Tudo acontece quando tem que acontecer e
Não adianta mais culpar ninguém
Só cabe a nós sofrer por nós, chorar
Compreender, que simplesmente era pra ser assim
Quadros - Fiduma&Jeca ft. João Carreiro
Novamente estávamos em uma mesma sintonia, é claro que em Leotie eu buscava vistoriar a brincadeira das crianças com Igor respeitando um espaço. Eu tinha três ruivos encrenqueiros em casa e eu jamais poderia trocar uma única risada ainda que me garantissem qualquer premiação.
Vovó Maraísa veio nos visitar, aproveitando que meu avô aceitou delegar alguns trabalhos na fazenda e seguir as orientações médicas. Da janela da sala principal eu conseguia observar Maraísa e Álvaro sentados de mãos dadas no balanço.
— Acha que vamos ficar desse jeito um dia?
Olhei para Thamara com um sorriso malicioso:
— Eu tenho certeza que sim — respondi — Você bem que poderia mudar para cá, acho que seria bom construirmos casas pareadas e criar as crianças juntas.
Thamara deu de ombros:
— Nada de crianças por enquanto.
— Isso a preocupa?
Minha irmã do meio balançou a cabeça, mas percebi que estava frustrada com a própria resposta.
— Sabe que em nossa família temos definições diferentes para a maternidade.
— Sim, dona Carolina, eu só fico estressada com o fato dos exames estarem normais. Eu nem sei se Rodolfo quer mesmo ser pai.
— Antes dos filhos sempre nos preocupamos com o compromisso enquanto casal. Não duvido que Rodolfo sempre quis chamá-la de esposa, Thamara.
— É indiscutível!
Envolvi seu braço direito, puxando-a para perto de mim.
— Estou muito feliz de você tá aqui, ainda sendo a tia favorita das crianças.
Thamara revirou os olhos:
— Fala mais alto e com a Yasmin perto de você.
Estremeci de brincadeira.
— Eu te amo demais, matemática.
— Eu também te amo demais, caçadora, obrigada por me dar os sobrinhos ruivos mais lindos do mundo.
— Ah, quero os meus sobrinhos de olhos azuis e cabelo cacheado.
— Vamos torcer para eu realizar seu pedido, Carol.
Quis continuar o assunto, no entanto, conhecendo minha irmã sabia que não compartilharia mais informações. Voltei meus olhos para o casal de idosos, nem um pouco culpada por flagrar seu momento de namoro com todo decoro.
Será que Igor e eu continuaríamos a olhar apaixonados um para o outro depois de décadas?
Senti um beliscão e uma risada escandalosa de José Pedro.
— Volta aqui, seu matuto! — ralhei, correndo atrás dele.
— Você anda muito ranzinza, mana.
— É mesmo? Deixa só me pedir para te buscar em algum encontro em um desses rodeios, JP.
Ele desdenhou, conseguindo escapar pela porta.
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Em Um Som
RomantikCarolina Moura Souza assoprou sua vela de quarenta e cinco anos. Ela detestava envelhecer, detestava ser descrita como a filha mais velha e serena, principalmente quando sentia dentro de si um vulcão escondido. E esse era o problema; a mata ao red...
