11 | É isso que casamento significa, não é?

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A equipe que havia sido mobilizada até Lincoln, a pedido do Rio, retornara pela manhã. Assim que pôde, ele me ligou e marcou um encontro num café algumas quadras distante da Unidade de Inteligência. Eu cheguei adiantada, movida pela curiosidade de saber o que tinha acontecido.

Deixei o celular ligado na bolsa em meio a uma chamada com o Zayn que me esperava no carro, a distância, e me distraí com o pequeno croissant no meu prato enquanto escutava Reid relatar que tudo saiu como planejado. Eles entraram com o número reduzido, com farda, porém sem armas aparentes e um mandado especificando a causa da vistoria. A equipe de policiais não deu mais informações do que o necessário, adentraram quase todos os locais disponíveis dentro do Instituto e não encontraram nada fora do normal, exceto pelo duto de ar que precisava de reparos.

Não era exatamente isso o que eu esperava ouvir.

— Como assim nada? — Franzi a testa. — Você olhou em todos os lugares? Te deixaram ver alguma parte das pesquisas ou testes ao vivo?

— Sim e sim, deixaram. Não descobrimos nada de incomum; é um instituto de pesquisa tecnológico, autorizado e regulamentado, como qualquer outro. Eles tem funcionários, turnos de trabalho, relatórios e tudo o que você pode imaginar, até os impostos estavam em dia e nenhum pago com atraso.

Movimentei a cabeça negativamente, desacreditada. Eu não esperava obter todas as respostas com essa investida, esperava encontrar a pontinha da fita no rolo, qualquer coisa que comprovasse que estávamos no caminho certo.

— Não havia nada de suspeito  — concluiu.

— E o diretor? Thomas. Conseguiu contato?

Spencer suspirou, bebericando seu chocolate quente e pondo sobre a mesa outra vez.

— A direção é feita por uma mulher. O nome dela é Teresa, Teresa Mayer.

Minha incompreensão aumentava a cada palavra do agente. Zayn tinha certeza de que o diretor do lugar havia tratado pessoalmente com ele. Era homem e chamava Thomas, com certeza.

— Você checou? — perguntei mais baixo e menos ansiosa do que antes.

— Sim.

Foi minha vez de suspirar. Recostei na cadeira do café e de repente não sentia mais vontade de terminar o croissant. Estiquei o braço para que o garçom que nos atendeu trouxesse a conta, então voltei o olhar para Reid.

— Sinto muito.

— Você não precisa sentir.

— Eu sei — desviei o olhar -, quer dizer, sinto como se algo estivesse errado nisso, mas, ainda assim, o que parece é que mandei você e a equipe para um beco sem saída.

— Não é como se não estivéssemos acostumados com esse tipo de situação na Unidade, você sabe bem, Hawkins, faz parte de investigar. — Sorriu de lado, aproximando-se com os cotovelos na mesa. — Só gostaria de perguntar uma coisa.

— É claro.

Estive atenta a ele. Seus fios, já um pouco longos, estavam começando a cobrir as orelhas. Rio umedeceu os lábios e brincou com o copo vazio de isopor sem prestar atenção nele.

— O lugar de onde você está tirando todas essas informações... é confiável?

Lembrei, involuntariamente, que o Zayn nos escutava pelo celular, refleti sobre a pergunta e não houve nenhum resquício de dúvida quando questionei a mim mesma se, por acaso, ele poderia ter se confundido com as informações em suas memórias.

— Sei que não quer me dizer tudo, mas só quero ter certeza de que você vai ficar bem.

Coloquei uma parte do cabelo atrás da orelha ao notar que o garçom estava a caminho de nós dois com um pequeno caderninho em mãos.

Submersos: Ecos da VerdadeOnde histórias criam vida. Descubra agora