Vou esperar amanhecer
E de novo, outra chance
E dividir meus sonhos com você
Mil desejos, fantasias
No tempo certo para acontecer, pra acontecer
Tempo Certo - Henrique e Diego
Experimentei mais uma colher do doce de leite, lutando para fechar a geladeira novamente quando eu desejava terminar com o pote de doce. Essa era uma das razões para não trazer os agrados de vovó.
— Oi, mãe.
Aceitei o beijo na cabeça de Augusto, eu sabia que já era tarde, mas metade da semana tinha se passado, finalmente os relatórios dos pacientes foram anexados aos prontuários e eu tinha novos compromissos profissionais que envolviam viagens.
— O que tem de tão bom aí?
Arqueei as sobrancelhas quando Emanuel entrou na cozinha.
—Vocês parecem empolgados — retruquei, prestando atenção a roupa do meu namorado.
— O Cruzeiro ganhou, foi um jogão — meu filho respondeu, oferecendo água.
— Ah, futebol.
Juro que busquei toda paciência materna para entender os passes, dribles, nomes dos jogadores e até fingir concordar com a revolta por um ou outro cartão amarelo.
— Acho que sua mãe ganhou informações importantes sobre o jogo.
Envolvi a cintura de Emanuel e aceitei seu beijo, enquanto Augusto dizia que ia mandar um trabalho ao grupo da faculdade.
— Tenho certeza que se divertiram.
— Teria sido fascinante, Carolina, se você estivesse comigo.
Enruguei o nariz com a visão da minha pessoa em uma arquibancada. Poderíamos concordar em muitas coisas, exceto futebol, eu não tinha qualquer interesse pela causa, não.
— Eu prefiro um rodeio.
Emanuel e eu tínhamos buscado nos conhecer melhor e nesse percurso ríamos, ás vezes, constrangidos, mas era esperado que alguns hobbies e interesses nos lembrassem do passado.
Meu amor por saltos era uma satisfação comum para sua ex esposa. Também era um dos meus momentos com Lara e Amanda. E Augusto tinha finalmente me mostrado que o contador/ gerente da fazenda já era um parceiro de jogos desde que nos mudamos para Belo Horizonte.
Girei meu corpo para aprofundar o beijo.
— Tio Emanuel, já ia mesmo ligar — a voz de Amanda era empolgante — Pensou naquela viagem?
Fiz um bico, enquanto meu namorado se virava para encarar as duas jovens, não era para ser mais fácil depois que as crianças cresciam? Franzi o cenho e encostei a cabeça em suas costas, eu não queria me tornar alvo delas também sobre essa viagem internacional.
— É mesmo, pai, precisamos da resposta logo. Ainda mais que Fábio e eu decidimos namorar.
Ter uma noitada com esse trio e seus respectivos namorados foi uma grata surpresa. No primeiro momento foi estranho pedir uma mesa e observar nossos filhos e seus amores da juventude, ou talvez, para o todo sempre. Depois das apresentações formais, que na verdade se concentraram em Lara e Fábio, foi especial entender que eu tinha criado filhos incríveis.
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Em Um Som
RomanceCarolina Moura Souza assoprou sua vela de quarenta e cinco anos. Ela detestava envelhecer, detestava ser descrita como a filha mais velha e serena, principalmente quando sentia dentro de si um vulcão escondido. E esse era o problema; a mata ao red...
