Paulina terminou de aprontar o jantar, os olhos a todo o momento se colocando sobre o telefone. Àquela hora Simon costumava telefonar para avisar de alguma visita, de forma que ela pudesse colocar a mesa para dois.
Também lhe incomodava que Nathaniel não lhe telefonara. Mandara uma mensagem dizendo que estava bem e lhe desejando um bom dia, mas gostava de ouvir a voz dele, saber como fora seu dia. Era um alento para a distância que tinham durante a semana, embora durante todo o relacionamento fossem pouquíssimas as vezes que ele ligara, gostava quando aconteciam.
Não podia e nem iria cobra-lo. Ele trabalhava muito desde que o pai morrera e precisava de espaço para se dedicar a empresa, relembrava para afastar o bichinho que cochichava que Nathaniel devia lhe dedicar mais tempo e atenção.
De qualquer forma, seu fim de tarde fora ocupada por um Salvatore, ou melhor, uma Salvatore. Mirela telefonara, e não se limitara a perguntar sobre Simon, também quisera saber dela. Sorriu, Mirela era quase uma mãe para ela, tão bondosa que às vezes sentia envergonha por não corresponder com tanta empolgação o carinho da matriarca Salvatore.
— Paulina.
Apressou-se para a sala, encontrando Simon sozinho. Automaticamente olhou para a porta em dúvida.
— Não vem ninguém.
Balançou a cabeça, constrangida em ser tão óbvia.
Simon seguiu para o quarto e Paulina correu para a sala de jantar. Assim que tudo estava pronto foi chama-lo. Bateu de leve. Não teve resposta. Bateu um pouco mais forte.
— O que foi? — ele perguntou irritado.
— Seu jantar está na mesa.
— Estou sem fome.
— O senhor já jantou?
— Não, e nem quero.
— Almoçou no trabalho?
— Que importância tem isso? É minha mãe por acaso?
— Isso é um não?
— Vai cuidar da sua vida, Perez.
Apertou os lábios.
— Está bem?
— Estou ótimo, agora vá embora!
Afastou-se devagar, ainda indecisa sobre o que fazer. Suspirou. Às vezes odiava sua criação.
~*~
Simon olhava para o teto, embora não tivesse o que ver na escuridão que cobria seu quarto. O dia fora longo, estressante e ele ainda tinha que ter insônia?
Piscou quando a luz do escritório incidiu em seu rosto. Sentou e observou incrédulo Paulina entrar no quarto com uma bandeja.
— Que porra...?!
— Fui educada a obedecer, mas, acima disso, perceber quando desobedecer. —Paulina colocou a bandeja no criado mudo e acendeu a luz. — Passei dois anos com uma senhora de mais de oitenta anos e ela nunca, nunca mesmo, foi dormir sem comer. Pode xingar o quanto quiser, mas, por favor, coma um pouco.
Simon olhou para a travessa e depois para Paulina.
— Paulina...
— Coma!
— Eu sou o patrão aqui.
— Quem me contratou foi a sua mãe, e acho que ela não gostaria que fosse dormir sem comer. Ela foi bem incisiva sobre isso. Cuide do meu bebê, zele por ele e não o deixe pular as refeições. — Ela não dissera exatamente isso, corrigiu-se mentalmente, mas bebê levava a essa interpretação.
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Ensina-me
Romance+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
