Mesmo que eu fosse alimentada a contragosto como uma fera, eu ainda estava amarrada a fortes cordas potentes, amarrada a uma cadeira, e mesmo assim Alibaba continuava a me torturar.
— Segundo dia, minha cara. -ele disse me circundando.
Ele se agachou diante de mim.
— Conte-me o resto da história. -ele ordena.
Eu o encaro com desdém.
— Onde estão os modos?
— Sou um ladrão, modos não são necessários aqui. -ele disse.
— Mas ainda assim é um homem. —digo o encarando de cima a baixo— suponho que tenha tido no mínimo uma aula de etiqueta básica.
Ele rosna baixo.
— Vamos lá, estou esperando. -digo.
Ele me encara sério.
— Acredito em seu potencial. —zombo— eu sei que você consegue.
— Desgraçada. -ele se ergue.
Eu gargalho alto.
— Ora, vejam só, o grande líder dos quarenta ladrões não sabe dizer um simples...
— Por favor.
Eu pisco.
— Como?
— Por favor. —ele engole o grunhido— conte o restante da história.
— Ah, mas que situação. —o encaro surpresa— está sendo muito divertido.
— Não abuse, garota. -ele me encara.
Eu sorri felina.
— Quando os três irmãos encararam diante deles a própria morte, eles sabiam que não haveria escapatória, estavam nos desertos de ninguém, ali não havia reis, não havia mestres, ali apenas os fortes sobreviviam e mesmo assim eram carregados por suas areias.
Ele me observa com atenção.
— O irmão mais velho tomou a frente e pediu a morte que o tornasse o homem mais rico de todo o mundo, e assim a morte o fez. —digo— o irmão do meio era o mais bondoso, ele pediu três armas que fizessem ele e seus irmãos se tornarem reis, e assim a morte o fez, lhes entregando as três espadas que representavam as três estrelas mais brilhantes do céu noturno, e junto com elas, eles conquistariam reinos e teriam a sua glória.
— As três espadas de Urgh. -ele disse.
Eu assenti.
— E o terceiro irmão? -ele questiona.
— Somente amanhã poderei lhe contar. -falo.
Ele bufa, era evidente toda a sua curiosidade, sua vontade de saber o que aconteceria com os irmãos, e isso estava me dando tempo para arrumar um jeito de sair, mas o meu tempo era emprestado e estava acabando como a areia de uma ampulheta.
Mas estava bem óbvio que apesar de curioso ele estava ficando irritado, até agora não havia lhe revelado onde estava o Anel e o meu pescoço está por um fio em sua mão.
— Você se chama Alibaba, é como todos o conhecem. —falo observando ele subir até seu trono— mas e o seu nome? -questiono.
Ele me encara.
— Meu nome?
— Você deve ter um nome, todos tem. -rebato.
— O que isso ajudaria você?
— Curiosidade.
— Amon.
Eu o olho.
— Meu nome é Amon. -ele disse.
— Esperava uma maior revelação, estou decepcionada. -falo.
— E o seu? Minha querida ladra. —ele se senta em seu trono, olhando fixamente para mim— qual o seu nome? E sobrenome.
Ergo o queixo, ele nunca me acharia por ele mesmo que quisesse.
— Azaya Archero. -falo.
Seus olhos cintilam.
— Archero, um sobrenome de arqueiro. —ele disse— sabe o que significa? Seu sobrenome.
— É o sobrenome que é dado para os bastardos. —digo fria— para as crianças sem pai, mãe ou qualquer familiar.
Ele me encara, seus olhos escurecendo devagar.
— Também é o sobrenome ditado aos arqueiros de Luna, os que eram considerados uma legião de bastardos, mas.. que salvaram mais de um reino antes de partir, apenas com seus arcos, flechas e coragem. -disse ele.
Eu me remexi nas cordas apertadas.
— Isso. -grunhi baixo.
Ele inclina a cabeça.
— Algo me deixou muito curioso em nosso primeiro encontro, querida mèirleach. -ele disse.
— Ah, sim? -o encaro duvidosa.
Ele abriu um sorriso que não chegou aos seus olhos, brilhando como mil facas.
— Você fez uma Duna de areia se erguer e me engolir. -ele disse.
Eu travo, merda.
— Ah, fiz? -o encaro com inocência.
— Sabe bem a resposta. —ele me encara— o que você é? Garota. -pergunta.
Eu empino o nariz.
— Uma criatura demoníaca? Que tipo de ser mágico você é? -ele pergunta.
— Se é tão inteligente, por que não descobre sozinho? -questiono.
Ele estende seu braço e ouço um guinchar, olho para cima a tempo de ver o belo falcão mergulhar e pousar gracioso no braço de seu mestre.
— Tenho ideias. -ele disse.
— Então porque perguntou? -rebati.
— Essa sua língua afiada já a salvou alguma vez de morrer? -pergunta.
— Até agora está. -respondo.
Ele acaricia as penas da bela ave.
— Se denomina uma ladra?
— Eu roubei o seu anel, o que acha?
Ele trava a mandíbula.
— Aceite que foi roubado por uma mulher, garanto que vai doer bem menos. -bocejo.
— Como pegou meu Anel sem eu sentir? -ele pergunta curioso.
— Nenhum ladrão revela suas manhas. -falo.
— Você não foi treinada por mim, quem a ensinou a roubar?
— Ninguém.
— Você só vive até quando eu quiser.
— Fizemos um trato, não pode me matar até...
— Até amanhã, querida mèirleach. -ele disse.
— Até amanhã. —ergo o queixo— eu vivo apenas até amanhã.
— Do que adianta este teu jogo se morrerá de toda a forma? -ele questiona.
— Quem sabe? Sou apenas uma ladra. -falo.
— Que me roubou.
— Ora, Amon. —seu nome desliza em meus lábios como mel— ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Ele grunhiu e eu gargalhei.
— Você só está querendo me provocar. -ele grunhiu.
— Mas é tão divertido. -faço bico.
Ele rosna baixo e se ergue, ele saiu dali me deixando sozinha, as tochas se apagando e eu ficando ali, perdida no escuro.
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Diamantes Do Deserto
FantasyAzaya é uma ladra que vive no reino deserto de Avalor, mas a sua vida de furtos vira de cabeça para baixo quando o Rei a pega roubando suas jóias e a sentencia a morte. Agora para livrar o seu pescoço, Azaya terá que se tornar a ladra do Rei e rouba...
