Entrei na casa que por séculos foi da minha família e não senti nada de especial, na verdade. O que pensei ser bem curioso devido ao fato de que nem estava há tanto tempo longe de 'casa' assim.
Daniel entrou comigo enquanto as duas "Bs" ficaram lá fora e estava uma noite fresca e gostosa para passear por aí, por isso eu sabia que havia possibilidades de toparmos com alguém pelas redondezas, assim eu tinha consciência que não podia demorar muito. Daniel ficou um pouco espantado com a suntuosidade da casa e eu acabei rindo enquanto subíamos para meu quarto antigo:
— Minha bisavô gostava de espaço, ela ampliou a residência.
— É bem elegante... E grande.
— Verdade. Ao longe durante o dia parece um pequeno castelo no alto do morro. Uma beleza...
— Você vai sentir falta daqui?
— Acabei de perceber que realmente não vou. O que é curioso – Atravessamos o corredor e entramos no meu antigo quarto e tudo estava exatamente igual, como se nenhum dia tivesse passado. Suspirei... Era um pouco estranho mesmo... – Dani, por favor, no quarto do fundo tem um armário com malas, as duas peroladas são as minhas, poderia pegar por favor enquanto eu vou reunindo o que preciso?
— Tenha cuidado.
Ele disse antes de sair e eu assenti abrindo as janelas, mas evitando de acender as luzes para não chamar a atenção; fui para meu guarda-roupas e abri a porta do meio para pegar a caixinha antiga de música da minha avó. Aquela era uma lembrança querida que eu não pretendia abandonar. Coloquei ela sobre a cama e senti tarde demais uma mão cobrir a minha boca com a agilidade que só um homem na Terra teria...
— Alguém aqui está se esquecendo dos ensinamentos, não é mesmo Ddunit... Quando passou a deixar alguém te surpreender tão fácil?
— Dassin! – Disse animado me virando para ele e logo me dando conta que não devia fazê-lo porque... Bem, eu agora tinha barriga e os olhos podiam não ver, contudo o corpo sentia. Ele deixou cair o sorriso para tocar com uma das mãos minha barriga com cuidado e então arregalar um pouco os olhos – Não pode ser, por Alá! Eu tenho certeza de que você é homem, Ddunit...
Foi a minha vez de curvar para ele e cutucar sua cintura com amabilidade:
— Eu sou e eu posso engravidar. Lembra do meu sangue sereia?
— Isso não era lenda?
— Não mesmo, descobri de um jeito bem louco, agora você me deve parabéns, homem cético!
— Nem vou perguntar como isso é possível... – Ele resmungou balançando a cabeça e depois se ajoelhando e olhando para a minha barriga com reverência – Que milagre insano mais lindinho! Eu sabia que você era mesmo capaz de coisas únicas.
— Eu sou mesmo! – Disse com tom jocoso antes de puxá-lo para cima – Mas me diga, o que aconteceu com o estrupício?
Ele cruzou os braços e sorriu de canto, como estávamos na meia luz eu via mais o brilho dos olhos mortais e o sorriso animado:
— Tudo limpo, nada a se preocupar. Mas as autoridades pensam que vocês dois fugiram no avião e isolaram a casa para espera, pelas leis em um ano se vocês não a reivindicarem, pode ir a leilão, o que pretende fazer? E mudando de assunto quem é o grandão?
— Um dos meus maridos, eu me casei com três. Quer dizer, ainda vou me casar oficialmente, sabia que na cidade deles e meio que é um micro país independente é possível e legal um casamento poli?
— Tenho meia dúzia de amigos que ficariam animadinhos com essa notícia.
— Pois é verdade.
— E você como uma sereia devoradora pegou logo três!
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Cobiçado
RomanceEle caiu do céu direto para uma terra desconhecida e se tornou alvo dos três melhores partidos da cidade. Ele não sabe quem é, mas na cama dos três demônios ele nem vai precisar pensar nisso por muito tempo... A caçada ao anjo começou e quem ganhará...