Capítulo 23

143 21 3
                                        

Olho para o oceano, seria a última vista que eu teria dele até chegar em terra firme.

O dia foi embora e logo a escuridão da noite tomou conta, me fazendo enxergar nada ali além das estrelas.
Ouço passos atrás de mim e me viro.

— Sem sono?

Eu desviei a atenção do capitão e voltei a olhar os céus.

— Um pouco. -respondi.

Ele se apoiou no corrimão e me observou.

— Nunca em minha vida vi uma mulher tão louca e tão corajosa como você. -ele confessa.

— Não caio em encantos de marinheiros. -digo.

Uma risada.

— Estou há tanto tempo neste mar, neste navio, que eu já não sei como cantar uma mulher, bruxa. —ele disse— foi de fato um elogio.

Eu inclino a cabeça.

— Deve haver alguma em suas paradas. -falo.

Ele assente.

— Nenhuma que chame a minha atenção de verdade. -admite.

— Creio que eu não seja essa.

— Quem sabe? —ele riu— o destino prega peças.

Eu olho para ele finalmente.

— Não me chama a atenção passar a eternidade ao lado de um velho lobo do mar. -sorrio afiada.

— Sou velho de idade. —ele bloqueia minha saída com as mãos— não fisicamente, uma dádiva da imortalidade.

— De fato. -concordo.

Ele encara meus lábios e inclina a cabeça.

— Seria um tremendo erro, não seria? Correria o risco de ficar enfeitiçado por você. -ele disse.

— Semanas nesse navio, achei que já estivesse.

Uma gargalhada baixa.

— Com você tentando me afogar vivo?

— E você querendo me dar de comida aos tubarões? -rebato.

Um riso e ele me puxou pela cintura.

— Parece que ainda lembra de algumas coisas. -falo.

— Desde a última vez que te vi há cinquenta anos? Sim. —ele disse— encantadora Azaya.

Seus lábios se chocaram contra os meus e ele me prenssionou contra o timão.
Mas, o beijo em si era prazeroso, porém não sentia o que sentia com Amon, com Amon eu sentia ser tirada do chão e um intenso frio na barriga, com Sinbad era como se fosse apenas... Nada, uma recordação de um tempo atrás.

E por esse motivo eu me afastei, quebrando o beijo.

— Já me mostrou que ainda lembra de algo. -falo.

Ele sorriu de lado.

— E você me mostrou que se não deu continuidade é porque há outro na jogada.

Esperto.

— Talvez. -digo.

— Un feérico? Um... Príncipe talvez? Ou...

— Um ladrão.

Ele piscou, então, sua gargalhada ecoou pelo navio e explodiu ao redor do mar.

— Para quem disse que nunca, jamais iria se envolver com um bandido do seu tipo... -falou.

Eu lhe dou um empurrão e ele riu mais ainda.

— A ladra mais ardilosa teve algo roubado por outro ladrão... Seu coração. -ele disse.

Diamantes Do Deserto Onde histórias criam vida. Descubra agora