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A manhã começou de uma forma tranquila, mas um tanto desconfortável para mim. Eu estava sentada na mesa de café da manhã, olhando para os dois irmãos de Asumi, tentando disfarçar a estranheza que sentia depois de tudo o que aconteceu na noite anterior.

O Atsumu estava, como sempre, descontraído e sorrindo. Ele passou manteiga no pão integral e, ao perceber meu olhar um pouco distante, disse com um sorriso travesso:

— Eai, dormiu bem, Hana?

Eu franzi a testa por um segundo antes de responder com um leve sorriso:

— H-hum, sim.

Meu olhar então foi direto para Asumi, que estava ao meu lado, e parecia um pouco tensa. Ela percebeu minha mudança de expressão e encarou o irmão rapidamente.

— Não vai me perguntar se eu dormi bem?

A pergunta me pegou de surpresa, e eu quase deixei escapar uma risada nervosa. Eu não sabia como lidar com isso. Mas antes que eu pudesse dizer algo, Osamu, o irmão mais calmo e tranquilo, levantou o olhar do prato e comentou em tom sarcástico:

— Por que ela perguntaria?

Asumi o encarou, visivelmente irritada, mas sem perder o controle, e respondeu rapidamente, cruzando os braços:

— Porque você não sabe se comportar. Fica o tempo todo tentando paquerar a minha amiga.

Atsumu, então, se virou para Asumi, ainda com aquele sorriso no rosto.

— Eu só tô perguntando, se ela não perguntasse seria falta de educação da parte dela.

Eu senti que o clima estava ficando um pouco tenso, então, de repente, Asumi se levantou e me ajudou a levantar também, tentando desviar a atenção.

— Ela não tem porque perguntar isso pra você, e eu já mandei você parar de ficar paquerando a minha amiga. Vem Hana, já vamos pra escola.

Fiquei um pouco sem palavras, sem saber se deveria dizer algo sobre o que aconteceu na noite passada com Atsumu ou se devia simplesmente seguir o fluxo. Eu não queria causar um conflito, especialmente com Asumi me ajudando.

Quando nos levantamos, Osamu olhou para nós, aparentemente alheio à tensão, mas com uma expressão mais séria e disse calmamente, como se fosse uma observação casual:

— A Asumi tem razão, Atsumu. A Hana é amiga dela, não seja idiota.

Eu não consegui deixar de sentir uma mistura de desconforto e alívio com os comentários dos irmãos. Atirei um olhar rápido para Asumi, que estava se preparando para sair da cozinha.

— Tá tudo bem, Asumi. Eu só...

Antes que eu pudesse terminar a frase, ela me interrompeu com um sorriso, tentando aliviar o clima:

— Vamos logo, Hana. Depois a gente conversa, tá bom?

Eu dei um sorriso tímido e acenei com a cabeça, sabendo que, por mais que tudo parecesse um pouco confuso agora, o que realmente importava era a minha amizade com Asumi e, claro, os sentimentos em relação ao Hinata, que eram mais complexos do que eu queria admitir.

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