Era uma anomalia temporária, culpa da ansiedade, do suspense que Simon implantara com sua promessa na noite anterior e a tensão de fingir ser amante dele. Só isso explicava o frio na barriga, que girava em seu estomago antes de descer em forma de calor até sua virilha, a euforia de seu coração e aquela estranha vontade de sorrir quando o viu entrar na cozinha.
Vestindo calça moletom cinza e camiseta azul com estampa abstrata na cor preta, Simon sentou ao seu lado, seu sorriso de canto deixando-a desconfiada. Aquele era um sinal de perigo, embora não o temesse tanto como dias antes, só aumentava todas aquelas sensações esquisitas, sendo que antes das aulas só o primeiro sintoma a atingia.
— Atendendo seu pedido, treinaremos as etapas de flerte e conquista — ele disse, esticando as mãos para a xícara e a garrafa de café que Paulina colocara sobre a bancada. Serviu-se do líquido quente, rejeitando o prato com bolachas pousado a sua frente. — Ensinarei como atrair com um toque, ou menos que isso — informou entre os goles de sua bebida.
Ajeitando o vestido florido acima dos joelhos antes de pousar as mãos no colo, Paulina o encarou desconfiada e parcialmente desapontada. Apesar de o pedido ser seu, esperava pela promessa da noite anterior. Estava curiosa com o que significaria.
— Suponhamos que você encontre Nathaniel em um... bar.
— Não vou a bares... — comentou, sendo rapidamente interrompida por Simon.
— Eu disse "suponhamos".
— Ok! — Assentiu tamborilando os dedos na bancada, tentando imaginar o quadro, mas sem conseguir. Nathaniel nunca a chamara para um bar, tampouco entrara em um para conseguir visualizar algo do tipo, só tinha versões cinematográficas para se guiar.
— Primeiro — Simon segurou a lateral da banqueta giratória ocupada pela Perez e a moveu, de modo que ficassem de frente —, seu corpo deve ficar voltado para ele em sinal de interesse e, de preferência, seus olhos focados nele, não na bancada. A aproximação, normalmente, começa com a troca de olhares. Pode ser sutil no principio e, gradativamente, se fixar no seu alvo — explicou, os olhos negros fixos nos de Paulina, que se esforçava para não desviar os seus. — O homem não consegue disfarçar o interesse, se ele olhar muito para você, seguir cada gesto, está conquistado. Corresponda para demonstrar que o quer e logo ele dará um jeito de se aproximar.
— Entendi... — disse sentindo o rosto em chamas por ser alvo dos olhos do Salvatore.
— Você fica linda corada — Simon comentou deslizando o dorso da mão pela face da governanta.
— Vo-você já... di-disse isso... antes... — gaguejou hipnotizada pela junção do olhar penetrante de Simon com seu toque carinhoso.
— Então deve ser verdade — ele sussurrou deslizando o polegar pelo carnudo lábio inferior dela sem quebrar o contato visual. — O próximo passo é o toque. Sutil, no braço, na mão, no rosto e, se ele se sentir confortável, perceber que você também tem interesse, tentara tocar seu joelho ou coxa. — Ele colocou a mão em seu joelho e acariciou a pele nua com suavidade, causando arrepios e o frio misturado com calor que começava no estomago e se alastrava pelo corpo de Paulina. — Ele vai afastar qualquer coisa entre vocês e se aproximará cada vez mais — murmurou, inclinando-se para perto dela. — Se não quiser, imponha distância colocando algo entre vocês, pode ser cruzando os braços, uma bolsa no colo ou posicionando os joelhos entre vocês.
O coração de Paulina acelerou e seus lábios formigavam em expectativa. O treino de flerte e conquista surtia um efeito abrasador sobre seu corpo, aumentando seu desejo de praticar mais beijos e carícias.
— Para corresponder, incline o corpo em direção a ele — instruiu. Paulina fez exatamente isso, mas Simon a surpreendeu ao afastar as mãos e endireitar o corpo na banqueta. — Se tiver interesse é só se aproximar.
Simon sustentava um sorrisinho desafiador. Paulina lia na expressão dele que duvidava da capacidade dela em aceitar a provocação. Ela também duvidava, mas se forçou a cobrir a mão dele, pousada na bancada, com a sua. O sorriso persistia, incitando Paulina a mostrar que era capaz.
— Assim? — perguntou acariciando os dedos dele e depois o pulso.
Simon segurou sua mão e a levou a própria coxa.
— Assim — indicou acariciando a mão em sua coxa. — Quanto menor a distância melhor.
Paulina se equilibrou na beira da banqueta, sua mão livre pousando na outra coxa do Salvatore, inclinando-se para frente, oferecendo seus lábios aos dele.
Ficou extasiada quando Simon levou uma mão ao seu pescoço, acariciando devagar, subindo os dedos até sua nuca e emaranhando-os ao seu cabelo. Seus rostos estavam próximos e seus narizes se tocaram. Suspirou audivelmente quando Simon esfregou a ponta do nariz no dela, o coração palpitante ansiando o momento em que se beijariam.
Queria que ele a abraçasse e acariciasse como no dia anterior, queria ser envolvida no calor do corpo dele e aprender como corresponder a cada toque que recebia. Mas Simon não parecia ansiar pelo mesmo, preferindo tortura-la com a demora, roçando sua bochecha na dela, os lábios passando a centímetros dos seus, só o hálito de café tocando-os, a carícia em sua nuca seguindo cadenciada.
Pressentia que Simon continuava a desafia-la a tomar a iniciativa, descrendo que ela seguiria em frente sem os avanços dele, zombando de sua competência em ser espontânea e sensual.
Inconformada com a afronta, Paulina apertou os dedos nas coxas masculinas, decidindo que provaria para Simon, Nathaniel e qualquer um que a taxasse de fria e sem personalidade que estavam errados.
Descendo da banqueta, aproximou-se mais, posicionando-se entre as pernas de Simon, ficando na ponta dos pés para erguer seus braços e enlaça-lo pelo pescoço. Ele a encarou com surpresa, mas não se opôs e nem se afastou quando ela se apertou contra ele, roçando seus lábios nos dele, movendo-os de forma leve e sedutora da forma que se lembrava do primeiro beijo que trocaram. A anomalia voltou a se manifestar com força. Ondas de corrente elétrica arrepiarem sua pele, calor e frio revoando em sua barriga como pequenas borboletas alvoroçadas, o coração acelerado distribuía por suas veias chamas que desciam intensas até sua feminilidade pulsante, deixando-a tonta de desejo em descobrir todos os segredos e truques de Simon Salvatore.
Querendo que Simon sentisse as mesmas emoções que a dominava, Paulina deslizou a língua pelos lábios masculinos, sorrindo quando um gemido estremeceu o peito do Salvatore e o controle dele esvaiu-se. Arrebatado, Simon a envolveu com os braços, as mãos fortes percorrendo suas costas, cravando os dedos em seu pescoço e cabelo, os lábios descendo impetuosos por todo o rosto de Paulina, enquanto agarrava sua cintura e a erguia, fazendo-a sentar na bancada.
Vagamente Paulina ouviu algo quebrar, mas estava ocupada demais sendo beijada e acariciada por um experiente e inveterado sedutor para se importar. Entregue as sensações, envolveu as pernas em torno dele, mergulhando os dedos nos fios negros para puxa-lo para si, o pescoço inclinado suplicando pelos lábios dele.
Estremeceu ao sentir a mão que estava em sua cintura mover-se para baixo de seu vestido de encontro a sua calcinha.
— Você é viciante — Simon murmurou com voz abafada pelos beijos que distribuía pelo pescoço e colo dela, enquanto seus dedos introduziam-se na peça íntima para acariciar o sexo feminino latejante. — Deliciosa... Tentadora...
Os beijos e cariciais só pausaram quando Paulina, encorajada pelo arrebatamento, puxou a camiseta dele para cima, retirando-a e jogando longe. Deslizou as mãos pelo abdômen musculoso, descendo até a calça de moletom. Com a evidente excitação de Simon contra sua pélvis, e os dedos dele acariciando sua intimidade, a curiosidade palpitou com força, incitando suas mãos a circularem em torno cós da calça.
— Simon... me ensine... a tocar... — pediu arfando.
— Já estou fazendo isso — ele afirmou encarando os olhos desejosos da Perez —, ou é esse tipo de toque que quer aprender? — Seus dedos deslizaram pelo sexo úmido e quente, arrancando um gemido profundo.
— Sim... esse...
Para surpresa e desapontamento de Paulina, ele cessou a carícia, mas o que disse a seguir reavivou a luxúria que percorria cada fibra de seu ser.
— Como queira, amor — encaixando um braço embaixo dela e outro em suas costas, Simon a carregou no colo para fora da cozinha. — Escandalizamos o suficiente no bar.
Era um comentário idiota, mas Paulina riu, escondendo o rosto no pescoço do Salvatore.
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Ensina-me
Romance+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
