Aprenda

685 65 4
                                        

Paulina odiava acordar no meio da noite com vontade de ir ao banheiro. Além de não querer acordar Simon, a perspectiva de andar no escuro até o banheiro do seu quarto não a atraia.

Com cuidado para não despertar Simon, removeu o braço que envolvia sua cintura e ergueu-se devagar, sentando-se na cama. Colocou as pantufas e parou por um minuto para admirar o corpo adormecido de seu chefe. Estava escuro, mas o brilho refletido na lua atravessava a cortina, o suficiente para que Paulina percebesse os traços dele.

Depois do que Paulina considerava a primeira "briga de casal" deles, Simon retornara do banho em silêncio, parecendo tão zangado como quando entrara no banheiro. Mas, quando deitaram, ele voltou a assumir o papel de amante, envolvendo sua cintura e beijando sua nuca com carinho antes de adormecer.

Não conseguia compreendê-lo, juntar o que conhecia da personalidade dele com o que ele fingia ser. Simon fingia tão bem, que às vezes ela se esquecia de ser fingimento e se deixava envolver. Jamais imaginara ser capaz de falar o que falara para ele durante a briga, o que falara nos últimos dias tinha sido surpreendente, mas ofendê-lo tinha sido libertador.

O corpo exigiu que deixasse de admirar o Salvatore. Levantou e estava perto da porta quando a voz sonolenta e rouca a deteve.

— Ainda é noite... Aonde vai?

— Preciso ir ao banheiro.

Ele ergueu a cabeça do travesseiro e, embora estivesse escuro, Paulina sentiu que a olhava intrigado.

— O banheiro é ali. — Apontou para o outro extremo.

— Prefiro utilizar o meu.

— Desde quando você levanta no meio da noite, atravessa o corredor e usa o seu banheiro, tendo um a poucos metros? — Simon perguntou, com certo humor na voz.

— Precisamos conversar sobre isso agora? — Ela retrucou, apertando as pernas levemente, com urgência.

— Precisamos se você não usar aquele banheiro. — Voltou a apontar o banheiro da suíte.

Bufando contrariada, Paulina foi para a direção indicada. Minutos depois retornou e, ainda irritada, deitou de costas para Simon, na beira da cama. Fechou os olhos com força, decidida a ignorar o corpo próximo ao seu, mas o Salvatore tinha outros planos. O colchão afundou quando ele se moveu para seu lado e voltou a abraçar sua cintura.

— Tudo certo por lá? Não houve nenhuma explosão ou algo do tipo? — Ele perguntou, fingindo-se de sério.

Paulina apertou os lábios, tanto para conter um insulto quanto para não rir da situação absurda. Um arrepio elétrico subiu por sua espinha quando sentiu os lábios dele em sua nuca.

— É agora que você diz que sou o homem da sua vida por deixá-la usar o "meu banheiro". Ou me chama de idiota.

— Idiota. — Ela escolheu sem titubear.

— Também te amo, linda — ele revidou com um riso miúdo.

Surpresa, Paulina virou o tronco para olhá-lo, embora só conseguisse perceber o contorno de sua cabeça no escuro.

— O que você disse? — perguntou com o coração retumbando nos ouvidos.

— Aprenda: Um casal nunca deve dormir zangado um com o outro. Eles devem se abraçar e dizer coisas fofas e melosas. Idiota não é uma delas.

— E se um deles for realmente idiota? — Questionou estranhando sua decepção com a resposta dele.

— Ele deve ser o primeiro a abraçar e dizer coisas melosas... — A virou pela cintura para ficarem de frente. — E deve beijar a parceira. — Beijou os lábios cerrados da Perez. — E seria ótimo se a parceira corresponder... — queixou-se, mordiscando o carnudo lábio inferior da Perez. — Também seria maravilhoso ela dizer que o ama, deixando claro que não está mais zangada.

— E se ainda estiver? — ela perguntou novamente, arrepiada.

— Parceira difícil essa... — reclamou, acariciando a face da governanta. — Deixe-me pensar... Ela diz: "Boa noite! Obrigado por me impedir de andar tanto por algo que posso fazer por perto, só por vergonha".

— Boa noite! Obrigada por me impedir de andar tanto por algo que posso fazer por perto, só por vergonha — ela o repetiu, sorrindo pela bizarrice da situação. — E agora?

— Agora fechamos os olhos, dormimos. ­E, de agora em diante, você passa a usar esse banheiro.

Ela assentiu, fechando os olhos e pousando o rosto no peito dele. Estava quase dormindo quando ele comentou:

— De qualquer forma. Seja lá o que aprontou lá, é você quem limpa.

— Simon! — Reclamou, recebendo um beijo rápido e uma promessa tentadora:

— Amanhã terei o dia todo para ensinar que dividir o banheiro pode ser muito prazeroso.

Ensina-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora