Capítulo 2 – A escuridão antes do amanhecer
Seus olhos estavam se fechando, exaustos depois de mais de 48 horas abertos. Queria continuar dirigindo, pois faltavam só algumas horas para chegar em casa.
Casa.
A palavra ainda soava estranha para ela.
Sakura morou no orfanato quando era pequena até completar 18 anos. Depois disso morou em sete apartamentos, sendo somente o último completamente seu. Nunca morou em uma casa, e nunca considerou nenhum desses lugares sua casa.
Uma casa era um lar, um local onde se sentisse confortável e segura, um lugar com amor e carinho. Nada do que teve até hoje chegava perto disso.
Seu último apartamento, agora deixado para trás, era o mais perto que teve de uma casa, mas ainda não era sua, nunca havia sido. A prova estava no despejo que sofreu, dois dias antes.
Mas agora tinha uma casa.
Podia ser estranha, e acompanhada de instruções e condições bizarras, deixada por uma vó que ela nem mesmo sabia que existia até 72 horas atrás, mas era sua, e ela estava disposta a transformar em um lar.
Exausta, Sakura procurou um hotel na beira da estrada. Assim que parou o carro, tentou ouvir algum som da caixa no banco de trás, mas eles estavam em silencio desde o almoço, quase doze horas atrás. Provavelmente tinham comido muito e depois dormido.
Sua cabeça tombou para frente, com os olhos pesados.
Suspirando, desceu da lata velha e caminhou até o que parecia ser a recepção. Um velho folheava uma revista pornô, e nem se preocupou em esconder quando ela se aproximou.
Sakura observou os seios empinados na mulher da cama, naquela pose erótica, e então voltou sua atenção para o homem que lia a revista. Se é que se pode ser chamada de leitura. Ele só folheava, sorrindo a cada imagem.
Iria trancar bem sua porta quando fosse se deitar.
Os olhos castanhos lhe observaram, medindo seu corpo em uma lentidão agoniante.
Ela cruzou os braços, limpando a garganta.
O olhar do velho subiu ao seu rosto, e a revista foi deixada de lado. Um pequeno sorriso preenchia a pele enrugada do homem, e a gordura do seu braço balançou quando ele moveu a mão para cima do balcão. Um cheiro forte a atingiu, e ela ficou em dúvida se tinha banheiros nessa espelunca velha.
- Boa noite – o homem falou, com uma voz baixa e esquisita, como se não a usasse com frequência.
- Boa. Gostaria de um quarto, por gentileza.
Ele lhe mediu de novo, e Sakura cruzou os braços mais forte em frente ao corpo quando os olhos do homem focaram nos seus seios. Velho nojento.
- O que a atrás a cidade?
Ela manteve o rosto fechado.
- Estou só de passagem.
Não era mentira.
A casa ficava há quase duas horas da cidade, e esse hotel a quase uma hora de Konoha. Pelo que tinha visto no mapa, tudo isso já fazia parte da não tão pequena cidade, apesar da distância longa. O segredo, de acordo com o homem do último posto que parou para abastecer e comprar um refrigerante, era olhar a floresta. Konoha era totalmente cercada pela mesma, e assim que ela começava, os limites da cidade também.
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Alphas
FantasySakura Haruno estava acostumada a se meter em encrenca - afinal, havia crescido em um orfanato -, porém, essa era de longe a pior situação que ela já havia se metido. Sem emprego há duas semanas, sua conta no banco estava completamente zerada, contr...
