Simon passou a manhã em reuniões, conseguindo a chance de falar com Gabriel só mais tarde.
— Então, o que faremos com o problema Pierre? — perguntou sentando em frente ao amigo. — Já contou para a Tamara?
— Não contei ainda. Prefiro mantê-la afastada disso por enquanto.
— Não é pior deixa-la na desinformação? Ela é o alvo principal do Pierre — recordou.
— É exatamente por isso não devemos contar, por enquanto — recomendou, explicando-se: — Tamara já tem a pressão do Abdul pra lidar. Saber que Pierre pretende prejudicar a empresa pode fazê-la tomar alguma decisão precipitada. Não podemos ficar sem ela nesse momento.
Simon concordou. O setor de criação era o domínio de Tamara. Ela conduzia a área com maestria e perfeição, nem ele e nem Gabriel tinham o talento criativo dela, o olhar artístico ou o controle e confiança dos funcionários daquele setor.
— E o que faremos?
— Mostraremos que não somos o que Pierre declara — Gabriel pronunciou, girando distraidamente uma caneta entre os dedos. — Não frequento clínicas de reabilitação há muito tempo e não pretendo voltar.
— E eu decidi não sair com nenhuma de nossas modelos desde a bronca da Tamara — relatou.
Gabriel o analisou por um instante.
— Pensei que estivesse com alguma — comentou, inclinando-se para a frente. — Você tem saído no seu horário e recusou o happy hour semana passada. Fora seu humor.
— Meu humor? — Simon ergueu uma sobrancelha.
— Percebeu que não implicou com ninguém, nem mesmo com a Cherry?
— Ela está grávida de um cliente — justificou. — E tenho coisas mais importantes para me preocupar.
— Só digo que você está diferente, e não sou o único a perceber. Cochicham que está de namoro novo.
— Isso é falta de trabalho.
— Ter alguém fixo faria bem a sua imagem. — Gabriel deu de ombros.
— Isso não vai acontecer... — previu olhando distraído o peso de papel de forma esférica na mesa.
— Quem sabe? Apesar de a minha noiva ter seus defeitos, foi à única coisa positiva na minha vida nos últimos meses.
— Posso preparar o terno para o casamento? — zombou sem humor.
— Sim.
Simon o encarou surpreso. Apesar do noivado, não acreditará que o Saadi levaria em frente aquele relacionamento. Eram tão distintos que presumiu que logo a chama se acabaria. Até mesmo pensara que Gabriel escolhera a noiva apenas para irritar o pai, pois não havia nada convencional na mulher que escolhera.
— Sua noiva te prendeu de verdade.
— Isabele tem seus méritos.
E Simon se surpreendeu novamente ao ver um pequeno sorriso tomar os lábios finos do Saadi. Gabriel tinha a mesma expressão que seu pai ostentava quando falava ou olhava para sua mãe, mesmo quando ela falava ou fazia algo que acabaria com a sanidade de alguém. Ficava feliz pelo amigo. Pelo menos um deles sabia o que esperar no futuro.
~*~
A semana se passou em uma rotina peculiar para Simon. No trabalho, a tensão com os contratos quebrados amenizaram com a repercussão do sucesso com a propaganda para a Essenz. Tivera diversas reuniões marcadas e novos contratos substituíram os anteriores. Pierre não atrapalhara as novas transações. Gabriel duvidava que houvesse desistido de prejudica-los, mas por hora aquele "sumiço" os tranquilizava.
No apartamento, criara uma dinâmica diária com Paulina. Acordam, iam à academia, tomavam banho, café e jantar juntos e em clima de sedução. Pareciam um casal realmente apaixonado... E isso era uma merda.
Por isso, naquela sexta, aceitou o convite de Gabriel para beber no bar que até tempos atrás frequentava diariamente. Só não esperava que a companhia de Nathaniel Muller estivesse no pacote.
Bebericando distraído um copo de cerveja, ouvia vagamente a conversa do sócio com o Muller, às vezes fazendo um sinal aleatório de cabeça ou mão como se participasse da conversação, o arrependimento crescendo no peito. Seu celular vibrou no bolso da calça, o pegou e a foto de Paulina brilhava na tela. Atendeu alheio aos dois pares de olhos curiosos que se voltaram para ele quando disse com um sorriso miúdo:
— Oi Lina.
— Boa noite, Simon... como não veio ainda, pensei... vai dormir fora?
— Não. Estarei em casa daqui a pouco. — Podia ser sua imaginação, mas jurava ter ouviu um suspiro aliviado do outro lado da linha.
— Está em uma reunião? Já jantou?
— Não para ambas as perguntas. Estou bebendo com dois amigos — contou, não vendo necessidade de mencionar nomes.
— Não exagere de estomago vazio.
— Nem terminei o primeiro copo. — Virou o banco para dizer em voz baixa: — A minha sede é outra e só vou sacia-la quando estiver ao seu lado.
Ouviu uma risada doce.
— Estarei te esperando.
Paulina se despediu e encerrou a ligação.
— Era a Paulina? — Nathaniel perguntou quando Simon guardou o celular e acenou para o garçom.
— Sim — respondeu antes de pedir para o garçom fechar sua conta.
— Como ela esta?
— Muito bem.
— Muito bem?! — Nathaniel o encarou, a expressão desnorteada agradando o Salvatore.
— Exato — confirmou passando o cartão. — Ela superou o fim do noivado.
— Ah...
— E você e a Cherry? Como estão? — quis saber recolocando o cartão na carteira e guardando-a.
— Ela me odeia — ele respondeu olhando para o copo. — Crê que a usei... que continuo usando.
— Duvido. Chateada pode ser, mas odiar, isso não parece a Cherry. — Colocou a mão no ombro do Muller, em sinal de apoio. — Dê tempo para ela. Reconquiste-a se for o caso. Mulheres gostam de ser cortejadas.
Nathaniel presenteou a sugestão de Simon com o que ele mais odiava. Um enorme e bobo sorriso brilhante.
— Você tem razão. Farei exatamente isso!
O loiro tomou o restante de sua bebida, colocou um maço de notas no balcão e marchou para fora do bar. Simon o seguiu com o olhar, balançando a cabeça com condolência, até notar que Gabriel o encarava fixamente.
— O que foi?
— Estranha essa sua vontade em ajudar o Nathaniel.
— Não foi você que aconselhou que o tratasse bem? Foi isso o que eu fiz.
— Sei. E a Paulina está "muito bem".
— Esta. Hoje de manhã cantarolava alegremente pela minha cozinha.
Gabriel apoio o cotovelo no balcão, os dedos em L segurando o rosto.
— Está acontecendo algo entre você e a Paulina?
— Sou o patrão dela, o que poderia acontecer?
— É exatamente o que quero saber — Gabriel estreitou os olhos com desconfiança. — É com ela que está saindo?
— Não estou saindo com ninguém.
— Não sou idiota.
Simon levantou decidido a colocar um fim naquela conversa.
— Tenho que ir.
— Tem alguém te esperando em casa, por acaso?
Simon grunhiu, exigindo ao dar as costas para o sócio.
— Cuide da sua vida, Gabriel.
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Ensina-me
Storie d'amore+18 ~ DEGUSTAÇÃO Depois de uma decepção amorosa Paulina Perez, uma tímida governanta, decidi que é hora de mudar e aceitar a ajuda do maior conquistador que conhece: Simon Salvatore, seu patrão. Contra todas as suas regras Simon começa a ensina-la...
