Todos meus eus não sou eu. Descobri recentemente que não sou nem um e nem outro, não este e nem aquele que busco reencontrar. Sou todos juntos e não sou ninguém.

Cada máscara colocada me pesou. Anseio hoje ver-me sem tantas máscaras, tantas camadas, tantos eus. Desnecessários, enfadonhos, medíocres, incompletos, parciais. 

Mas diante de tantos eus que oscilam e se sobrepõem, há aquele verdadeiro; há o essencial; que não faço a mínima ideia de quem seja. Estão todos aqui comigo, diariamente, não importa onde eu esteja, meus eus me acompanham, mas aquele primordial escondeu-se ou está com medo, muito medo de aparecer.

Queria ver meu verdadeiro eu pelo menos mais uma vez na vida. Pode ser que morra sem vê-lo novamente e isso me assusta um pouco.

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