Negociável

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Paulina despertou na manhã seguinte com uma sensação gostosa de aconchego. Quando as lembranças da noite anterior a invadiram, o rubor costumeiro aqueceu sua face. Mesmo com a vergonha se alastrando por sua pele, sorriu, mergulhando o rosto no travesseiro.

Céus! Simon tinha toque e beijos mágicos. No tempo que demoraram para chegar à suíte – longo, devido as inúmeras e alucinantes paradas –, ele cumpriu a palavra. Estava tão mole por conta dos espasmos de prazer que não mostrou a menor resistência quando ele a jogou na cama e a beijou em sua intimidade.

Antes, só ao ouvir a palavra "oral" com segundas intenções, lhe revirava o estômago em puro nojo; agora, recordando cada sensação abrasadora, lhe esquentava o baixo ventre e causava arrepios, pedindo mais. Literalmente, se derretera sob o domínio dos lábios e dedos de Simon Salvatore.

A Perez se remexeu, incomodada com o rumo de seus pensamentos. A mão de Simon, pousada em sua barriga, desceu perigosamente e o formigamento diante da lembrança do poder daquela mão naquele lugar a fez gemer baixinho.

Agora, pensando no momento em que teria de espelhar aquele beijo tão íntimo, ela tinha sérias dúvidas de que conseguiria. Tinha curiosidade, porém o maior sentimento ao imaginar isso era o medo de fazer algo errado. Recordou que o vira nu meses atrás, porém não fixara a atenção no órgão dele... Na verdade, sua atenção focara no rosto dele tomada pelo horror do acontecido.

Bem, Paulina sabia que teria de fazer um esforço para não desviar ou recuar quando o momento chegasse. Decidiu isso, segurando a vontade de guiar a mão até as palpitações de seu sexo. Em poucos dias, Simon a transformara em uma devassa, refletiu, deslizando os dedos pelo braço pousado em sua cintura. Ele se moveu, aproximando seu corpo ao dela e Paulina prendeu a respiração. Ele estava excitado? Olhou para trás. Simon estava adormecido, menos a parte que roçava suas nádegas redondas.

Paulina respirou fundo e olhou para frente, confusa. Ela estava só de baby-doll, sua calcinha ficara em algum lugar no trecho do seu quarto até ali. Depois de esgotá-la na noite anterior ele tomara banho e trocara a roupa social por uma cueca boxer preta – novamente por consideração a ela. E agora, estavam ali. Ambos parcialmente nus e a ereção dele comprimida entre suas nádegas.

Mas, longe de estar apavorada, Paulina estava curiosa. Corou com uma breve ideia. Bem... Se ela teria de beija-lo "lá", queria saber como era, dar uma olhada antes de repetir o que ele fizera na noite anterior. Girou devagar para não o acordar. De frente para Simon, ela olhou para baixo. Não dava para ver nada com a coberta sobre eles. Olhou atentamente os traços suavizados pelo sono, as pálpebras fechadas, descendo para o nariz aristocrático até chegar aos lábios finos. Como acréscimo a loucura que a atacava naquela manhã, segurou a vontade de tocar os lábios entreabertos dele com os seus.

Lentamente, voltando a sua decisão inicial, a Perez afastou a coberta de seu corpo o suficiente para poder ver melhor o dele. A luz do sol, que as cortinas brancas nas portas de vidro da varanda não continham, clareava o suficiente para Paulina reparar em cada detalhe do corpo do Salvatore. Com ele acordado jamais teria coragem de observar os ombros largos e os músculos definidos de seus braços e tórax, muito menos deter os olhos na parte que despertava sua curiosidade.

Como imaginara: ele estava excitado. O que era estranho, levando em conta que dormia. Ergueu o olhar uma última vez, só para constatar que continuava no mesmo estado, depois o baixou analisando o volume na cueca. Era loucura sequer desejar remover o pano, mas a ideia ainda assim passou pela mente de Paulina.

— Quer que eu tire a cueca para olhar melhor?

A voz rouca fez Paulina dar um pulo de susto e olhar para Simon. Ele a observava com olhos semicerrados pelo sono.

— Eu só estava... É que ontem... Você... Então pensei...

— É um belo exercício, mas odeio completar frases sem nexo. — Simon tocou a face dela com o polegar, acariciando a bochecha ruborizada. — Mesmo com cara inchada, cabelo emaranhado e bafinho, sua gagueira é o pior de manhã.

Paulina fechou a cara, os lábios comprimidos diante da afronta.

— Vamos, seja sincera e fale o que te passa na mente. — ele ordenou deslizando o dedo pelos lábios fechados.

Se era sinceridade que ele realmente queria...

— Você também não é lindo quando acorda, e seu hálito não é dos melhores... — ela respondeu, vendo-o abrir um sorriso despudorado.

— E, depois da análise, como classificaria o meu corpo pela manhã?

— Eu não analisei! — ela se defendeu, desviando os olhos para o travesseiro dele.

— Ora, vamos! Seja honesta, peguei você! — ele acusou, rindo por dentro com a inquietação dela.

— Eu só pensei... É que ontem...

— De novo a gagueira? — Simon reclamou. — Confie em mim Paulina, seja qual for sua dúvida, não é caso para tanta vergonha.

Tensa, Paulina respirou fundo e observou o peito de Simon, evitando seus olhos ao falar baixinho:

— É que pensei em como seria beijar você... Como você me beijou ontem... Embaixo... — confessou, fechando os olhos por um instante.

— Fazer um boquete? — Simon perguntou, sem esconder a surpresa.

— Bem, eu tenho que imitar tudo que você faz... logo pensei...

— Isso é algo negociável. — ele a interrompeu com seriedade, embora seu tom beirasse o gentil ao informar: — Você não é obrigada a isso!

— Mas você fez em mim... — protestou sem entender.

— Eu fiz porque queria fazer. Teve mais a ver com desejar seu corpo do que ensinar algo ou esperar que fizesse o mesmo. — Encaixando o indicador e o polegar no queixo feminino, moveu o rosto dela para olhá-la de frente. — Você é tentadora. Cada vez que geme e grita de prazer, fico louco por mais. Se você quisesse Paulina, transaríamos nesse exato minuto.

— Eu... Eu não grito... — ela se queixou em um fio de voz, ardendo de desejo quando a mão dele desceu pela lateral de seu corpo e apalpou sua bunda.

— Ah, grita sim, amor... — ele afirmou, abrindo um sorriso devasso. — E eu posso provar!

E sem esperar por qualquer resposta, Simon puxou-a mais para si e beijou seu pescoço, enquanto a mão grande fazia seu caminho para o palpitante sexo feminino. Inebriada pela expectativa do prazer, Paulina gemeu baixinho, levando suas mãos para os cabelos negros dele e erguendo a perna involuntariamente, envolvendo a cintura dele e o puxando para si.

O Salvatore também gemeu, e não se conteve em subir o corpo e ficar ligeiramente sobre ela. Ao contrário do que ele pensava, a doce e pura governanta não se assustou ou se afastou; ela simplesmente jogou a cabeça para trás e expôs ainda mais o pescoço alvo para ele. Nesse instante, Paulina soltou seu primeiro gemido mais alto, e ele deu graças a Deus por ainda estar com a cueca... Ou acabaria fazendo amor com aquela mulher sem nem ao menos pensar nas consequências.

Paulina também não estava em melhores condições. Estava pronta para mais uma das lições quentes e desejosas que seu chefe experiente sabia lhe dar com maestria. No entanto, Simon se afastou com a expressão dura e esbravejou para surpresa da Perez.

— Ah, merda!

Ela o encarou espantada e abriu a boca para questionar, mas o som da campainha cortou sua tentativa e esfriou todo fogo do desejo que a dominava. Só havia uma pessoa que o porteiro não anunciava. Uma pessoa que tinha a chave do apartamento e o usaria se ninguém a atendesse em alguns minutos.

Como um raio, Paulina se desvencilhou dele e pulou da cama, pouco se importando por estar praticamente nua da cintura para baixo, e correu para seu quarto, antes que fosse flagrada na cama do Salvatore.

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