Entre Leões

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Depois de cumprimentar o primo e garantir que estava bem, Paulina parou em frente à Mamoru, que por sua vez a olhou com insegurança. Sorriu, a outra correspondeu e, sem qualquer palavra, se abraçaram.

— Desculpe-me! — Tábata pediu baixinho, ainda a apertando.

— Eu que peço desculpas! — retrucou com voz embargada. — Você tinha razão.

— Eu não tinha o direito de interferir.

— Você é minha amiga. O que quiser dizer pode fazê-lo sem medo. — Paulina declarou, afastando-se para olhá-la nos olhos e garantir: — Mesmo que eu não concorde, juro que escutarei, e não voltarei a tratá-la daquele jeito.

Voltaram a se abraçar emocionadas.

— Perdi alguma coisa? — Guilherme perguntou, embalando uma curiosa Lean, que olhava tudo ao seu redor, uma mão rechonchuda agarrada à camiseta do Perez.

— Não. Está tudo bem agora. — Tábata respondeu sorrindo.

Paulina passou as horas seguintes conversando com Tábata, colocando a conversa em dia, embora ocultasse tudo a respeito de sua nova dinâmica com o Salvatore. Algumas vezes olhava na direção de Simon e, como se pressentisse seu olhar, ele correspondia com um gesto discreto.

— Tive medo de vir... — confidenciou Tábata, sentada ao seu lado em uma das mesas espalhadas longe da piscina. — Guilherme não ajudou muito, dizendo que eu seria um "cordeirinho entre leões". E falou que quem mandava aqui era a "leoa mãe" que tentaria me jogar para os braços do Simon. Um exagero.

— Nem tanto... — Paulina retrucou tomando um gole de suco de laranja, os olhos indo em direção ao Salvatore. — Dona Mirela costuma oferecer o Simon para as mulheres solteiras.

— Não sei por qual motivo. Qualquer um percebe que ele já elegeu a mulher que quer.

— Elegeu? — a morena perguntou, sem entender.

— Claro! — Tábata abriu um sorriso amplo e olhou para o outro lado da piscina. — Ele não tira os olhos dela desde que cheguei.

— Ela está aqui? Onde? — Olhou para Simon, que conversava com Iolanda, e teve um *insight. — Acha mesmo... que a mulher que ele ama é...? — Levou à mão a garganta sentindo-a seca.

— É óbvio! — Tábata riu, batendo de leve na mão da amiga, pousada na mesa. — Nossa Lina, você é muito fofa e inocente!

Guilherme chamou Tábata para dar de mamar para Lean, que se contorcia no colo dele, e Paulina ficou sozinha na mesa. Paralisada de choque, olhava de Simon para Iolanda, observando o modo que ele sorria para a cunhada, nas atitudes carinhosas e gentis que ele reservava exclusivamente a cunhada, ligando os fatos. Como não percebera isso antes? Era lógico!

Iolanda era a mulher por quem Simon fora apaixonado e escolhera outro. Os dois tinham trabalhado juntos no projeto do prédio em que ele morava agora. Ele se mudara da mansão logo após o casamento dela com Alessandro. Provavelmente fugindo da felicidade do irmão e de Iolanda, pois estava previsto que, depois de casados, eles morariam no condomínio, à poucas casas de distância da mansão.

Balançou a cabeça e sorriu. Não, aquela era uma ideia ridícula! Tábata estava confundindo a situação...

— Sua relação com o Simon melhorou... — comentou Paola ao colocar um prato de salgado em frente à irmã.

— Sim — confirmou com um sorriso doce direcionado ao Salvatore.

Sorriso que morreu ao ver Simon afastar uma mecha de cabelo da face de Iolanda e dizer algo que a fez rir. Ele sempre tivera esse cuidado com a cunhada. E agora a ideia de Tábata já não parecia mais tão ridícula assim.

— Percebi um clima quando estavam no jardim. Na verdade, o dia todo.

— Clima? — Paulina encarou a irmã em alerta.

— Vocês são péssimos em disfarçar... — a mais nova disse, encaixando ambas as mãos na cintura fina. — Se é que estão tentando.

— N-não estou... Não diga bo-bobagens...

— Não precisa se envergonhar. Simon é irresistível! — disse Paola, empurrando o cabelo molhado para longe do rosto e sorrindo encorajadora. — Eu também o agarraria quando ninguém estivesse vendo, se tivesse oportunidade.

— Eu tenho um noivo! — Paulina recordou exaltada, querendo que a irmã tirasse aquela conclusão da cabeça.

— Nathaniel é um babaca, que graças a Deus tomou vergonha na cara e terminou esse compromisso estúpido. — A mais nova deixou o sorriso morrer, fulminando-a com o olhar.

Paulina empalideceu, surpresa com o ataque e a transformação no rosto da irmã. Sabia que há algum tempo Paola nutria raiva do Muller, mas era a primeira vez que a irmã o insultava abertamente desde o almoço de noivado.

— E-eu... A-amo o Nathaniel — Paulina balbuciou, nervosa.

— Ama mesmo? — Sem esperar resposta Paola se afastou, deixando Paulina sem chão com suas suposições.

~S2~

Quando Simon a chamou para ir embora já passavam das cinco da tarde e estava cansada de observá-lo paquerando Iolanda tão descaradamente. Se ele a amava tanto, porque não lutou? Tivera milhões de oportunidade de conquistá-la durante os meses que trabalharam juntos.

Paulina decidiu que não faria o mesmo. Ela se esforçaria o dobro para reconquistar Nathaniel, ao invés de se contentar com migalhas do relacionamento dele com outra. Provaria a Paola e a Simon que seu amor era forte e triunfaria apesar das dificuldades.

— Algum problema? — Simon perguntou ao caminharem até a garagem da mansão.

— Não... — ela ergueu a cabeça e encontrou o olhar preocupado dele.

— Tem certeza? Você não parece bem.

Ele tentou tocar seu rosto e Paulina se afastou, preocupada que a irmã visse e fizesse mais suposições equivocadas, deixando-o com a mão suspensa no ar e a expressão sombria.

— Estou ótima... Não se preocupe...

Em silêncio entraram no carro e Simon manobrou para fora da garagem. Paulina virou-se para a janela do seu lado, observando as casas enormes, os jardins floridos e as poucas pessoas andando nas calçadas.

— Pelo jeito Nathaniel conseguiu convencer Cherry a perdoá-lo.

O comentário de Simon fez Paulina voltar-se para a janela do lado dele. O carro seguia devagar, o suficiente para que a Perez visse Cherry em frente à porta dos Muller, recebendo o abraço de Carlota enquanto Nathaniel ficava ao seu lado, os lábios esticados em um de seus sorrisos enormes de satisfação.



Insight: Iluminação; revelação ou visão inesperada e repentina de alguma coisa.

Ensina-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora