Toda a conversa do quatro de julho fez Matilda dormir com um sorriso no rosto naquela noite. Mesmo com as circunstâncias e o fato de que ela estava incrivelmente assustada com tudo, seus sentimentos eram claro e ela nunca tinha experimentado algo assim. Algo que fosse real.
Dustin e Claudia Henderson foram ao supermercado no final da manhã, a garota decidiu ficar em casa para preparar o almoço e um bolo para a sobremesa. Matilda nem sempre conseguia demonstrar sua gratidão em palavras, então dava um jeito como podia. E queria muito mostrar a gratidão que tinha por Dustin e sua tia, mesmo que de uma forma pequena. Ela sentia e sabia que realmente os amava.
Matilda havia colocado a mixtape do Michael Jackson de sua tia no toca fitas, odiava fazer qualquer coisa sem música.
Rock With You espalhava-se por toda a cozinha enquanto ela movia o corpo e os pés descalços discretamente no ritmo da canção, também arriscou cantarolar baixinho. Gostava de momentos assim. O dia estava bonito e a brisa fresca balançava a cortina florida da janela.
Assim que colocou a massa do bolo no forno, sentiu uma palma agarrar seu quadril. Ficou assustada mas ao sentir os anéis gelados de Eddie tocarem a parte despida de sua cintura, se tranquilizou. Instantaneamente um sorriso de surpresa brotou em seu rosto.
— Você me assustou! — disse quando ele a virou para que pudesse olhar em seus olhos.
— Desculpa, linda. — sorriu, depositando um beijinho em seu maxilar.
— Como entrou aqui?
— Sua tia abriu pra mim quando estava de saída.
— Meu Deus, há quanto tempo você está parado aí apenas me observando feito um psicopata? — Eddie riu, ainda a segurando.
Matilda tinha um pouco de vergonha ainda mas gostava da proximidade. De sentir ele sempre tão perto, como se pudesse segura-lo para sempre em suas mãos.
— Só uns cinco minutos. — a bochecha dela se esquentou ao saber que ele presenciou toda sua cena de dança e cantoria. — Gosto de Michael Jackson.
— Claro que gosta, seria um crime se não gostasse. — viu ele revirar os olhos, brincando. — Pensei que te veria só mais tarde, você é mesmo um aluno exemplar!
Eles tinham tutoria naquele dia, mas Eddie estava lá três horas adiantado.
— Dustin comentou no Hellfire que ia sair, então eu tive a brilhante ideia de vir mais cedo... — desceu seus lábios do maxilar para o pescoço dela.
Matilda se sentia tão indefesa com Eddie. Se sentia completamente perdida com seus beijos e toques, era impossível não se render e ficar completamente desarmada. Fechou os olhos ao sentir a textura dos lábios quentes do maior em sua pele, desejando que aquilo durasse para sempre.
— Pensei: coitadinha da Maudie, vai passar horaas sozinha. — continuou, fazendo a morena arfar. — Que tipo de pessoa eu seria se te deixasse aqui, sozinha e desamparada? — disse num tom dramático, Matilda riu baixinho. — Mas posso ir embora, não quero atrapalhar seus planos.
Eddie ainda se sentia um pouco inseguro com tudo isso. O fato de simplesmente aparecer na casa dela sem avisar. Não sabia se ela queria passar um tempo com ele ou se estava simplesmente arruinando o dia dela.
Ela negou com a cabeça, entrelaçando seus dedos nos dele, era sua forma de dizer que queria que ele ficasse, e ele entendeu. A ponta de suas digitais estavam sujas de farinha, mas ele não se importou.
— Nossa, como você é atencioso! — brincou, torcendo os lábios. Eddie sorriu de forma divertida. — Nem sei como agradecer.
— Ah, eu sei. — distribuiu um sorriso sacana para a morena.
Eddie impulsionou o corpo de Matilda, para que ela se sentasse no balcão da cozinha. Quando sentiu o gélido do mármore tocar sua pele, o puxou para si, fazendo com que Eddie se posicionasse entre suas coxas nuas, com a fivela do seu cinto batendo na barriga da garota.
Quando ela o beijou, Eddie pensou que nunca tinha se sentido tão atraído por ela quanto naquele momento. As mãos nervosas da morena brincavam com os fios castanhos dele, o puxando mais para si a cada segundo enquanto seus corpos chocavam-se um contra o outro.
Eddie sentia um frio na barriga sempre que experimentava seus lábios. Era como se todas as vezes fossem a primeira vez que a beijava, sempre se sentia tenso e nervoso, mas era tudo na dose certa. Era um nervosismo bom e ele tinha tanto medo, porque sabia que seria difícil sentir aquilo de novo com outra pessoa.
Ele não gostava de fazer comparações, mas sabia que o que eles tinham não era igual a qualquer coisa que Eddie já teve antes, e principalmente, o que teve com Tina. E isso era claro para ele porque Matilda simplesmente era Matilda, e era impossível qualquer um chegar perto do que ela era ou do que eles eram juntos.
Quantos seus lábios se juntavam, era como vivenciar um apocalipse. Como se aquela fração de segundo fosse deixar o coração de Eddie no lugar, enquanto todo o resto de seu corpo se enterrava em si mesmo mas sua mente se perdia nela.
Quando o ar faltou, ela tomou coragem para encerrar o beijo mordiscando o lábio inferior dele. Quando fez isso, todas as células de Eddie entraram em combustão. A resposta óbvia de seu corpo foi devolver aquilo em um gemido baixinho perto do ouvido dela.
Matilda sorriu surpresa, nunca tinha ouvido Eddie daquele jeito. A voz dele saiu rouca e seus olhos que eram tão grandes e bonitos, estavam mais escuros agora.
Ele ficou vermelho e Matilda se derreteu, mais surpresa ainda por vê-lo corado.
— Pode tirar esse sorriso do seu rosto, Flores. — se escondeu na curva do pescoço dela, permitindo-se depositar seu peso sobre seu corpo.
Matilda nunca sentiu que tinha algum tipo de efeito sobre alguém antes, e saber que causava aquilo em Eddie a deixava feliz e um tanto quanto satisfeita.
— Não estou sorrindo. — negou com a cabeça. Eddie se afastou um pouco quando ela indicou que ia descer do balcão.
— Deveríamos estudar, né? — ele sugeriu assim que os pés dela tocaram o chão.
— Agora você quer estudar?
— Meu objetivo aqui sempre foi esse! Você que não sabe se controlar. — revirou os olhos, empurrando levemente o ombro dela. Matilda riu.
— Tá bom, seu bobo. — retribuiu o empurrãozinho. — Inclusive... você quer almoçar com a gente? Eu que fiz a comida e minha tia deve chegar daqui a pouco.
Eddie sorriu com o convite. Algo sobre aquilo o deixou um pouco nervoso, conhecia a mãe de Dustin mas não o suficiente e aquela era a primeira vez que ficava por mais de dois minutos dentro da casa dos Henderson. Mas ele não conseguia negar, não depois de ver o quanto Matilda parecia animada.
— Não vou morrer envenenado? — tentou imitar a voz da garota, dizendo as palavras exatas que ela usou quando ele a chamou para jantar em sua casa.
Ela sorriu, se lembrando.
— Não.
— Nem com intoxicação alimentar? — semicerrou os olhos para ela.
— É uma possibilidade. — olhou para ele. — Você aceita o risco? — perguntou também imitando a voz do rapaz, do mesmo jeito que aconteceu na ligação entre os dois há algumas semanas atrás. Foi a vez de Eddie sorrir.
— Sempre vou aceitar, linda. — depositou um beijinho na testa dela.
Os dois trocaram um olhar cúmplice, permanecendo assim por alguns segundos, apenas se perdendo um no outro como se estivessem vivenciando algo supersecreto e raro. E realmente, eles estavam.
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sei que esse capítulo foi mais curtinho, mas espero que vocês tenham gostado.
quis postar especificamente hoje porque after time tá fazendo 1 mês!! um bebêzinho ainda 🥺
beijos,
lia.
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𝐓𝐢𝐦𝐞 𝐀𝐟𝐭𝐞𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐞 | 𝐄𝐝𝐝𝐢𝐞 𝐌𝐮𝐧𝐬𝐨𝐧
Fanfiction"Desde que eu te conheci você foi esse desvio fora da curva, você me tirou dessa distopia que criaram pra mim. Você foi... você é, na verdade, minha possibilidade, Eddie." Matilda Flores chegou em Hawkins no verão de 1985 para passar as férias na ca...
