A Perez escolheu um vestido de linho branco, com desenhos de lírios decorando a frente, decote redondo, manga curta e terminando acima dos joelhos. Leve como uma comemoração ao ar livre exigia. Calçou sandália rasteirinha e deixou o cabelo solto. Encontrou Simon na sala, vestindo bermuda de sarja, camiseta de manga curta preta com estampa tribal prata nas laterais e um par de chinelos de dedo.
Embora temerosa, ela o acompanhou até o estacionamento e entrou no sedan preto de Simon, unindo as mãos no colo e apertando-as com aflição.
— Paulina... É só nossa família, não há o que temer — ele a tranquilizou, conduzindo o carro para fora do prédio.
— Você não entende...
— Temos tempo para uma explicação — comentou, visto que levava três horas para chegar ao condomínio em que os Salvatore moravam.
— Meu pai nunca aprovou o namoro, ele vai...
— Paulina, quantos anos você tem? — Simon perguntou, interrompendo o lamento da Perez.
— Vinte e Quatro — Paulina o respondeu, sem entender o motivo da pergunta.
— Você mora com seu pai?
— Não, mas...
— Você depende do dinheiro dele?
— Não. Só que...
— Só que nada! — ele a cortou novamente, rude. — A vida é sua. Seus erros e seus acertos. A opinião dele pode ser respeitada, por ser seu pai, mas não deve influenciar suas decisões e nem a magoar — disse, aproveitando o sinal vermelho para olha-la e aconselhar: — Ignore o quanto puder, e quando não, diga: "pai, preciso do seu apoio e não sermão".
— É fácil falar... — ela murmurou, incerta.
— Fazer também é. Essa é a técnica que uso com a dona Mirela há anos — Simon confessou, voltando a prestar atenção à sua frente quando o sinal abriu. — Se estiver se sentindo muito incomodada, podemos sair depois de uma hora de comemoração.
— Estranhariam...
— Sou perito em inventar desculpas para passar despercebido pelo radar de desconfiança — retrucou sarcástico.
— Obrigada, Simon! — Sorriu agradecida, mas ele continuava olhando para frente, concentrado no caminho.
Tinham se desentendido por anos, mas, quando mais precisava de um ombro amigo, era ele que estava ao seu lado, apoiando e aconselhando. Simon se transformara em um grande amigo, e esse era o único motivo que a levava a desejar agradecê-lo com um beijo.
~*~
Mirela preparara a festa na área da piscina, todos os empregados tinham sido convidados para comemorar junto dos Salvatore.
Como esperado, Paulo não permaneceu na comemoração. Paulina o cumprimentou ao chegar, mas depois seu pai sumiu na ala reservada aos empregados. Naquele breve momento percebeu que o pai estava incomodado, embora não tivesse verbalizado nada com ela além de um "boa tarde" seco, evitando que Paulina soubesse se estava chateado com o fim do noivado ou com o estágio de Paola.
De sua parte, a Perez mais nova transbordava alegria. Ela a abraçou com força e a arrastou para cumprimentar todos da festa, incluindo a mulher que a contratara. Uma senhora de olhos e cabelo castanho, preso em um coque, que vestia um macacão azul marinho com listras brancas sem manga e que terminava abaixo dos joelhos. Diferente da filha, Elisabeth Albuquerque, possuía um comportamento calmo, reservado e de poucas palavras.
Seu medo mostrara-se infundado. Ninguém tocou no tema noivado ou Nathaniel, toda a atenção estava em Paola. Paulina só lamentara que Simon se afastara assim que chegaram, se juntando a Alessandro, Iolanda e os filhos deles, Sebastian e Ícaro, do outro lado da grande piscina. Não porque a presença do Salvatore lhe fizesse falta, mas por precisar de garantias de que partiriam caso algo a incomodasse como ele propôs.
Todos vestiam roupas leves, e por baixo roupas de banho, para aproveitar o sol e a piscina. Paola chegou a chamá-la para a piscina, mas se negou por não estar de biquíni. Mesmo que usasse duvidava que tivesse coragem para tanto. Para provar isso, Paola chegou a oferecer os seus, mas Paulina negou-se firmemente até a irmã desistir e pular na piscina com Sebastian e Ícaro.
Ocupando uma esteira entre Núbia e Mirela, Paulina conversava animadamente até a chegada de seu primo, carregando Lean. Levantou perturbada ao ver que, logo atrás dele, estava Tábata Mamoru. Ela percebeu sua presença e abaixou a cabeça. A vergonha pelo que tinha dito a outra fez a jovem governanta se afastar sem rumo.
Tinha algum tempo que se afastava quando se deu conta que havia chegado a parte do jardim em que Pierre a atacara, anos atrás. Paulina pousou a mão em uma árvore, sentindo as pernas trêmulas e o coração agitado ao recordar aquele dia. Sentindo-se sozinha e desprotegida, em um lugar que só lhe trazia péssimas recordações, retrocedeu, gelando ao bater em algo sólido que circulou sua cintura com braços fortes.
Assustada, girou com a mão pronta para golpear seu agressor... Parando a centímetros da face surpresa de Simon. Vergonha e alívio se mesclaram em sua face ao abraçá-lo com força e soluçar em um principio de choro.
— Calma, calma, sou eu! O que houve, Lina? — ele perguntou estreitando o corpo trêmulo junto ao seu.
— Pensei... Desculpe-me... — as palavras saiam trêmulas, embargadas pela garganta apertada — Foi aqui que o Pierre...
— Tudo bem, eu entendo. — Simon a interrompeu acariciando seu cabelo. — Vi quando saiu agitada e vim saber o que tinha te aborrecido. — Encaixou o polegar e o indicador no queixo dela e o ergueu, acariciando de leve a borda do lábio inferior. — Não pense nisso. Estou aqui.
Se pensar, Paulina mergulhou os dedos nos cabelos negros do Salvatore e o puxou para beijá-lo, tomando os lábios dele com os seus, devagar. Era um beijo de alívio, de agradecimento. Simon deslizou as mãos pelas costas dela, acariciando-a com a mesma cadência suave do beijo, deixando-o seguir o ritmo imposto por ela.
Quando o beijo se encerrou, Simon beijou-lhe a testa, embalando-a em seus braços por alguns minutos. Ao sentir que se acalmara por completo, a soltou para voltarem à festa.
— Não posso... Tábata está lá...
— E o que tem isso de errado? — Simon perguntou e franziu o cenho.
Paulina apertou os lábios e desviou os olhos com constrangimento. Desconfiado com a atitude retraída, Simon segurou o rosto dela com ambas as mãos e a fez encara-lo.
— Quero uma resposta.
Paulina respirou fundo.
— Brigamos.
— E por causa de que?
Desconfortável, desviou os olhos e respondeu envergonhada:
— Ela presumiu que o Nathaniel talvez tivesse enganado a Cherry, que ela foi inocente no caso deles.
— Você brigou com a sua única amiga por causa do Nathaniel? — Constrangida, ela assentiu. — Vamos!
— Aonde?
— Falar com a Tábata. Vocês precisam fazer as pazes!
— Mas...
— Ela é sua amiga, Paulina, a única pelo que sei. Admitir que errou não lhe fará mal — indicou, cruzando os braços em frente ao corpo ao acrescentar com azedume: — E ela fez conclusões certas: Nathaniel é um idiota! Perder uma amiga por causa dele é burrice.
Embora odiasse quando ele insultava seu ex. noivo, Paulina aceitou o conselho e o seguiu de volta. Queria segurar a mão dele, pegar um pouco da força que ele irradiava, mas se conteve. O que mostrou ser a melhor escolha quando, no meio do caminho, encontraram Paola e Sebastian.
— Aí está você, Lina! Guilherme chegou e quer falar com você... — informou Paola olhando curiosa de um para o outro. — O que faziam escondidos aqui?
— Precisava de um tempo longe da família — disse Simon dando de ombros. — Vim até aqui e acabei encontrando a Paulina.
A Perez mais velha corou, preferindo não falar nada. Toda vez que tentava mentir acabava gaguejando e se contradizendo. No entanto, aquela era uma resposta tão simplista que Paulina duvidou que a irmã engolisse.
Mas, para sua surpresa e satisfação, Paola não fez novos questionamentos, só agarrou sua mão e a puxou de volta a área da piscina. Paulina ainda olhou para trás, a tempo de ver Sebastian rir de algo e Simon bater de leve na cabeça do sobrinho de dezesseis anos.
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Ensina-me
Romance+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
