Namorado virtual

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Draco

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Draco

Vejo pessoas mortas. O tempo todo. Na rua, na praia, nós shoppings, nós restaurantes, nos corredores da escola, nas filas do correio, na sala de espera dos consultórios... mas nunca no do dentista. Porém, ao contrário dos fantasmas que a gente vê na televisão e no cinema, elas jamais me perturbam, pedem minha ajuda ou vêm falar comigo. De modo geral, não fazem mais que sorrir e acenar quando notam que estão sendo vistas. Como a maioria dos vivos, elas adoram ser vistas.

Mas a voz em meu quarto, definitivamente, não era de um fantasma. Também não era de Scorpious. A voz em meu quarto era de Harry.

E por isso sei que foi um sonho.

__E aí?__ Ele sorri e se senta segundos depois do sinal tocar, mas como e a aula do sr. Binns, isso e meio que chegar cedo.

Cumprimento-o apenas com um aceno de cabeça, de um jeito displicente, neutro, como se não tivesse nem aí para ele. Esperando esconder o fato de que, a essa altura, estou tão a fim que até ando sonhando com ele.

__Seu tio parece legal__ ele diz, olhando pra mim e batendo a caneta na carteira, num irritante tec tec tec .

__É, ele é muito legal__ resmungo, furioso com Sr. Binns, que não sai daquele banheiro, desejando que ele largue o maldito cantil de uísque e venha logo dar sua aula.

__Também não moro com a minha família__ Diz Harry, a voz silenciando a sala, aquietando meus pensamentos, enquanto ele gira a caneta na ponta dos dedos, para lá e para cá, sem deixá-la cair.

Não digo nada. Apenas ajusto os fones cogitando ligar a música para bloquear Harry também. Não seria grosseiro demais.

__Fui emancipado__ ele acrescenta.

__ Sério?__ pergunto, apesar de ter prometido a mim mesmo limitar nossas conversas ao mínimo necessário. Só que, bem, nunca conheci um outro emancipado e sempre achei que todos fossem pessoas tristes e solitárias. Mas, ao julgar pelo carro que dirige, as roupas que usa e os lugares que frequenta nas noites de sexta, Harry não parece nem um pouco infeliz com sua condição.

__ Sério__ ele diz. E assim que para de falar ouço cochichos febrilmente trocados entre Cho e Marieta, que me chamam de esquisitão e outros apelidos bem menos simpáticos que esse. Depois me espanto ao vê-lo arremessar a caneta para o alto, sorrindo enquanto ela desenha uma série de oitos preguiçosos no ar, antes de aterrissar perfeitamente na ponta do dedo dele. __E sua família, onde está?__ ele pergunta.

Como é estranha essa sensação entre barulho e silêncio, barulho e silêncio, barulho e silêncio... Parece até uma versão para dança das cadeiras uma versão em que sempre acabo sobrando de pé.

Para sempre (Drarry)Onde histórias criam vida. Descubra agora