Capítulo 4

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Talvez eu tenha cavalgado por horas no encalço distante dos ladrões, todos os quarenta estavam ali, haviam se espalhado pela cidade e feito seus furtos.

Podia ouvir suas conversas que o vento me trazia, alguns comemoravam o lucro de hoje e outros riam.

Boa parte em silêncio focada em seu caminho.

Observo a Estrela Norte, a qual era a guia, a bússola dos ladrões, podia ver perfeitamente bem o líder deles prestar atenção nela e no deserto frio e traiçoeiro.

Há muitas lendas de que essas areias antigas portam magia, lendas contadas em histórias de dormir, não tenho lá uma vida muito longa para ter visto alguma coisa, mas o que eu sei é que eu verei de tudo enquanto continuar viva.

Observo o vento que aspiralou a areia no ar, e então, um risco dourado a cruzou, eu arregalo os olhos, um risco de luz dourada, seguida de outro, e outro, a areia parecia se mover.

Os cavalos relincharam ficando nervosos.

— Cuidado, estão perto. -disse o líder.

Mais riscos e então algo salta de dentro das dunas, emergindo das areias como se fosse água, criaturas de magia dourada, olhos brilhantes de luz, suas volumosas caldas e pernas astutas.

Lupus vulpin, chacais e raposas de luz. Meus olhos podem ter saltado de suas órbitas enquanto eu encarava com assombro e encanto o que deveria ser apenas histórias para dormir, eles existem, criaturas mágicas, espíritos do deserto que vagam do anoitecer até o Alvorecer.

Uivos e guinchos podem ser ouvidos das criaturas feitas de magia que correm pelas dunas como uma alcatéia, deslizando e mergulhando, então, saltando.

Os ladrões continuaram seu percurso, sem ligar para aquilo, para aquela descoberta, ação que me levou a pensar que já tenham visto isso e muito mais.

Eu os segui, vendo águias saírem das Dunas e voarem ao alto, se desfazendo em areia.
Magnífico...

Ouço os galopes diminuírem e ergo o olhar para fitar os seres que paravam de frente para um grande oásis. Eu paro meu cavalo na duna próxima, observando de longe o que eles faziam, o cavalo do líder parou de lado aos pés das águas claras.

Estreito os meus olhos para o silêncio ondulante se não pelos bufares dos animais. Então a voz do líder ecoou, sua mão se erguendo ao alto para o oásis.

— Abre-te! Sésamo!

Silêncio, silêncio mortal e ondulante, cogito a ideia de ele estar louco quando o chão começou a tremer, sacudir, os cavalos bateram os cascos nervosos no chão, relinchando alto, as águas do oásis ondularam até que fumaça começou a se erguer dali, a água evaporando de forma escaldante deixando apenas o fundo dele, até que então o chão se rachou, se partiu ao meio e se abriu devagar , as paredes se afastando em um som ensurdecor de pedras, revelando.... Uma entrada, luz alaranjada vinha de lá, tochas acesas. Magia...

— Eiah!

— Vamos!

Os cavalos dispararam para dentro, descendo para aquela entrada, um por um, todos os ladrões desciam a galope desgovernado para dentro, meu cavalo desceu a duna com rapidez, o chão começando a tremer novamente e as paredes começarem a se fechar, eu aperto as rédeas e estímulo o cavalo a acelerar o seu galope.

Ele desceu aquela inclinagem de pedra com agilidade, podia ver claramente enquanto descia as paredes se aproximando e a passagem ficando cada vez menor, os cascos do cavalo estalaram contra a pedra molhada, água começando a descer como uma cachoeira para nos engolir, meu coração batia acelerado e não sentia um pingo de sangue em meu corpo, eu passei pela entrada ouvindo as paredes se chocarem uma contra a outra selando o segredo dali, água tomando conta, galopo pelo túnel iluminado por tochas, vendo seu fogo ondular e o som dos cascos ecoar pelo túnel, ouço o som de água e ao sair do túnel me deparo com uma pequena trilha de pedra, passando por baixo das águas de uma... Cachoeira.

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