Simon alugou bicicletas para ela e ele e seguiram os amigos devagar pelo parque. Majin seguia ao lado de Thiago, preso na bicicleta dele com um extensor de metal preso na guia. Em poucos minutos chegaram a uma área em que várias pessoas estavam sentadas sobre toalhas ou direto no gramado, conversando, lendo, comendo ou namorando.
Henrique pegou uma toalha quadriculada da mochila que carregava e estendeu no chão, Simon e Thiago retiraram alimentos e Paulina os ajudou a ajeitar tudo. Sentaram, Henrique, Thiago e Majin de um lado, Simon e ela do outro e comeram enquanto conversavam. Na verdade, ela e Thiago conversavam, os outros dois contribuíam com algumas frases ocasionais.
Paulina descobriu que Thiago e Henrique se conheciam da faculdade de educação física; moravam a poucos minutos do parque; que as bicicletas não eram alugadas e eles as utilizavam como meio de transporte diário, pois preferiam a liberdade e a mobilidade das bikes à sensação claustrofóbica dos meios automobilísticos fechados.
A tatuagem no braço dele era uma homenagem ao primeiro cachorro que teve, o pai de Majin, que tivera o mesmo nome que seu sucessor; os ideogramas embaixo da figura era o nome Majin escrito em kanji japônes. Thiago se gabou de, apesar de menor, era o mais velho dos dois, portanto Henrique tinha de respeita-lo e fazer tudo que ele pedia. Ao que o Saldanha bufou, dizendo que se seguisse tudo o que Thiago pedia estaria morando em um pardieiro cheio de cães.
— Por isso estou com um cara terrivelmente organizado.
Paulina observou intrigada Thiago abraçar os ombros de Henrique e beija-lo no rosto, espalhando duas manchas rosadas se formarem nas maçãs do rosto do Saldanha, que ajeitou os ovais óculos escuros desconcertado.
Quando terminaram o lanche, Thiago retirou um brinquedo em forma de osso e chamou os demais para brincar com Majin, mas só Paulina aceitou depois que Simon aconselhou que fosse e se divertisse com o Padilha.
Jogando o objeto que Majin corria empolgado para pegar, devolver e voltar a correr atrás, Paulina se divertia até o cachorro bater as patas dianteiras em sua barriga ao devolver o brinquedo, e um estranho segura-la pela cintura, impedindo que caísse.
— Cuidado gracinha! — o homem pediu após solta-la.
A morena girou o corpo e, com um fraco sorriso, fitou o homem magro e de pele clara, com olhos azuis e cabelo branco despenteado.
— O-obrigada!
— De nada! Me odiaria se uma mulher tão linda se machucasse! — ele disse e estendeu a mão amigável. — Sou Tony Marshall.
— Paulina Perez — se apresentou envergonhada, aceitando a mão estendida.
— Estive te observando, está aqui sozinha? — perguntou colocando a outra mão sobre a dela. — Além do seu cachorro, é claro.
— Não é meu, é do meu amigo — corrigiu puxando a mão delicadamente, suspirando aliviada por ele não insistir em retê-la. — Estou aqui com amigos.
— Eu estou só com a minha amiga Gaia. — Tony apontou para um pastor suíço branco, de redondos olhos castanhos. — Não quer nos fazer companhia?
— Eu... tenho que voltar para o meus amigos... — Voltou-se para o local em que lanchou e acenou para os três homens distantes, vendo Thiago – o mais próximo dela – caminhar em sua direção, Henrique permanecer sentado na toalha e Simon em pé, as mãos plantadas na cintura, olhando diretamente para eles.
— Homens de sorte. — Ele colocou a mão no bolso da bermuda verde desbotada e retirou um celular. — Podemos trocar telefones?
— Eu... não sei se seria... — apertou uma mão na outra, o que o fez ver a aliança que continuava a usar.
— Posso supor que nem todos ali são somente seus amigos?
Abriu a boca para explicar que não estava noiva, mas não achava adequado passar seu número para um completo estranho, quando Thiago parou ao seu lado e respondeu em seu lugar:
— Exato, cara! Sou Thiago, um dos amigos! — Ele se apresentou antes de apontar para onde Simon permanecia observando-os. — E aquele sujeito mal humorado ali é o noivo dela. Se quiser se juntar a gente, sinta-se convidado.
Tony olhou para Simon e torceu a boca, quando o Salvatore cruzou os braços. Mesmo daquela distância, era visível que se aproximar causaria, no mínimo, uma situação desconfortável. Devolveu o celular ao bolso.
— É uma pena ver que cheguei tarde... — Tony soltou com um sorriso pequeno, admirando Paulina uma última vez antes de se afastar com sua cachorra ao lado. — Nos vemos por ai, Paulina. Quem sabe?
A Perez o viu partir em silêncio, incerta do que deveria ter dito. Embora ele a tenha ajudado e ter sido agradável, ela só o conhecia por poucos minutos. E, apesar de tudo que assimilara nos últimos dias, não conseguia ser articulada e sociável com desconhecidos.
— Já lhe adianto que Simon está espumando de ciúmes, mocinha. — Thiago disse deslizando a mão pela cabeça felpuda de seu cachorro. — Posso ouvir os dentes dele trincando daqui.
— Simon, com ciúmes de mim? Imagina! — duvidou, revelando acanhada: — Ele praticamente me empurrou para você agora a pouco.
Thiago a encarou sério e indagativo, depois gargalhou, batendo uma mão na coxa com tanta força que Paulina se assustou e Majin latiu.
— Não acredito! O canalha não te disse, não é? — Thiago secou uma lágrima no canto do olho, um sorriso enorme nos lábios ao fitar a expressão confusa da Perez. — Paulina, eu sou gay. Henrique é meu namorado.
— Seu o quê? — Forçou-se a fechar a boca e agir com um pouco de normalidade aquela revelação, embora as palavras lhe falhassem. — Não sabia... vocês não parecem...
— Pois é, somos namorados — Thiago deu de ombros, ainda sorridente.
— Ah, compreendo... — murmurou, começando a entender certos gestos que até então estranhava nos instrutores.
— Henrique e eu não representamos perigo para o Simon, por isso ele fez tanta questão que fossemos seus instrutores — explicou, movendo-se de volta para o local em que Henrique e Simon aguardavam. — Qualquer um pode ver de longe que ele é louco por você e não deseja perde-la.
Paulina refletiu sobre isso, logo afastando tal possibilidade. Provavelmente escolhera Henrique e Thiago por saber que eles não tentariam nenhuma aproximação sexual, o que poderia fazê-la se fechar de medo. Mesmo assim ficou irritada por Simon não ter dito que os dois namoravam, e reclamou disso quando voltaram para casa.
— Porque não me disse que Henrique e Thiago são um casal?
— Faria diferença?
— Não, mas devia ter contado — reclamou, explicando-se: — Fiquei com cara de boba quando Thiago disse.
— Por eles formarem um casal ou por ver suas chances com o Thiago sumirem?
— Não tenho interesse no Thiago — disse ofendida com a suposição dele.
— Não foi o que deu a entender poucos minutos após conhece-lo — ele retrucou. — Até o comparou ao Nathaniel.
— O sorriso deles é parecido — confirmou.
— Devo supor que o homem no parque também possui um sorriso parecido? — questionou ácido, a expressão desgostosa.
Paulina piscou confusa, abriu a boca e depois fechou, sem saber como responder aquela pergunta sem sentido. Ficaram parados, frente a frente, se encarando em completo silêncio antes de Simon fechar os olhos, respirar fundo e se afastar.
— Aproveitarei à tarde para trabalhar.
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Ensina-me
Romance+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
