Capítulo 3

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— Saberei muito bem se falhar, não tente dar uma de esperta. -o rei advertiu.

Estava livre dos grilhões e correntes, ciente de que aquilo havia me deixado boas marcas roxas nos locais onde eles ficaram.

— Posso ajudar a... -o príncipe se aproxima.

— Não precisa. —ergo o queixo, escondendo as marcas com a roupa— seus guardas trataram de me deixar roxa pelos próximos anos.

Ele encara os guardas de forma dura e os mesmos não pareceram afetados por seu olhar, estavam mais interessados nas palavras do rei do que na indignação de seu príncipe.

— Saberei se falhar em sua missão. —o rei me encara uma última vez antes de se virar— se morrer eu também saberei.

E ele sumiu junto de seus guardas.

— Agora, deixe-me ajudá-la..
— Por que quer me ajudar? —o encaro— não tem medo de ficar sozinho comigo?

Ele inclina a cabeça.

— Eu deveria temê-la? Mileide. -ele pergunta.

— Não me trate como uma donzela pomposa de sua corte. -bufo.

Ele ergue as mãos.

— Está bem, devo tratá-la como um homem? -pergunta.

— Sou melhor do que um.

Eu o encaro.

— Por que me ofereceu dinheiro? -questiono.

— Pareceu ser a forma mais inteligente de te fazer aceitar. -ele disse.

— E por que? -insisto.

O príncipe da de ombros, fazendo uma breve inclinação de corpo cordial antes de se virar.

— É bela demais para morrer com uma corda no pescoço. —ele disse— e suponho que você ainda queira viver muito.

Não tive tempo de responder quando ele emendou.

— Boa sorte, e volte viva.

E ele sumiu.

Eu pisco algumas vezes, nada que possa me ajudar a achar o líder dos quarenta ladrões, porém... Sou uma ladra, tão bom seja por isso que o rei mande um ladrão ao invés de um guarda atrás de sua preciosa jóia, um ladrão sempre saberá encontrar seu ninho de najas.

Eu olho através da sacada a bela estrela Norte brilhando no céu, um ladrão sempre sabe se encontrar e encontrar os seus.

Sabia o que fazer, só me restava a dúvida se eu sairia viva.

Me lanço da sacada vendo os gaurdas correrem até seu parapeito, eu abro os braços sentindo o vento gélido beijar a pele exposta, eu rodei no ar e caí dando uma estrela no chão, saltando para a reclinagem das torres, eu subi o muro sem dificuldade, caminhando em cima dele, ergo minha cabeça e encaro o Rei e o Príncipe me observando da sacada mais alta, aquela ave no ombro do rei e o príncipe com um olhar perdido em mim.

Eu estreito os olhos e salto do muro, me perdendo no escuro da noite.

....

Há mais de uma cidade em Avalor, há muitas outras, e sei que há uma cidade de comércios onde é o maior alvo para larápios.

E eu estava nela, puxo as rédeas do grande garanhão negro que solta um bufar, os cascos pisoteando o chão da cidade da poeira.

A noite cintilando e mais uma vez mostrando as belezas que este estranho lugar carrega.

Observo um mágico fazendo seus truques, mas se prestasse atenção, você veria muito bem o erro nele, enquanto ele ludibriava e encantava com seus truques baratos, um pequeno animal tratava de roubar todo o ouro das pessoas, as jóias das mulheres eram furtadas sem ao menos elas sentirem. Um charlatão.

O homem riu do truque e levou a mão ao bolso. Sentindo a falta de sua bolsa de ouro.

— Onde está...

— Agora, magicamente irei sumir. -disse o mágico.

As mulheres levam as mãos aos pescoços, os colares sumiram.

O animal primata subiu no ombro do mágico, um pequeno macaco que lhe entregou a renda da noite, então, o mágico correu.

— Ladrão!! Ladrão!

Até que não demorou.

Observo o mágico subir o teto das casas e toco as rédeas do cavalo, o mesmo relinchou e disparou pelas pequenas e estreitas ruas, pessoas saindo da frente ao ver que eu passaria por cima de todos.

Eu o segui de baixo, em alta velocidade, tentando acompanhar o passo que o bandido saltava os telhados.

— Hum, eu faço melhor. -murmuro.

Vejo então em tempo real mais sombras se juntarem a ele nos saltos, mais três ladrões, um com um grande saco pesado nas costas. Ouço a lataria e não demora para eu ver os guardas tentando alcançá-los.

Agora, havia mais ladrões correndo por baixo, podia ver eles passando às pressas por mim derrubando cestos para dificultar a passagem da guarda, e eles tiveram sucesso nisso.

Saio da cidade ao galope vendo os ladrões acima saltarem e caírem montados em seus cavalos, os de baixo com saltos montaram em suas garupas e dispararam, gargalhando.

Eu apertei as rédeas e o segui a uma distância segura, vendo mais ao longe um grande grupo deles, observo um em especial, montado em um cavalo robusto de pelo branco com mesclares azulados, os olhos lilás como ametistas cintilaram pela brecha de seu niqab, aperto as rédeas em minhas mãos, o líder deles.

— Vamos. -sua voz abafada soou por baixo de toda aquela roupa negra.

Os bandidos que estavam na garupa dos cavalos de seus comparsas saltaram nos cavalos sem cavaleiro, as longas e curvadas espadas reluzindo no feixe prata da luz da Lua.

Os muitos cavalos relincharam, galopando nas dunas de areia atrás do cavalo que liderava todos com o seu dono montado.

Meu cavalo subiu as dunas e deslizou para baixo conforme os perseguia de longe, e sabia que estava me metendo em uma armadilha gigantesca, onde eu não sabia se sairia viva ou morta.

Maldita seja aquela cartomante.

Mais ainda maldito seja o meu destino que tratará de por na maior das enrascadas, afim de testar o quão boa sou.

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