Borboletas azuis

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De banho tomado, Simon voltou para o quarto e parou junto à cama para observar o corpo adormecido sobre ela. O desejo se alastrou por seu corpo como fogo, o mesmo desejo que o percorrera quando acompanhou Paulina na descoberta do seu prazer.

Definitivamente, era insano. Jamais deveria ter proposto as aulas, principalmente aquela aula. Tocar Paulina fora maravilhoso. Quando soltara suas mãos das dela, para que ela alcançasse o clímax por conta própria não conseguira se afastar por completo, acariciando a pele de seu ventre e suas coxas com a ânsia que seu membro queria dar ao sexo úmido e convidativo da Perez.

Quase gozara como um adolescente contra o travesseiro, que utilizara para não espanta-la caso tivesse uma ereção, quando ela gritara de prazer em seu ouvido. Tivera de cuidar dessa excitação toda embaixo de água fria e com o incentivo de suas mãos, embora em sua mente fossem às mãos de Paulina e sua boquinha movendo-se para cima e para baixo de seu pênis. Só de lembrar o membro se erguia novamente no pijama que usava para impor limites ao seu corpo. Não que o pano inútil da cueca e da calça aplacasse sua imaginação quando abraçava Paulina, ou sumissem com o desejo que se instalava em seu membro.

Recordar o motivo dela em sua cama também não diminuía sua excitação, lamentou após erguer o cobertor e percorrer com os olhos os seios volumosos, a barriga macia, a camisola amassada em volta dos quadris e as coxas grossas. Seu corpo formigava com as lembranças de cada uma daquelas partes contra si, da maciez, do cheiro, dos gemidos suaves, da respiração apressada e do gritinho deliciado.

Ele a queria. Desejava aquelas pernas roliças em sua cintura, as mãos pequenas percorrendo seu corpo em êxtase, os lábios carnudos contra os seus, penetra-la forte e fundo até que gritasse seu nome pedindo mais e mais. Porém, sexo casual com Paulina era impossível. Estampado em sua face e atitudes estava que só se entregaria por amor, que desejava romantismo, palavras bonitas ao pé do ouvido, suavidade e carinho. Adotara tal postura para conduzi-la desde que aceitara ensina-la a seduzir, mas não abusaria dessa confiança. Podia sussurrar palavras de amor, toca-la com carinho, leva-la ao limite da paixão até conseguir possui-la por completo, mas quando o fogo cessasse ela veria que estava com o homem errado, se arrependeria e o odiaria por ludibria-la.

Fechou os olhos com força, aspirou fundo e deitou, ficando de costas para a Perez. Estava ali para ajuda-la a reconquistar quem ela escolhera amar. Podia abominar o resultado final, achar que merecia alguém melhor, um homem que lhe desse confiança em si mesma, que a ouvisse, que não fosse um completo imbecil. Porém, não impor suas vontades e respeitar as dela era e sempre seria a prioridade. Ensinaria tudo que ela precisava para seduzir alguém e depois, quando ela alcançasse seu objetivo ou cansasse de tentar, aguentaria as consequências da farsa que orquestrava.

~*~

Sonhava com borboletas azuis, pequenos seres voadores que tocavam seu rosto com as asas suaves, acariciando sua pele devagar. Piscando para se acostumar com a luz, abriu os olhos sonolentos, percebendo que Simon percorria seu rosto com os dedos.

— Combinamos de ir à academia juntos, lembra?

Assentiu, enquanto a noite anterior a atingia, deixando-a sem graça e sem fala. Quando ele se afastou, Paulina se ergueu, puxando rapidamente o lençol ao notar que seus seios estavam descobertos.

Simon notou, retornou e, ficando por cima da jovem corada, a beijou no pescoço.

— Não precisa ter vergonha de mim — murmurou acariciando as mãos que apertavam o lençol. — Percorreria seu corpo todo com beijos se permitisse e tivéssemos tempo. — Para surpresa de Paulina, e uma pontada de decepção, Simon se levantou. — Mas só pratico exercícios por uma hora antes de me aprontar para o trabalho. Vista alguma coisa confortável em dez minutos. Te espero na sala.

Ensina-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora