Capítulo 9

170 30 3
                                        

— O que estamos fazendo aqui? -questiona Amon.

— Quero ver se está tudo em ordem. -falo.

— Exatamente o que estaria em ordem em um teatro abandonado? -ele me encara.

— A minha casa. -dou de ombros.

— Como? -pisca.

Eu o ignoro e subi o grande telhado arredondado do teatro, passando pela fenda camuflada com uma tábua.

Ele me seguiu quando caio de pé... Na minha casa.

— Tenho muitas casas. -digo.

Eu me afasto e ele caiu em seguida.

— É aqui onde você mora? -ele questiona.

— Bem vindo ao meu palácio, vossa graça. -digo em deboche.

Ele revira os olhos para mim e então passa a observar tudo a sua volta.

— Então é daqui que saem suas roupas? -ele deu uma batida com o pé em um baú de fantasias.

— Serviu muito quando eu era criança. —faço careta— as minhas roupas vinham daí até eu começar a roubar tecidos e lojas de trajes.

— Impressionante.

— Nem tanto. —rolo os ombros— não foi fácil. -murmuro.

— Não foi para nenhum de nós.

— Mas pelo menos vocês eram meninos, não foram...

Eu sacudo a cabeça e ele franze o cenho em minha direção.

— Não fomos?

— Deixe para lá. —esfrego meu braço— não vale a pena bater o tapete.

Ele me observa de cima a baixo.

— Já... Já a tocaram? —saiu baixo demais— algum homem... A forçaram? -ele me encara, pude jurar que seus olhos suplicavam para que eu dissesse não.

— Infelizmente eu não sabia me defender. -desvio o olhar. 

Ele virou o rosto.

— Sinto muito.

— Não sente não, até poucas horas queria me matar. -bufo mexendo nos baús.

— Será possível que nunca aceita uma palavra sincera? -ele bufa.

— Me desculpe, não lido com sinceridade. -reviro os olhos.

Ele sacode a cabeça exasperado e me olha.

— Quantos anos você tem?

— É feio perguntar a idade de uma dama. -falo.

— Mas você não é nem de longe uma. -ele rebate.

— E por que não? -devolvo com inocência.

— Damas não roubam e não tem armas, pelo menos as que conheci.

— Tolice, Damas podem muito bem roubar e mulheres podem muito bem portar armas, nós, nós podemos matar se tivermos um belo incentivo. -falo.

— Qual seria o incentivo?

Eu surgi diante dele, muito próxima, próxima o bastante para deixar o homem completamente imóvel e com os olhos vidrados nos meus.

— Qualquer coisa ou qualquer mágoa pode levar uma mulher a matar. —minha voz sai mansa— principalmente as maculadas.

— É mesmo? -ele pergunta muito baixo.

— Uma mulher de coração partido pode ser a pior criatura que já andou sob a terra. —digo— a mulher em si é um ser muito perigoso e de extremo poder, nós podemos conquistar o mundo se assim desejarmos, mas estamos muito ocupadas lutando contra nós mesmas e nossos demônios para nos preocuparmos com pedaços de terra e seres abaixo de nós.

Diamantes Do Deserto Onde histórias criam vida. Descubra agora