O ponteiro do relógio pareceu correr nas últimas horas, eu não conseguia ter uma visão clara do que Emanuel sentia com a novidade de Lara, minha mente resgatando nossa conversa após o incidente com seu ex-namorado.
Eu sabia que ele não negaria um abraço de conforto ou palavras acolhedoras, mas esperava que ele fosse sincero sobre os próprios medos. Ao mesmo tempo eu já imaginava o quanto essa criança seria bem recebida em nossa família.
Coloquei meus braços envolta do corpo de Emanuel, o quarto estava breu.
— Não posso dizer que foram irresponsáveis.
Encostei minha bochecha em seu corpo, feliz por dissipar qualquer situação dramática.
— Não mesmo.
Senti seus lábios encostarem em minha testa.
— Eles parecem realizados com a gravidez, Carol.
Realmente meu sobrinho demonstrava que realizava um de seus sonhos e o olhar para Lara era tão íntimo e amoroso, como uma verdadeira pessoa apaixonada. Mas, confesso que foram suas palavras decididas e com a promessa de estar ao lado dela que me permitiam ter fé.
Emanuel respirou fundo:
— Nós vamos ser avós.
Sorri o mais largo que consegui.
— Pessoas essenciais na rede de apoio deles.
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Arregalei os olhos quando abri a porta e encontrei Lara. Eu havia marcado com dona Bianca para terminar os preparativos da mudança de Augusto e também os detalhes do intercâmbio de Amanda, embora minha filha declarasse que minha ajuda era desnecessária.
— Ei! Bom dia.
Lara segurava a alça da bolsa com força, seu sorriso era contido.
— Oi, tia Carol, posso entrar?
— Claro! — afastei para o lado, confirmando que ela estava sozinha — Seu pai teve que sair mais cedo. Você precisa de alguma coisa?
Lara passou a mão pelo cabelo, que ainda se mostrava molhado, a escolha da roupa também demonstrava que tinha saído com pressa.
— Eu...
— Quer conversar? — indiquei o sofá e esperei que se acomodasse enquanto eu buscava duas xícaras de chá.
Minha enteada tinha retirado os tênis e cruzado as pernas sobre o sofá, abraçada a almofada. Seus olhos evidenciavam a inquietação, Lara balançou a cabeça em negativa para a bebida quente, mas deixei na mesinha a sua frente.
— Eu sei que não é nenhuma gravidez na adolescência, tanto eu como o Fábio temos famílias com boa condição financeira.
Também me sentei confortável na poltrona e passei a refletir sua confissão. Eu não esperava ser a pessoa escolhida para compartilhar suas preocupações.
— Você se preocupa porque não foi desse jeito que imaginou ter um filho.
Lara apertou mais a almofada e bufou:
— Quando meus pais se separaram sofri demais, tia Carol — sua voz demonstrava sua tristeza pelas lembranças — Por um tempo esperei mesmo que voltassem a ficar juntos. Mamãe foi a primeira a tentar um novo casamento e fez muito bem a ela, ganhei mais um irmão. Só que eu prometi a mim que não passaria por isso.
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Em Um Som
CintaCarolina Moura Souza assoprou sua vela de quarenta e cinco anos. Ela detestava envelhecer, detestava ser descrita como a filha mais velha e serena, principalmente quando sentia dentro de si um vulcão escondido. E esse era o problema; a mata ao red...
