O costume de acordar cedo se tornara incomodo agora que dividia a cama com Paulina. Naquele domingo, em que não tinha nada para fazer, o desconforto aumentava conforme observava morosamente a face adormecida da Perez.
Paulina não era a mulher mais linda em sua cama, sequer podia compara-la com qualquer outra. Nenhuma passara a noite toda ao seu lado - não dormindo -, nunca as vira sem maquiagem - antes ou depois do sexo - e, certamente, nenhuma causara nele o efeito que ela produzia.
Em parte o efeito vinha do corpo dela. Paulina estava longe do perfil de suas parceiras habituais, mas toda vez olhava para suas curvas volumosas e cintura fina, tinha a estranha compulsão de tocar sua pele acetinada, protege-la em seus braços e beijar cada parte dela até arrancar gemidos de deleite. Só de imaginar a excitação imediatamente o dominava.
O que o irritava, e imediatamente preenchia suas veias de gelo, era a personalidade submissa e a fixação em Nathaniel Muller. A ternura e polidez dela, a necessidade de sempre agradar, mesmo a custa dos próprios sentimentos, era de exasperar um homem prático e mordaz como ele. Apesar de irrita-lo, esses atributos estranhamente também o atraiam. Não queria que mudasse por completo, só que pensasse um pouco em si própria, ser doce com quem merecia e não segurar o que realmente pensava quando fosse preciso. O meio termo era crucial.
Como conseguiria essa façanha era o problema. Sua personalidade era oposta a dela. Ele não se importava com o que pensassem dele, destilava sarcasmo e somente uma vez pensara nos sentimento de outra pessoa, desde então prometera viver para agradar a si mesmo.
Dentro do prazo estipulado por Paulina, tinha de seguir por um atalho perigoso para arrancar um resultado satisfatório, descumprindo sua meta pessoal. Abdicara de todas as regras que se impusera para ajudar Paulina e no fim temia que o resultado não compensasse o trabalho. Nathaniel não merecia Paulina - jamais mereceria -, só ela não enxergava esse fato.
Necessitando de algum tempo distante da confusão em que se metera, Simon levantou e seguiu para o banheiro. Minutos depois, retornou ao quarto, seus olhos percorrendo a cama vazia e o seu redor, enquanto pegava seu celular no criado mudo.
O closet estava fechado, mas via luz pela fresta entre a porta e o chão. O pudor de Paulina também seria um inconveniente, caso não o achasse adorável e não aumentasse o desejo de desnuda-la para admirar suas formas voluptuosas sem restrições.
Sorriu ao pensar em como ela ficaria se entrasse no closet do jeito que estava, só de cueca, e a provocasse. Apesar de a ideia ser tentadora, Simon deixou as provocações para outro momento. Teriam o dia todo.
Seguiu para seu escritório, verificando as mensagens no aplicativo de e-mail. Havia algumas, à maioria de trabalho, mas somente uma lhe chamou a atenção. Seu pai pedia que ligasse. Ele não costumava lhe ligar ou enviar mensagens.
Fechou-se no escritório, sentou em sua poltrona e selecionou em seu smartphone o número da mansão Salvatore, tendo que aguardar uma funcionária verificar se seu pai estava em casa. Diferente de sua mãe, que não desgrudava do celular, Fabrício considerava o aparelho incomodo e, desde que passara a presidência dos negócios para o filho mais velho, aposentara seu BlackBerry.
Quando a ligação foi passada, seu pai logo revelou o motivo de sua mensagem.
— Filho, hoje no clube indiquei a SaaTore para um associado que precisa de uma agência de publicidade: Vinicius Sacramani. — Simon não se surpreendeu pelo pai, em vez de aproveitar tranquilamente seu dia no clube, lembrar-se dos filhos. Mesmo não expressando seus sentimentos como Mirela, Fabrício era um pai dedicado e discretamente amoroso. — Sacramani é CEO das empresas alimentícias Di Montre, dona de diversos comércios, incluindo a rede de restaurantes Piazza.
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Ensina-me
Cinta+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
