Capítulo 5

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Julie's PoV

Alguns dias se passaram desde que eu fui contratada como dançarina da boate. O horário de funcionamento é das oito da noite até as quatro da manhã. E já temos uma rotina definida.

Dormimos até umas onze horas da manhã e, quando acordamos, tomamos café e começamos a limpar e arrumar a boate já para a noite seguinte. Almoçamos por volta das três da tarde e aí as dançarinas vão ensaiar pra noite.

Nos primeiros dias, eu realmente só dancei e observei as meninas atenderem os clientes. Depois, eu também comecei a atendê-los.

Funciona assim: as dançarinas basicamente tem turnos de dança e são divididas em dois grupos. Um dos grupos dança das oito da noite até meia noite e o outro grupo, dança de meia noite até as quatro da manhã. Enquanto as do primeiro grupo dançam, as do outro grupo entretém os clientes e sobem com aqueles que pagam para os quartos e fazem sexo com eles.

Sempre fico no segundo grupo e, como era um rosto novo e, segundo a Miranda, "bonita e atraente" sou uma das meninas mais caras daqui. E também uma das mais requisitadas pelos clientes. Para desagrado da Kayla.

A Flynn me disse que antes de eu chegar, ela era a mais pedida pelos clientes e agora tem que dividir a atenção comigo, coisa que, segundo a Flynn, ela detesta.

E eu não tô nem aí. Não tenho culpa se preferem a mim que ela. Kayla implica bastante comigo. Até jogar bebida em mim ela já jogou. Além de sempre querer me fazer escorregar ou tropeçar durante os ensaios, só pra me tirar do caminho dela.

Se fosse a antiga Julie, a garotinha assustada e indefesa, eu só deixaria passar e abaixaria a cabeça. Mas a Julie que eu me tornei...Bom, ela não faz isso. E Kayla já percebeu que toda vez que ela tenta me derrubar, eu devolvo na mesma moeda.

No meu meu primeiro dia subindo com os clientes, estava de fato nervosa. Afinal, das vezes que transei, tinham toques e mãos bobas que eu tinha certeza que não haviam nessas situações. As outras garotas e até a senhora Harrison me explicaram algumas coisas sobre isso e como eu deveria fazer e que tudo deveria fazer era seguir as vontades dos clientes e atender ao que eles queriam. E também lembrar que era tudo um trabalho sem nenhum envolvimento emocional. E assim eu fiz. No final não foi tão difícil.

Do dinheiro que eu ganho, metade fica no caixa da boate e, do resto que fica comigo, uma parte vai para as minhas despesas com as roupas, figurinos de apresentação e também com a comida e o aluguel dos apartamentos  e outra parte eu guardo para poder ir embora daqui. Mas nesse ritmo de arrecadação, só vou conseguir uma viagem a pé. Aqui você paga por tudo. Eles levam a maior parte do dinheiro que conseguimos e não ficamos com quase nada.

A parte boa são a Flynn e o Willie. Eles são legais e engraçados. Gosto da companhia deles. No dia do meu aniversário, que também era o meu primeiro dia aqui, antes de eu sair para trabalhar, eles chegaram no meu quarto com alguns bolinhos enfeitados com velas e cantamos parabéns. Obvio que eu não queria aceitar, mas eles me convenceram.

Flashback on

Estou terminando de me arrumar para o meu primeiro dia quando escuto uma batida na porta. Atendo e vejo Willie e Flynn parados na porta segurando cupcakes, cada um enfeitado com uma vela.

A Flynn disse que era seu aniversário. Ela também disse que você não queria comemorar, mas...A convenci dizendo que não poderia passar em branco. Não é todo dia que a gente faz dezoito anos, né?– Willie diz com o seu jeito fofo. Tenho uma leve impressão de como ele convenceu a Flynn. Mas isso não vai funcionar comigo

— Obrigada. Mas esse dia e essa idade não tem nada de bom. Podem comer os cupcakes se quiserem. Eu não quero.– digo a eles.

— Ah, Julie! Por favor. O fato de ter arrumado um emprego não é algo bom?– Flynn pergunta.

Favorite crime | JUKEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora