Capítulo dezenove

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Vou esperar amanhecer 

E de novo, outra chance 

E dividir meus sonhos com você 

Mil desejos, fantasias 

No tempo certo para acontecer, pra acontecer

Tempo Certo - Henrique e Diego


Experimentei mais uma colher do doce de leite, lutando para fechar a geladeira novamente quando eu desejava terminar com o pote de doce. Essa era uma das razões para não trazer os agrados de vovó.

— Oi, mãe.

Aceitei o beijo na cabeça de Augusto, eu sabia que já era tarde, mas metade da semana tinha se passado, finalmente os relatórios dos pacientes foram anexados aos prontuários e eu tinha novos compromissos profissionais que envolviam viagens.

— O que tem de tão bom aí?

Arqueei as sobrancelhas quando Emanuel entrou na cozinha.

—Vocês parecem empolgados — retruquei, prestando atenção a roupa do meu namorado.

— O Cruzeiro ganhou, foi um jogão — meu filho respondeu, oferecendo água.

— Ah, futebol.

Juro que busquei toda paciência materna para entender os passes, dribles, nomes dos jogadores e até fingir concordar com a revolta por um ou outro cartão amarelo.

— Acho que sua mãe ganhou informações importantes sobre o jogo.

Envolvi a cintura de Emanuel e aceitei seu beijo, enquanto Augusto dizia que ia mandar um trabalho ao grupo da faculdade.

— Tenho certeza que se divertiram.

— Teria sido fascinante, Carolina, se você estivesse comigo.

Enruguei o nariz com a visão da minha pessoa em uma arquibancada. Poderíamos concordar em muitas coisas, exceto futebol, eu não tinha qualquer interesse pela causa, não.

— Eu prefiro um rodeio.

Emanuel e eu tínhamos buscado nos conhecer melhor e nesse percurso ríamos, ás vezes, constrangidos, mas era esperado que alguns hobbies e interesses nos lembrassem do passado.

Meu amor por saltos era uma satisfação comum para sua ex esposa. Também era um dos meus momentos com Lara e Amanda. E Augusto tinha finalmente me mostrado que o contador/ gerente da fazenda já era um parceiro de jogos desde que nos mudamos para Belo Horizonte.

Girei meu corpo para aprofundar o beijo.

— Tio Emanuel, já ia mesmo ligar — a voz de Amanda era empolgante — Pensou naquela viagem?

Fiz um bico, enquanto meu namorado se virava para encarar as duas jovens, não era para ser mais fácil depois que as crianças cresciam? Franzi o cenho e encostei a cabeça em suas costas, eu não queria me tornar alvo delas também sobre essa viagem internacional.

— É mesmo, pai, precisamos da resposta logo. Ainda mais que Fábio e eu decidimos namorar.

Ter uma noitada com esse trio e seus respectivos namorados foi uma grata surpresa. No primeiro momento foi estranho pedir uma mesa e observar nossos filhos e seus amores da juventude, ou talvez, para o todo sempre. Depois das apresentações formais, que na verdade se concentraram em Lara e Fábio, foi especial entender que eu tinha criado filhos incríveis.

Em Um SomOnde histórias criam vida. Descubra agora