capítulo 9: O dilema do quebra-cabeça perfeitamente desmontado.

1.1K 117 201
                                        

“Não estávamos tentando nos apaixonar mas nos apaixonamos como crianças correndo, naquela época não sabíamos que fomos feitos para desmoronar.”The Very First Night, Taylor Swift.

Matilda se olhava no espelho, encarando o reflexo de seu corpo. Usava o vestido que Robin tinha escolhido e garantido que era o ideal para a ocasião pois não muito simples, mas também não muito chique. Era um vestido de verão perfeito, segundo ela.

Pegou o batom vermelho, passando nos lábios e fazendo o seu melhor para não borrar. De acordo com Robin: um vestido florido e um batom vermelho não tem erro.

Quando finalmente se sentiu pronta, pegou sua bolsa e caminhou até a cozinha se preparando para a missão mais difícil:

— Tia, posso usar o carro? — perguntou calmamente, vendo a mais velha fechar a geladeira e olhar pra ela.

— Por que quer usar o carro? — desceu seus olhos para a roupa de Matilda, pensando que ela estava arrumada demais para ir estudar.

— Pra ir até a casa do Eddie, hoje é dia de tutoria.

— Ele não disse que ia te buscar?

— É, só que... — suspirou, frustrada. — Olha, eu vou falar a verdade! — se sentou na mesa, sentindo-se derrotada — Eddie vai fazer um jantar pra gente depois da aula o que não foi categorizado como um encontro mas pode ser um. Robin disse que teria mais impacto se eu chegasse na casa dele porque ia gerar mais expectativa quando ele abrisse a porta e desse de cara comigo, então eu liguei pra ele dizendo que não precisava mais vir me buscar... eu nem sei porquê mas estou mais estressada do que o normal e quero tanto que ele goste de mim! — colocou as mãos no rosto, com vergonha — Fora que esse vestido está pinicando meu peito, tia! Por favor, me empreste o seu carro. — fez biquinho, olhando para ela.

A Sra. Henderson ficou tonta com as palavras rápidas que saíam da boca de Matilda, percebeu o quanto ela estava nervosa, como se fosse uma questão de vida ou morte. Quando a garota terminou de falar, caiu na gargalhada:

— O que é tão engraçado? — Matilda cruzou os braços, olhando para ela.

— Você é igualzinha a sua mãe. — sorriu, sentando-se na mesa de frente para a morena. — Quando ela conheceu seu pai, me contava sobre ele do mesmo jeito que você conta sobre Eddie. Lembro até hoje do primeiro encontro deles.

Matilda sorriu, com o coração apertado. Seu pai não gostava de falar sobre sua mãe, Maudie nunca ouvia histórias sobre ela, sabia apenas o básico e aquilo a deixava tão triste.

— Eu me pareço com ela? — seus olhos brilhavam.

— Oh, demais! Não só na aparência, sua voz é idêntica a dela, o jeito que você fala, anda... é uma cópia. — segurou a mão dela, sorrindo docemente. — Ela ficaria feliz em ver a mulher maravilhosa que você se tornou.

— Você acha? — a essa altura, algumas lágrimas já deslizavam dos olhos de Matilda. Pensar em sua mãe era tão doloroso.

Aurora Flores faleceu durante o parto. O pai de Matilda nunca lidou com a morte dela muito bem, em qualquer oportunidade que tinha de falar para sua filha o quanto ela era a culpada por tudo aquilo, ele falaria.

O fato de Matilda ser tão parecida com Aurora era algo torturante para ele, ter que conviver diariamente com um fantasma do amor de sua vida era como viver um inferno na terra. Por isso, ele nunca contou nada sobre ela para a filha. Matilda a via apenas por fotografias mas não sabia como a mãe era, das coisas que um dia ela gostou ou qual foi sua música favorita.

𝐓𝐢𝐦𝐞 𝐀𝐟𝐭𝐞𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐞 | 𝐄𝐝𝐝𝐢𝐞 𝐌𝐮𝐧𝐬𝐨𝐧Onde histórias criam vida. Descubra agora