Limítrofe Perdido

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Numa certa altura da vida entendi-me inadequado, limitado, fracassado, frustrado.

Queria muito que minha vida valesse a pena, que meus dias sobre essa terra fossem os melhores; algo jamais visto por outros seres humanos.

Tracei um plano e segui nessa direção. Estudei, trabalhei, casei, tive filhos, endividei e questionei: Estarei eu fazendo a coisa certa? Fiz tudo como manda a cartilha da sociedade. Esqueci de algo: Onde eu estava o tempo todo quando minha vida passava?

Hoje sei que as regras contidas na cartilha da sociedade diferem substancialmente das regras contidas na minha cartilha. Vivi um outro eu até agora. Talvez eu já tenha passado da metade da minha vida e apesar dos estudos, do trabalho, do casamento e dos filhos, eu me abandonei em alguma curva. Não sei qual curva. Não me lembro de todos os caminhos. Não me reconheço no espelho.

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