O dia seguinte havia se passado rápido demais, e silenciosamente eu havia me despedido de cada um sem eles perceberem, do meu jeito.
Havia bebido com Red, havia jogado cartas com Erza, havia deixado tudo calmo e confortável.
Vi o Sol nascer com Nihayi, mas Amon... Não vi Amon o dia inteiro e quando perguntei, Red disse que ele havia ido para a cidade perdida, que por algum motivo ele não queria ficar hoje na caverna.
E eu sabia o motivo, eu era o motivo.
— Sei muito bem que eu sou o motivo para o chefe de vocês não estar aqui hoje. -cruzo os braços.
— Amon também tem coisas para fazer, pigmeu. -Red dá um peteleco em meu nariz.
— Ah, justamente hoje?
Mordo a língua, eles não deveriam saber que eu partiria, provavelmente iriam questionar e eu não tinha paciência ou discurso ensaiado para os responder.
— Por que perguntou? Tem algo em especial que deva nos contar? -Erza ergue os olhos.
Red havia me falado que ele é ótimo em descobrir segredos, que conseguia sentir as mentiras e que isso o levava as verdades, e isso era uma arma bastante usada por ele quando precisavam torturar alguém.
E agora Erza me encarava como se eu fosse um delicioso enigma, senti aquele vento gélido arrepiante e uma espécie de medo passear pela sala onde estamos.
Sua essência.
Qualquer criatura das trevas possuí a essência do medo, que faz as suas vítimas congelarem de puro pavor e desespero, puro medo, elas não conseguem se mexer, apenas observar enquanto são multiladas.
Mas aquela essência evacuou completamente quando eu pisquei, aquilo não fazia efeito em mim, porém eu podia sentir a sua tentativa falha.
— Tente miserávelmente, Erza, não vai conseguir me fazer congelar. —o encaro— sou imune.
Ele pisca, pego em flagrante ele me observa de cenho franzido.
— Então você é alguma criatura mágica?
— O que você acha? -o testo.
Suas narinas se mechem quase de forma imperceptível.
— Você tem magia de sobra nas veias, chega a ser muito tentador. -ele disse.
— Tente a sorte. —faço um símbolo com dedos, os cruzando em um W— de onde venho, amamos sangue de sombrios.
Ele sorriu mais amigável e ameaçador do que desinteressado.
— Sabe o que fazemos com bruxas de areia? -ele questiona.
Red se engasga e me encara de sobrancelhas erguidas.
— Ora, ora, você é uma caixinha de surpresas, docinho. -ele disse.
Garras cresceram de minhas unhas e eles bufaram maldições.
Sorri felina.
— Quem quer ser o primeiro? -ronrono.
— O Erza! Ele que provocou. -Red o empurra em minha direção.
— Acha que pode contra mim? -Erza se estica.
— A verdadeira afirmação é, você não pode contra mim. -sorri.
…
Quando a noite caiu eu silenciosamente saí da caverna, já havia montado no cavalo e estava pronta para partir, então eu me lancei no deserto.
O som do galope preenchendo os meus ouvidos em uma sinfonia gloriosa. Junto ao uivo agudo do vento.
O meu cavalo alcança a duna de areia no topo quando ouço um relincho que não vinha dele. Giro meu corpo na cela para ver quem vinha, até que vejo um cavalo conhecido, de pelo azulado e manchas mescladas.
Meus lábios se repuxaram para o lado quando subo o olhar para quem está montado nele. Ele alcançou o topo ao meu lado, os cascos nervosos dos cavalos golpeando a areia.
— Ia embora sem se despedir? -Amon me encara, aqueles olhos lilás cintilando como a noite estrelada do deserto.
Eu inclino a cabeça, o vento sacudindo meus cabelos que se misturavam com o negro da noite.
— Sabe que eu odeio despedidas. -minha voz é levada pelo vento.
Nós fitamos o deserto silencioso.
— Você vai voltar? -ele questiona.
— Eu vou? -ecoo para mim mesma.
Vejo uma estrela cruzar o céu, fecho os olhos e desejo.
— Eu sempre volto. -respondo.
— Eu tenho algo aqui. -ele disse.
Eu encaro Amon e meus olhos desviam para um anel em suas mãos, uma pedra ametista assim como os seus olhos.
— Vai me pedir em casamento? -questiono.
— Não, você não aceitaria e chutaria o meu traseiro. -ele disse.
— Faz sentido. -digo.
— Mas ele é para o dia em que você vai dizer sim. -ele disse.
Eu ergo o olhar para ele.
— Então vai mesmo me pedir em casamento?
— No futuro, se você quiser.
— Dois ladrões desgraçados se casando. —reflito— não duvido nada que você tenha roubado esse anel.
— E eu roubei esse anel.
— Por que não estou surpresa?
Ele bufa um riso, enfiando o anel em seu bolso.
— Para o futuro em que você vai dizer sim, minha querida mèirleach.
Eu aperto as rédeas em minhas mãos e meu cavalo solta um bufar batendo os cascos.
Eu encaro Amon de forma afiada e então disparo duna abaixo, seu cavalo relinchou e ele disparou, ambos correndo lado a lado pelo deserto, ele me encarou com os olhos brilhantes em talvez o que jurei ser um tipo de carinho, talvez a loucura ou a adrenalina do momento me fez jurar que fosse.. amor.
Eu o encaro de volta e puxei as rédeas e ele o mesmo, os cavalos desviaram para lados opostos, ambos seguindo os seus caminhos que poderiam ou não se encontrar de novo.
Dependia da próxima virada de cartas do meu destino.
Não olho para trás, apenas aperto as rédeas e sigo o meu caminho que poderia sim ou não ter uma volta, algo diferente se instalava em meu peito, algo doloroso, essa era tal da dor.
— Então se estiver doendo você vai aguentar. —ordeno para o meu peito, o meu coração que há muito não doía deste jeito— três entram e três saem.
Vejo a estrela Norte brilhando no céu, e a sigo para o meu destino.
Provavelmente a senhora do relógio de todos, a morte.
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Diamantes Do Deserto
FantasyAzaya é uma ladra que vive no reino deserto de Avalor, mas a sua vida de furtos vira de cabeça para baixo quando o Rei a pega roubando suas jóias e a sentencia a morte. Agora para livrar o seu pescoço, Azaya terá que se tornar a ladra do Rei e rouba...
