Cinza e branco

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  Chegamos em Cabo Verde em um clima totalmente diferente da qual saímos de Enseada Rubra. Parecíamos agora realmente um só casal.

Acontece que depois da noite entre Cai e Daniel, as coisas ficaram mais fáceis, Daniel ficou mais afável e achei que a conversa entre nós dois e a disposição de fazer funcionar, tiveram frutos. O primeiro passo foi todos dormirem juntos na imensa cama que tinha espaço, e sim ela nos cabia tranquilamente. Primeiramente só dormir, na noite seguinte se entregar de maneira mais plena aos braços um dos outros. Daniel, diferente de Cai, era um amante mais tátil, quase carinhoso e fazer amor com ele era uma experiência única, naquela noite, duas depois da nossa conversa, ele fez amor comigo e com Jeff como se tivesse em mãos não só dois amantes, mas duas pessoas das quais ele tinha realmente sentimentos. Como eu disse tudo o que ele precisava era se libertar do peso da sombra da maldita maldição e parece que ele tinha finalmente encontrado o caminho.

Já entre mim e Jeff era outra experiência igualmente única, mas distinta. Jeff era experiente, ele sabia jogar como Cai fazia, ele gostava de provocar com palavras picantes ao ouvido, ele gostava de atrasar o prazer até o ponto da alucinação e nos braços dele eu só sabia gemer mesmo, mas o resultado de tudo aquilo foi que ao chegarmos no arquipélago português, estávamos efetivamente juntos, unidos, imersos na sensação e na certeza de sermos um só casal.

E eu estava visivelmente mais gordinho; o que Jeff tinha percebido e ficado outra vez estressado, claro, afinal era um homem grávido e não uma mulher.

De todo modo enquanto Daniel saiu com as meninas para reabastecer o iate e Cai aproveitou a internet em terra que tinha mais velocidade e qualidade para colocar o trabalho em dia, eu e Jeff dissemos que íamos dar um volta na cidade portuária, mas corremos para a primeira farmácia que vimos mesmo. Depois fomos para um restaurante e enquanto Jeff pedia um lanche, eu ia para o banheiro e alguns minutos depois eu voltava com o resultado do exame:

— E então?

— Positivo.

Falei baixinho colocando a bolsa de canto e com o resultado dentro protegido por um envelope. Jeff ficou um pouco mais pálido e fechou os olhos.

Eu sabia que não podia dizer toda a verdade para nenhum deles, havia coisas que não tinham explicação e as que tinham era completamente sobrenatural. A mística do que era meu corpo em determinados pontos do ano, que eu podia falar com espíritos que ainda não reencarnaram e que estava indo atrás também de um outro homem que era igual a mim, mas que diferente de mim podia fazer o meu parto porque era de uma linhagem de parteiras mágicas... Bem, simplesmente não podia dizer tudo daquela forma, até porque eu não sabia completamente de todos os pormenores, ou seja, como seria essa gravidez? Como seria o parto, onde seria?

Se eu fosse para um hospital normal eu com certeza seria pego e levado para algum laboratório...

Não dava absolutamente para ser leviano sobre aquele assunto.

Ou fazer coisas impensadas, por isso eu deixei de lado minha natureza claramente reativa e apressada e estiquei minhas mãos cobrindo as do Jeff sobre a mesa:

— Você confia em mim?

— Claro que confio.

— Então fique calmo e me ouça. Vai dar tudo certo, mas eu não posso de maneira alguma ir para algum hospital comum ou falar com algum médico sobre isso, você entende os perigos, certo?

— Foi a primeira coisa em que pensei, baby.

— Mas eu sei que vai dar certo porque temos lendas sobre isso. Junji...

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