capítulo 29: Superpoderes.

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Eddie costumava ser um cara modesto. Não esperava muito das coisas, na mesma medida que não se importava em te-las. Isso fez com que, conforme crescesse, aprendesse a lidar melhor com seus fracassos do que com suas vitórias – quando algo bom acontecia, demorava para ele entender o porquê ou se realmente merecia aquilo, mas quando algo dava errado, Eddie apenas sabia que era como as coisas deveriam ser.

Não gostava desse padrão em sua vida, era como se estivesse nadando sem sair do lugar. Como se fizesse esforço para nada.

Mas, naquele momento, ele desejou fortemente que isso mudasse. Desejou ser esperançoso, desejou ser um cara de sorte que tem o que quer.

Eddie balançava as pernas freneticamente, tentando conter sua ansiedade mas parecia piorar a cada segundos. O prédio era enorme, intimidador. Ele se sentia pequeno encarando o corredor incrivelmente arrumado da Columbia Records com todos aqueles nomes famosos na parede. Se permitiu sonhar com o seu ali daqui uns anos, mas era tão difícil de visualizar o sobrenome Munson em algo grande e importante.

Matilda, que folheava uma revista com Os 100 melhores guitarristas de todos os tempos, deixou o objeto de lado para tocar na palma de Eddie ao reparar o nervosismo dele. Os dois estavam na recepção, chegaram vinte minutos mais cedo do que o previsto.

— Ei, relaxa. — sussurou para ele, o que fez Eddie fechar os olhos, encostando sua cabeça no ombro da menor.

Ele sentia um nervosismo que chegava a ser uma dor quase física. A última vez que ficou em um estado parecido com aquele foi na quinta série, quando se apresentou pela primeira vez no show de talentos da escola, era como se fosse desmaiar a qualquer momento.

— Estou tanto com medo. — admitiu, completamente apavorado. —  E essa roupa tá me deixando sem ar, Maudie! — olhou manhoso para ela, que sorriu.

Eddie vestia uma calça de alfaiataria com uma camiseta branca social. Matilda o obrigou a deixar os primeiros botões da camisa desbotoados o que, segundo ela, o deixava com um ar de rockstar chique.

— Você não está nem usando uma gravata, como que está sem ar? — olhou desconfiada para ele, que deu de ombros. — Mas sério, vai dar tudo certo! Tenho certeza que você vai rir de como estava nervoso quando voltar aqui para assinar seu contrato. — chacoalhou os ombros dele, na esperança de anima-lo.

— Como pode ter tanta certeza disso? — olhava desmotivado para ela.

Eddie queria pensar daquele jeito, mas não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de fazer algo errado e foder com tudo. Todos os seus colegas de banda dependiam dele naquele momento, é o que sonharam durante toda a vida.

Matilda fez uma expressão incrédula, se aproximando mais dele.

— Eu nunca te contei? — perguntou baixinho, quase inaudível, para que apenas ele pudesse escutar.

— Contou o que? — se mexeu, nervoso, sem entender direito.

— Nossa, acho que nunca contei mesmo! Se prepara, tá? Pode ser um pouco difícil pra você descobrir isso agora, você vai precisar ser forte. — Matilda quis rir com a cara de confusão que ele fez, mas apenas continuou. — Eu... eu tenho superpoderes.

Ele sorriu, achando divertido. Seu rosto tinha um brilho diferente agora.

— Ah, é? Que tipo de superpoderes? — entrou na brincadeira dela, esperando por uma resposta.

— Eu consigo ver o futuro. Só um segundo, estou vendo o seu agora mesmo! — fechou os olhos, levando as mãos a cabeça como se estivesse recebendo algum tipo de mensagem mental, Eddie gargalhou. — Eu vejo... hm...você! A Corroded Coffin está no seu quinto dia de residência no Madison Square Garden, eu consigo ouvir sua voz dizendo 'Boa noite, MSG! Vejo vocês na próxima'. — imitou a voz de Eddie, o que o fez rir. Ela fechou os olhos com mais força, como se tentasse receber mais alguma mensagem. — Hm, você está bonito, sem camisa! Nossa, eu pagaria pra ir nesse show! — abriu os olhos, o encarando. — É por isso que eu tenho certeza que vai dar tudo certo.

𝐓𝐢𝐦𝐞 𝐀𝐟𝐭𝐞𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐞 | 𝐄𝐝𝐝𝐢𝐞 𝐌𝐮𝐧𝐬𝐨𝐧Onde histórias criam vida. Descubra agora