Passeio

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Os raios de sol passavam pelas portas da varanda e, sem encontrar resistência na fina cortina translúcida, incidiam sobre o corpo de Paulina, despertando-a aos poucos. Preguiçosamente, esticou-se para o lado em busca do aconchego dos braços e corpo de Simon, mas ele não estava ao alcance de seus braços. Abriu um único e sonolento olho, constatando que ele não estava na cama. O barulho de água indicava que ele estava no banho e a embalou de volta para o mundo dos sonhos.

— Bom dia, meu amor! — Simon sussurrou, beijando o pescoço macio da Perez minutos depois. — Levante.

— É domingo... — gemeu, virando para o outro lado.

— Tenho planos para hoje que incluem você.

— Exclua... — Jogou o lençol sobre a cabeça e se encolheu para voltar a dormir.

Com o corpo leve e sonolento caminhava de volta para nuvens macias de fantasia, quando uma mão grande apalpou seu seio e beijos percorreram sua espinha. Longe de estimular que levanta-se, as carícias tinham o efeito oposto. Seu corpo amoleceu, entregue e ronronante.

— Levante, dorminhoca — ele pediu mordiscando seu ombro, as mãos descendo pela lateral de seu corpo até sua cintura. — Ou terei de castiga-la. — Os dedos que deslizavam devagar por sua pele, moveram-se cruéis por sua cintura, fazendo Paulina se contorcer em risadas altas.

— Pare...! Pare...! — pediu entre as gargalhadas, tentando fugir das cócegas, mas Simon se colocara acima dela, as pernas de cada lado do corpo feminino impedindo que fugisse.

— Vai ser uma boa garota e levantar? — ele perguntou apoiando as mãos paradas dos lados da cintura dela, os olhos admirando os seios nus que subiam e desciam no compasso da respiração agitada da Perez.

— Sim... — respondeu corada por causa do ataque e da forma que Simon contemplava seu corpo.

Por um minuto, quando Simon se inclinou para pegar entre os dentes um mamilo túrgido e deslizar a ponta da língua nele, Paulina pensou que ele se juntaria a ela na cama para outra aula ardente, mas Simon, aparentemente, tinha outros planos.

— Te espero na sala — disse beijando sua clavícula. — Coloque algo confortável para um passeio. — Ele se afastou rápido. Paulina queria só um pouco da capacidade de controle dele.

Torcendo para que ele não tivesse com intenção de mais exercícios físicos de manhã, mas preparando-se para isso, colocou uma legging lilás e uma bata com listras branca e cinza na altura das coxas, justa na cintura e com manga ¾. Keds branco e cabelo amarrado na nuca completavam sua tentativa de ser confortável para um passeio tranquilo ou uma caminhada exaustiva. Tudo era possível, vindo de uma pessoa que costumava passar as manhãs do fim de semana na academia. Não sabia como Simon tinha fôlego e pique para tanto exercício, ela sempre desistia após vinte minutos, preferindo sentar e observa-lo. No sábado ela simplesmente rejeitara acompanha-lo.

O encontrou sentado no sofá ao lado de uma mochila preta com detalhes em prata, curvado sobre o smartphone, os dedos movendo-se na tela. Usava uma regata preta com estampa de uma cobra branca nas costas, short preto com detalhes em vermelho nas laterais e nos bolsos e tênis cinza. O cabelo molhado e desarrumado fez Paulina desejar arruma-lo com os dedos, mas antes que se aproximasse com esse intuito, Simon a viu.

Ele se levantou e foi ao seu encontro, às mãos segurando seu rosto como se temesse que ela se desviasse do beijo dele. Como se ela fosse louca de fazer algo do tipo. Ao contrario, deslizou as mãos pelas costas dele, puxando-o para junto de si, correspondendo às investidas dos lábios e língua do Salvatore. Resmungou quando ele encerrou o beijo e impôs distância entre eles.

— Vamos!

— Temos que sair mesmo? — Agarrou a cintura dele e apoiou o queixo no tórax amplo, os olhos suplicantes se revessando dos olhos negros para os lábios úmidos por causa dos beijos trocados.

— Sim — disse baixo, ajeitando uma mecha curta atrás da orelha dela. — Combinei de encontrar Henrique e Thiago no parque aqui perto.

Bufou, abaixando o rosto e o apertando contra o corpo masculino.

— Torci muito para não ser um passeio de tortura.

— Você vai gostar. — Simon riu de sua impaciência.

Paulina duvidou. Preferia ficar dentro do apartamento, passando horas treinando novas formas de acariciar, ao invés de suar no sol forte que percebia através das janelas.

Mesmo choramingando, segurou a mão dele e seguiu com passos arrastados até os elevadores, depois no estacionamento. Ao entrar no carro soltou um suspiro cansado de lástima, imaginando as dores pelo corpo que teria na manhã seguinte, observando com tédio as paisagens que se descortinavam pelo caminho até o parque, e respondendo com monossílabas a tentativa de conversa do Salvatore.

Ao chegar ao destino, Simon pegou a mochila, deixada no banco de trás e a conduziu para dentro do parque, surpreendendo Paulina ao colocar o braço em seus ombros e dar um beijo em sua cabeça. Foi quando Paulina se deu conta que, com a presença de Henrique e Thiago por perto, fingiriam ser noivos. Disse a si mesma que a alegria que a dominou era por ter a chance de testar outro ambiente, mas no fundo de seu coração sabia que o motivo era outro. Um que preferia não examinar no momento, talvez nunca.

Simon a conduziu até o bicicletário do parque. Henrique e Thiago estavam parados na porta do local, ao lado de duas bicicletas – uma em preto e prata e outra preta em fosco - e um enorme cachorro branco com nariz marrom escuro, e manchas na mesma em suas orelhas e contorno escuro em volta da boca. Observando com cuidado o enorme cão, Paulina apertou a mão na cintura de Simon conforme ele andava até os instrutores.

— Ele é manso — Simon disse ao perceber seu receio.

Pararam bem perto dos dois homens e do cachorro. Henrique e Thiago os cumprimentaram e o Padilha apresentou o cachorro.

— Esse é o meu amigão, Majin.

Paulina olhou desconfiada para os olhos achatados do cachorro, recebendo um olhar igual em retorno. Majin farejou os pés de Paulina, subindo a inspeção até se erguer nas patas traseiras, apoiar as patas dianteiras nos peitos de Paulina – que o segurou assustada - e dar uma lambida na bochecha da Perez. Após o susto inicial, Paulina riu, enquanto Thiago puxava o grande cachorro.

— Perdoe-o. Ele tem um fraco por meninas bonitas — explicou acariciando a cabeça do cachorro.

— Tudo bem — disse, deixando Simon secar seu rosto com uma pequena toalha que trouxera na mochila. — Ele é um fofo.

— Uma bola de pelo e saliva — Simon a corrigiu, voltando-se para Thiago com o dedo apontado para o animal. — Avise que essa menina bonita é minha.

Mesmo que fosse só fingimento, Paulina gostava quando Simon soltava expressões de posse, era inevitável não sorrir quando o ouvia.

Ensina-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora