu me senti da mesma forma. Aquele silêncio repentino parecia carregar todo o peso do que não foi dito na noite passada.

— O que você tá fazendo aqui? — Asumi quebrou o clima, surgindo atrás de mim com uma sobrancelha arqueada, claramente desconfiada.

Hinata desviou o olhar por um instante. — Eu... vim falar com o treinador — respondeu simples, evitando me encarar diretamente.

Suspirei pesado. Por dentro, meu peito apertou. Uma parte de mim — que eu tentei ignorar — tinha uma pontinha de esperança de que ele estivesse ali... por mim.

Agarrei a alça da minha bolsa com mais força e murmurei:
— Eu vou indo na frente, vou avisar o meu tio — disse, dando um passo à frente para passar por ele.

— Hana... — sua voz me parou no instante em que ele chamou meu nome. Era baixa, quase um sussurro, mas carregada de urgência.

Parei, mas não me virei. Sentia a respiração presa no peito. Então, senti seus dedos tocarem levemente meu pulso, me puxando suavemente para um cantinho mais reservado da varanda, longe dos olhos curiosos.

— Me escuta, por favor — ele começou, os olhos sérios, mas cheios de sinceridade. — Eu... sinto muito. Pelo que eu disse ontem. Por como eu disse. Eu não tava pensando direito. Eu tava frustrado, magoado, e deixei isso falar mais alto.

A cada palavra, sua voz vacilava um pouco, mas ele continuava firme. — Você podia estar com quem quisesse. Podia ter todos os amigos do mundo... eu não tenho o direito de te prender. E mesmo assim, eu fiquei com ciúmes. Porque eu gosto de você. Muito. Eu te amo, Hana. Eu só... eu tenho medo de te perder.

Abaixou os olhos por um segundo, e quando os levantou novamente, tirou algo do bolso. Era uma pequena caixinha de tecido. Ele a abriu e ali dentro havia uma pulseira simples, mas cheia de significado: um pingente de sol entrelaçado com uma lua.

— Isso é meio bobo, talvez — disse, coçando a nuca, nervoso — mas é o que eu consegui encontrar que se parecesse com a gente. Você é calma, como a lua... e eu sou meio impulsivo, como o sol. Mas juntos... acho que funcionamos, sabe? Então... — ele respirou fundo e olhou direto nos meus olhos — você quer namorar comigo?

Fiquei em silêncio por alguns segundos, sentindo o coração disparar. E então, finalmente, sorri.

— Sim, eu quero. Mas... — me aproximei e toquei o colarinho da camisa dele — eu nunca mais quero ver aquele tipo de atitude vindo de você, tá me ouvindo?

Ele assentiu rápido, quase como uma promessa selada com os olhos.
— Nunca mais. Eu juro.

Ele me puxou para um abraço apertado, e logo depois, me deu um beijo doce, cheio de alívio e carinho. Quando nos afastamos, ele ainda mantinha as mãos nas minhas, como se não quisesse soltar.

— Agora a gente pode contar pra todo mundo? Tipo... oficializar?

— Você tá me pedindo em namoro só por causa do Atsumu, né? — brinquei com uma sobrancelha arqueada.

— Claro que não! — disse imediatamente, indignado. — Eu tô te pedindo em namoro porque eu gosto de você de verdade. Porque eu te amo tanto que só de pensar em te perder por uma atitude minha, eu quis tomar o controle e... te conquistar de novo. Mas agora como seu namorado. De verdade.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Onde histórias criam vida. Descubra agora