Julie's PoV
Depois que aquele cara me atropelou e, logo em seguida me ajudou e acalmou minha crise de ansiedade, minha mente volta a funcionar e percebo que eu estava sozinha e ele era um completo estranho. Poderia querer me fazer mal.
Mas aí ele se apresentou e...o seu nome...
Ele se chamava Luke!
Mas não era ele. Não podia ser ele. O Luke foi embora pro Canadá, há muito tempo. Chego mais perto dele e então...no seu pescoço, vejo algo que não havia como negar que era Luke, o meu Luke. Vejo, colocado no colar, um anel, idêntico ao que ele tinha quando foi embora. O mesmo que eu carregava comigo, em meu bolso.
Tiro meu anel do bolso e o mostro a ele. Pergunto se ele reconhece. E ele diz que sim.
— É claro que reconheço! Julie, é você! Eu te encontrei!– ele diz e me jogo nos seus braços, quase o derrubando. Eu o abraço apertado, como se não quisesse deixá-lo ir, com medo de tudo isso ser um sonho.
Como eu precisava dele aqui!
— Luke! Ah, meu Deus você tá aqui mesmo! É você mesmo!– digo pra ele, o olhando com atenção, me perguntando como não o reconheci. Mas como eu poderia? O menino gordinho e olhar tímido que foi embora há dez anos cresceu e virou um homem musculoso e imponente. Quem antes tinha um rosto rechonchudo com bochechas redondas que sofriam sempre que eu as apertava, hoje tem um rosto bem desenhado, com um queijo firme e liso, como se ele fizesse a barba todos os dias.
Mas algo continuava igual: o sorriso dele. Ainda era o mesmo largo sorriso que ele sempre teve no rosto.
— Quando você voltou?– pergunto.
— Há...alguns dias!– ele diz.
— Por que?– pergunto– Por que depois de tanto tempo?
— Um...amigo meu perdeu o pai recentemente. Meu amigo tinha brigado com o pai. Ele morreu sem eles se perdoarem. Eu...vim pra cá atrás dos meus pais biológicos. Pra conversar com eles. Esclarecer as coisas e...perdoar eles por me deixarem.
— Perdoar? Você vai perdoar eles por te abandonarem, Luke?– pergunto. Não sei se conseguiria perdoar meus pais por me deixarem naquele lugar só porque eles quiseram.
— Vou!– ele diz– Guardar mágoa não vale a pena, Julie. Por muito tempo eu não quis saber deles. Meus pais de verdade eram meus pais adotivos. Mas...o perdão não faz bem só pra quem o recebe. Mas principalmente a quem o dá.– Luke diz, solene.– Tudo acontece por um motivo. Se eles não me abandonassem, eu não te conheceria.
Sorrio. Luke sempre teve esse jeito de ver a vida. Não entendia como ele poderia continuar sendo feliz com tudo dando errado pra ele. Eu não consegui ser assim.
— E os seus pais? O que eles pensam de você procurando seus pais biológicos?– pergunto.
— Eles me apoiam. Sempre me apoiaram.– Luke diz.
— E...todo esse tempo você pensou em mim?– pergunto me recordando que ele ainda usava o anel no colar.
— Claro que pensei!– ele diz.
— E por que não veio me procurar antes?– Questiono.
— Além de não ter seu número, eu perdi o endereço do orfanato. Eu fui lá hoje de manhã e...soube que...você tinha ido embora há algumas semanas!
— É. Mas não precisa amenizar dizendo que eu "fui embora" .– digo– Falar assim faz parecer que eu tive a escolha de ir embora de lá. E eu fui chutada do orfanato! Sem nem ter pra onde ir!
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Favorite crime | JUKE
Romantik⚠️CONTEÚDO MADURO!!⚠️ CONTÉM CENAS DE SEXO, PALAVRAS DE BAIXO CALÃO E CONSUMO DE DROGAS LICITAS. Julie Molina é uma órfã que, após completar dezoito anos, tem que sair do orfanato em que morou durante boa parte de sua vida e se virar sozinha. Sem...
