Capítulo catorze

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Tudo acontece quando tem que acontecer e

 Não adianta mais culpar ninguém 

Só cabe a nós sofrer por nós, chorar 

Compreender, que simplesmente era pra ser assim 

Quadros - Fiduma&Jeca ft. João Carreiro


Novamente estávamos em uma mesma sintonia, é claro que em Leotie eu buscava vistoriar a brincadeira das crianças com Igor respeitando um espaço. Eu tinha três ruivos encrenqueiros em casa e eu jamais poderia trocar uma única risada ainda que me garantissem qualquer premiação.

Vovó Maraísa veio nos  visitar, aproveitando que meu avô aceitou delegar alguns trabalhos na fazenda e seguir as orientações médicas.  Da janela da sala principal eu conseguia observar Maraísa e Álvaro sentados de mãos dadas no balanço.

— Acha que vamos ficar desse jeito um dia?

Olhei para Thamara com um sorriso malicioso:

— Eu tenho certeza que sim — respondi — Você bem que poderia mudar para cá, acho que seria bom construirmos casas pareadas e criar as crianças juntas.

Thamara deu de ombros:

— Nada de crianças por enquanto.

— Isso a preocupa?

Minha irmã do meio balançou a cabeça, mas percebi que estava frustrada com a própria resposta.

— Sabe que em nossa família temos definições diferentes para a maternidade.

— Sim, dona Carolina, eu só fico estressada com o fato dos exames estarem normais. Eu nem sei se Rodolfo quer mesmo ser pai.

— Antes dos filhos sempre nos preocupamos com o compromisso enquanto casal.  Não duvido que Rodolfo sempre quis chamá-la de esposa, Thamara.

— É indiscutível!

Envolvi seu braço direito, puxando-a para perto de mim.

— Estou muito feliz de você tá aqui, ainda sendo a tia favorita das crianças.

Thamara revirou os olhos:

— Fala mais alto e com a Yasmin perto de você.

Estremeci de brincadeira.

— Eu te amo demais, matemática.

— Eu também te amo demais, caçadora, obrigada por me dar os sobrinhos ruivos mais lindos do mundo.

— Ah, quero os meus sobrinhos de olhos azuis e cabelo cacheado.

— Vamos torcer para eu realizar seu pedido, Carol.

Quis continuar o assunto, no entanto, conhecendo minha irmã sabia que não compartilharia mais informações. Voltei meus olhos para o casal de idosos, nem um pouco culpada por flagrar seu momento de namoro com todo decoro.

Será que Igor e eu continuaríamos a olhar apaixonados um para o outro depois de décadas?

Senti um beliscão e uma risada escandalosa de José Pedro.

— Volta aqui, seu matuto! — ralhei, correndo atrás dele.

— Você anda muito ranzinza, mana.

— É mesmo? Deixa só me pedir para te buscar em algum encontro em um desses rodeios, JP.

Ele desdenhou, conseguindo escapar pela porta.

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