07. Audácia

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"Um pouco de desprezo economiza bastante ódio."

Jules Renard

— Jules Renard

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PALÁCIO DE LEONTIUS
PORTO REAL, REINO DE LEONTIUS

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A CAMA DO QUARTO QUE me tinha sido dado era a cama mais confortável que eu já dormira em toda minha vida — ao menos pelo que conseguia me lembrar. Meu sono sempre era leve, mas ali no palácio nada me acordou em sobressalto, ninguém se esgueirou até mim e tentou me matar.

Apesar da grande gentileza da rainha de Leontius parecer ser legítima, era provável que só estivesse recebendo sua compaixão porque lhe era útil: tinha habilidades que nenhum de seus soldados possuía — os dez guardas de Chrysaor Cirillo que foram mortos por mim são a prova disso — e, levando em consideração a ameaça à vida de seu senescal e consequentemente à sua própria, nada melhor do que me usar como treinador para seus recrutas. Uma boa estratégia, aumentar o poder militar de sua capital, seriam leais apenas a ela.

E, talvez, ela estivesse planejando me usar como escravo sexual também, era uma alternativa a se pensar.

Estranhamente, sentia-me calmo. Ao acordar e encarar o teto, não havia mais raiva em mim, apenas melancolia; ao menos teria comida e um lugar para descansar, com privacidade e certa segurança. Também estava sob a proteção de rainha Andromeda, embora soubesse que isso na verdade significava que ainda era um prisioneiro, apenas sem correntes.

Meus pensamentos agora se voltaram para Andromeda. Ela era diferente de tudo o que eu poderia ter imaginado, com seu tom calmo e gentil, aparência delicada e frágil; já aprendera do jeito mais difícil que as aparências enganam, principalmente após o incidente em Atticus, onde uma mulher de ar maternal me fizera cair em uma emboscada. Porém, por algum motivo, os olhos cor de mel da rainha pareciam estar grudados em minha mente de uma forma que quase me impedia de raciocinar.

Apertei os olhos e sentei na cama, notando que na mesinha ao lado havia um jarro de água e uma bacia, além de algumas toalhas. Lavei meu rosto ali, ao mesmo tempo em que servos entraram e serviram a mesa maior com o que parecia ser meu desjejum; antes que pudesse agradecer, eles já haviam se retirado.

O pão estava fresco e quente, assim como o leite; geléia, uvas, queijo e manteiga também estavam na mesa. Comi com calma, sentindo o vento agradável que entrava pela janela, enquanto conseguia ouvir ao longe os sons do dia avançando. Fechei os olhos brevemente após tomar o leite, esfregando a testa; mal conseguia acreditar que estava no palácio, com toda a tranquilidade do lugar me envolvendo. Não estava inquieto, salvo por Phillip que volta e meia vinha em minha mente, apesar de saber que estava morto.

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