Capítulo 19

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Atravessar o deserto me custou dias e noites, mas agora atravessar os oceanos me custaria muito mais.

Não havia nada que o dinheiro não pudesse comprar de alguém interesseiro, e eu comprei minha subida em um navio pirata.

Eu observo o horizonte e os mares calmos, o balançar continuo do navio, estava tranquilo e aquilo era motivo o suficiente para eu suspeitar, desde quando algo bom vinha para a minha vida? Desde quando vinha calmaria?
Isso me cheira a confusão.

Observo o deck do navio onde poucos homens zanzavam por ele, piratas, bucaneiros portadores de ouro.

Eu subo até a ponta do navio e lá fico, sentada sentindo o vento da maresia.

Algo que estava começando a enjoar, para quem vivia apenas nos desertos roubando, dias em alto mar está sendo um grande teste de força.

Observo um papagaio voar e pousar do meu lado.

— Ahoy! Azaya. -a ave grasnou.

Por que sempre tem que ter uma ave falante perto de mim?

— Olá, Tunico. -falo.

— Tá enjoada? -a ave gargalhou.

Eu o encaro de olhos semicerrados e a ave gargalhou mais ainda.

— Você é muito esperto, Tunico. -falo.

— Claro que sim!

— Cadê o seu dono? -pergunto.

Não havia visto o capitão o dia inteiro, ele não havia aparecido ao menos no deck.

— O capitão está no escritório! —grasna a ave— ele está cuidando de negócios.

— Que tipo de negócios? -pergunto.

— Negócios do capitão! —a ave estica as asas— nada para enxeridos.

Levo a mão ao peito de forma exagerada.

— Assim eu fico magoada.

— Não leve para o coração. -ele grasnou.

Eu me recostei em uma corda, o vento balançando os meus cabelos.

— Você que já está aqui há mais tempo, Tunico, o que você já vi? -pergunto.

A ave abre as suas asas.

— Coisa demais para os olhos de um papagaio. -responde.

Então eu verei demais para os olhos de uma bruxa.

A ave alçou voo para ficar em cima do alto mastro, supervisionando para o seu capitão o que acontecia no navio.

E eu decidi ficar ali, não cogitei a ideia de ir no escritório do navio importunar o capitão, eu tinha coisas maiores preenchendo a minha cabeça, como por exemplo, as bruxas, e sentia que estava cada vez mais perto do meu cruel ou não destino.

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