— O que estamos fazendo aqui? -questiona Amon.
— Quero ver se está tudo em ordem. -falo.
— Exatamente o que estaria em ordem em um teatro abandonado? -ele me encara.
— A minha casa. -dou de ombros.
— Como? -pisca.
Eu o ignoro e subi o grande telhado arredondado do teatro, passando pela fenda camuflada com uma tábua.
Ele me seguiu quando caio de pé... Na minha casa.
— Tenho muitas casas. -digo.
Eu me afasto e ele caiu em seguida.
— É aqui onde você mora? -ele questiona.
— Bem vindo ao meu palácio, vossa graça. -digo em deboche.
Ele revira os olhos para mim e então passa a observar tudo a sua volta.
— Então é daqui que saem suas roupas? -ele deu uma batida com o pé em um baú de fantasias.
— Serviu muito quando eu era criança. —faço careta— as minhas roupas vinham daí até eu começar a roubar tecidos e lojas de trajes.
— Impressionante.
— Nem tanto. —rolo os ombros— não foi fácil. -murmuro.
— Não foi para nenhum de nós.
— Mas pelo menos vocês eram meninos, não foram...
Eu sacudo a cabeça e ele franze o cenho em minha direção.
— Não fomos?
— Deixe para lá. —esfrego meu braço— não vale a pena bater o tapete.
Ele me observa de cima a baixo.
— Já... Já a tocaram? —saiu baixo demais— algum homem... A forçaram? -ele me encara, pude jurar que seus olhos suplicavam para que eu dissesse não.
— Infelizmente eu não sabia me defender. -desvio o olhar.
Ele virou o rosto.
— Sinto muito.
— Não sente não, até poucas horas queria me matar. -bufo mexendo nos baús.
— Será possível que nunca aceita uma palavra sincera? -ele bufa.
— Me desculpe, não lido com sinceridade. -reviro os olhos.
Ele sacode a cabeça exasperado e me olha.
— Quantos anos você tem?
— É feio perguntar a idade de uma dama. -falo.
— Mas você não é nem de longe uma. -ele rebate.
— E por que não? -devolvo com inocência.
— Damas não roubam e não tem armas, pelo menos as que conheci.
— Tolice, Damas podem muito bem roubar e mulheres podem muito bem portar armas, nós, nós podemos matar se tivermos um belo incentivo. -falo.
— Qual seria o incentivo?
Eu surgi diante dele, muito próxima, próxima o bastante para deixar o homem completamente imóvel e com os olhos vidrados nos meus.
— Qualquer coisa ou qualquer mágoa pode levar uma mulher a matar. —minha voz sai mansa— principalmente as maculadas.
— É mesmo? -ele pergunta muito baixo.
— Uma mulher de coração partido pode ser a pior criatura que já andou sob a terra. —digo— a mulher em si é um ser muito perigoso e de extremo poder, nós podemos conquistar o mundo se assim desejarmos, mas estamos muito ocupadas lutando contra nós mesmas e nossos demônios para nos preocuparmos com pedaços de terra e seres abaixo de nós.
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Diamantes Do Deserto
FantasíaAzaya é uma ladra que vive no reino deserto de Avalor, mas a sua vida de furtos vira de cabeça para baixo quando o Rei a pega roubando suas jóias e a sentencia a morte. Agora para livrar o seu pescoço, Azaya terá que se tornar a ladra do Rei e rouba...
