Capítulo 6

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Mesmo que eu fosse alimentada a contragosto como uma fera, eu ainda estava amarrada a fortes cordas potentes, amarrada a uma cadeira, e mesmo assim Alibaba continuava a me torturar.

— Segundo dia, minha cara. -ele disse me circundando.

Ele se agachou diante de mim.

— Conte-me o resto da história. -ele ordena.

Eu o encaro com desdém.

— Onde estão os modos?

— Sou um ladrão, modos não são necessários aqui. -ele disse.

— Mas ainda assim é um homem. —digo o encarando de cima a baixo— suponho que tenha tido no mínimo uma aula de etiqueta básica.

Ele rosna baixo.

— Vamos lá, estou esperando. -digo.

Ele me encara sério.

— Acredito em seu potencial. —zombo— eu sei que você consegue.

— Desgraçada. -ele se ergue.

Eu gargalho alto.

— Ora, vejam só, o grande líder dos quarenta ladrões não sabe dizer um simples...

— Por favor.

Eu pisco.

— Como?

— Por favor. —ele engole o grunhido— conte o restante da história.

— Ah, mas que situação. —o encaro surpresa— está sendo muito divertido.

— Não abuse, garota. -ele me encara.

Eu sorri felina.

— Quando os três irmãos encararam diante deles a própria morte, eles sabiam que não haveria escapatória, estavam nos desertos de ninguém, ali não havia reis, não havia mestres, ali apenas os fortes sobreviviam e mesmo assim eram carregados por suas areias.

Ele me observa com atenção.

— O irmão mais velho tomou a frente e pediu a morte que o tornasse o homem mais rico de todo o mundo, e assim a morte o fez. —digo— o irmão do meio era o mais bondoso, ele pediu três armas que fizessem ele e seus irmãos se tornarem reis, e assim a morte o fez, lhes entregando as três espadas que representavam as três estrelas mais brilhantes do céu noturno, e junto com elas, eles conquistariam reinos e teriam a sua glória.

— As três espadas de Urgh. -ele disse.

Eu assenti.

— E o terceiro irmão? -ele questiona.

— Somente amanhã poderei lhe contar. -falo.

Ele bufa, era evidente toda a sua curiosidade, sua vontade de saber o que aconteceria com os irmãos, e isso estava me dando tempo para arrumar um jeito de sair, mas o meu tempo era emprestado e estava acabando como a areia de uma ampulheta.

Mas estava bem óbvio que apesar de curioso ele estava ficando irritado, até agora não havia lhe revelado onde estava o Anel e o meu pescoço está por um fio em sua mão.

— Você se chama Alibaba, é como todos o conhecem. —falo observando ele subir até seu trono— mas e o seu nome? -questiono.

Ele me encara.

— Meu nome?

— Você deve ter um nome, todos tem. -rebato.

— O que isso ajudaria você?

— Curiosidade.

— Amon.

Eu o olho.

— Meu nome é Amon. -ele disse.

— Esperava uma maior revelação, estou decepcionada. -falo.

— E o seu? Minha querida ladra. —ele se senta em seu trono, olhando fixamente para mim— qual o seu nome? E sobrenome.

Ergo o queixo, ele nunca me acharia por ele mesmo que quisesse.

— Azaya Archero. -falo.

Seus olhos cintilam.

— Archero, um sobrenome de arqueiro. —ele disse— sabe o que significa? Seu sobrenome.

— É o sobrenome que é dado para os bastardos. —digo fria— para as crianças sem pai, mãe ou qualquer familiar.

Ele me encara, seus olhos escurecendo devagar.

— Também é o sobrenome ditado aos arqueiros de Luna, os que eram considerados uma legião de bastardos, mas.. que salvaram mais de um reino antes de partir, apenas com seus arcos, flechas e coragem. -disse ele.

Eu me remexi nas cordas apertadas.

— Isso. -grunhi baixo.

Ele inclina a cabeça.

— Algo me deixou muito curioso em nosso primeiro encontro, querida mèirleach. -ele disse.

— Ah, sim? -o encaro duvidosa.

Ele abriu um sorriso que não chegou aos seus olhos, brilhando como mil facas.

— Você fez uma Duna de areia se erguer e me engolir. -ele disse.

Eu travo, merda.

— Ah, fiz? -o encaro com inocência.

— Sabe bem a resposta. —ele me encara— o que você é? Garota. -pergunta.

Eu empino o nariz.

— Uma criatura demoníaca? Que tipo de ser mágico você é? -ele pergunta.

— Se é tão inteligente, por que não descobre sozinho? -questiono.

Ele estende seu braço e ouço um guinchar, olho para cima a tempo de ver o belo falcão mergulhar e pousar gracioso no braço de seu mestre.

— Tenho ideias. -ele disse.

— Então porque perguntou? -rebati.

— Essa sua língua afiada já a salvou alguma vez de morrer? -pergunta.

— Até agora está. -respondo.

Ele acaricia as penas da bela ave.

— Se denomina uma ladra?

— Eu roubei o seu anel, o que acha?

Ele trava a mandíbula.

— Aceite que foi roubado por uma mulher, garanto que vai doer bem menos. -bocejo.

— Como pegou meu Anel sem eu sentir? -ele pergunta curioso.

— Nenhum ladrão revela suas manhas. -falo.

— Você não foi treinada por mim, quem a ensinou a roubar?

— Ninguém.

— Você só vive até quando eu quiser.

— Fizemos um trato, não pode me matar até...

— Até amanhã, querida mèirleach. -ele disse.

— Até amanhã. —ergo o queixo— eu vivo apenas até amanhã.

— Do que adianta este teu jogo se morrerá de toda a forma? -ele questiona.

— Quem sabe? Sou apenas uma ladra. -falo.

— Que me roubou.

— Ora, Amon. —seu nome desliza em meus lábios como mel— ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Ele grunhiu e eu gargalhei.

— Você só está querendo me provocar. -ele grunhiu.

— Mas é tão divertido. -faço bico.

Ele rosna baixo e se ergue, ele saiu dali me deixando sozinha, as tochas se apagando e eu ficando ali, perdida no escuro.

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