Apenas Uma Tempestade

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 Nossa pesca estava maravilhosa. Eu e Elias sorrimos o tempo inteiro.

 - Quero ver você pegar um peixe maior que esse! – provoca ele.

 Avanço para cima dele abraçando-o e tocando nossos lábios. Afasto-me e mostro que ele caiu no meu truque e que estou sob o controle da vara de pescar.

 Sinto que um peixe mordeu a isca e grito entusiasmada:

 - Esse você nem conseguiria puxar! – Sorrio e me esforço ao máximo para trazê-lo para a canoa, desisto. – Elias, é sério. Preciso de uma ajudinha aqui. - Começo a pedir me rendendo, mas ele não responde. – Elias! – Grito e olho para trás. Elias está andando lentamente, como se estivesse em transe, passo a passo, quase saindo da canoa.

 - Elias! O que você está fazendo? – Sou ignorada novamente. Solto a vara e corro para segurá-lo, mas é tarde demais. Ele pulou.

 Ás nuvens começam a se unir e a derreter, está chovendo. Desespero-me e grito com mais força:

– Está chovendo! É perigoso ficar na água!

 Paro um pouco para retomar o fôlego e tentar outra coisa, pedir por socorro.

 - Alguém me ajude! Ele está afundando! Alguém, por favor! – As lágrimas começam a descer de meus olhos e se misturar com as gotas de chuva. Estamos longe da praia, ninguém pode nos ouvir.

 Não posso mais perder tempo, pego o cilindro de ar e coloco a máscara na boca. Pulo na água torcendo para encontrá-lo ainda vivo.

 Encontro-o descendo mais ainda e o sigo. Graças às minhas aulas de natação eu consigo me aproximar. Mas ele não está só. Uma mulher segura sua mão. Seus cabelos negros brilham, como se emitissem luz própria, entretanto eu me impressiono mais quando vejo suas pernas, porque ela não as tem! Uma Sereia!

 Estou paralisada de medo e admiração, mas vê-la levando Elias mais a fundo me lembra que não tenho muito tempo.

 Puxo a outra mão de Elias, mas estou perdendo essa guerra. Elias está forçando seu corpo para o lado inimigo. Olho para o rosto da sereia, ainda com medo. Seus lábios estão se movendo, não como se falasse, mas como se cantasse em silêncio. É isso! Talvez ela esteja cantando para ele!

 Talvez se eu atrapalhá-la ela possa calar a boca e ele volta ao normal. Seguro o corpo de Elias para que a água não me afaste para longe. Coloco minha mão sobre a boca dela, ela continua cantando e o feitiço ainda não se quebrou.

 Desespero-me mais, restam-me 5 minutos e Elias provavelmente deve estar morrendo, pois ele já está fechando os olhos. Coloco minha máscara em seu rosto e percebo seus olhos abrindo novamente. Mas ele ainda está indo em direção a ela.

  Volto a ficar de frente para ela e ponho minhas mãos em seu pescoço. Aperto tentando enforcá-la, talvez assim ela parasse de cantar essa maldita música. A sereia grita e dessa vez até eu posso ouvir. Ela pressiona as mãos em meu peito e garras surgem de seus dedos, furando minha carne. A dor é tremenda e já não consigo fazer força ou prender minha respiração.

 Antes de desmaiar de dor e sem ar, escuto um barulho alto e vejo o peito da sereia sangrando, uma bala atravessou seu coração e ela fecha os olhos, demonstrando sua rendição aos braços da morte.

 Choro com a visão e logo em seguida desmaio. Tudo o que quero agora é esquecer tudo a minha volta. Permitir que meus pensamentos me deixem. Esvaziar minha mente...

Aleatoriamente ContandoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora