Quando um casal se apaixona, todo um futuro nasce para os dois. Quando se separam, esse futuro vira uma possibilidade. Dessas possibilidades nascem outros seres vivos, seres que nasceriam daquele casal. Esses seres já não irão nascer, não em nosso mundo.
Eles eram chamados – ironicamente – Nascidos, embora houvesse um sentido nisso, pois naquele mundo eram nascidos e esse fato significava tudo sobre eles. Se nasciam naquele mundo que viam e viviam, quer dizer que deixaram de nascer em outro lugar.
Eram almas nunca mortas, bastardos, não só de pai e mãe, mas do próprio destino. Seu mundo nunca deixaria de ser espectro do outro. Não passava de um vácuo preenchendo todo aquele espaço já ocupado.
Tudo o que carregavam eram alguns pertences e vestimentas de seu mundo possível, aquele que tanto sonhavam.
Cresciam e adquiriam memórias e experiências que teriam se fossem reais, mas sabiam que não passavam de possibilidade, tanto suas memórias como eles.
Alguém não estava disposto a desistir e viver na inexistência...
- Não é uma boa ideia fazermos isso. Pode ser perigoso.
- Perigoso? Nós nem ao menos existimos! Estou cansada de viver assim, se é que podemos chamar de viver. Nesse momento, correr perigo é o que eu mais desejo. – disse Paloma.
Paloma, a nascida de 17 anos de possibilidade, via sua mãe e desejava conhecê-la. Observava os outros nascidos, alguns caminhavam sem uma reta, outros viviam em lágrimas, havia também os felizes, que sorriam o tempo inteiro e tentavam animar os outros, havia infinitas reações, infinitas personalidades. No fim, todos os nascidos eram humanos, só não existiam. Mas Paloma não aceitava, Paloma queria existir.
- Por que não procuramos alguém que seria um cientista? Vai ver ele arranja uma teoria para tirar a gente daqui.
- Não sei, não... Isso me parece muito perigoso.
- Que perigoso, Beto! Já lhe disse que não temos o que temer. Agora vamos, se queremos encontrar alguém assim, precisamos começar a procurar agora.
Atravessavam parques, crianças e casais de namorados. Ninguém os via, ninguém os sentia, exceto eles mesmos. Paloma e Beto cumprimentavam todos os nascidos que encontravam.
- Talvez devêssemos pedir ajuda a eles, vai ver conhecem um cientista.
- Ah, Paloma. Você tem cada ideia...
Explicavam a cada um seus planos e perguntavam por um cientista. A semana passou e eles não descobriram ninguém. No oitavo dia receberam uma visita.
- Olá, vocês que procuram um cientista, não? – Disse a mulher, vestida com um terno e uma saia brancos.
- Sim! – Paloma teve vontade de abraçá-la.
- Tenho uma teoria que talvez possa ajudá-la.
- Então...?
A mulher dobrou a mala que carregava e se sentou em cima. Paloma e Beto sentaram-se no chão. A cientista pigarreou e começou:
- Minha teoria é que nossa existência depende dos humanos. Como não nascemos para eles, eles nunca acreditaram em nós. Mas se descobríssemos um modo de fazê-los nos ver, fazê-los crer. Talvez nós possamos passar a existir.
- Como sugere que façamos isso?
- Sinto muito, mas não sei como pôr a teoria em prática. Pensei que vocês pudessem encontrar isso.
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Aleatoriamente Contando
CasualeDesate os sapatos, solte as algemas que o prende ao chão e deixe que sua mente vagueie por mundos diferentes contados aqui. Não tenha medo do tédio, aqui existe de tudo para evitar esse grande inimigo. Leia e descubra histórias de amor e fantasia e...
