012.

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A companhia de Sam, infelizmente, não pôde durar muito. Benjamin Harvey precisou que o filho lhe ajudasse com algumas coisas, o que levou Tecna a ter que deixar o amigo livre.

Enquanto andava pelo jardim de Alfea, na estrada de terra estreita, a fada da tecnologia sentia seu celular vibrar no bolso. Revirando os olhos, Tecna checou mais uma vez a tela brilhante do aparelho eletrônico.

"Estou livre agora. Quer ir treinar? ;)" - Riven.

"Será que dá pra me atender?"
"Deixa de ser teimosa, Tec!" - Sky.

Rindo sem humor algum, a especialista xingou baixinho:

- Babacas.

Continuando seu trajeto, Tecna sentiu quando passos rápidos começaram a acompanhá-la. Fingindo não notar, a garota seguiu em silêncio, tentando não se deixar intimidar.

Entretanto, o homem dos cabelos castanhos, não parecia estar disposto a desistir. Como quem não quer nada, Electronomo Regnum pigarreia alto o suficiente para que a filha bufasse, irritada.

- O que você quer? - perguntou por fim, evitando contato visual com seu progenitor.

- É assim que você fala com seu pai? - o rei de Zenith devolveu a pergunta. Tecna olhou-o de soslaio, notando então que agora o homem vestia o uniforme dos especialistas.

De alguma forma, aquilo fez com que a raiva voltasse à pulsar em suas veias - vê-lo daquele jeito, tornava tudo ainda mais real. Ele realmente estava ali e não iria embora tão cedo.

- Você já falou comigo de formas muito piores, rei - retrucou, arrastando a fala quando chamou-o pelo seu título. - Sinceramente, cara, não estou muito afim de ter contato com você.

Parando, Tecna cruzou os braços e se virou para encarar o mais velho, finalmente. Erguendo a postura, o Regnum lançou seu melhor olhar repreendedor para a fada.

- Não terá escolha - respondeu, de forma simples. - Estou aqui agora e, querendo ou não, sou o seu pai. Terá que lidar com isso.

A acastanhada riu.

- E eu sou a sua filha! - exclamou. - Isso mudou alguma coisa em sua vida? Fez com que não tivesse escolha? Porque pelo o que eu saiba, você escolheu e a escolha não foi eu - continuou, gesticulando com uma das mãos. - Você nunca se esforçou para lidar com isso, porque acha que serei diferente? Não confunda as coisas, Electronomo, você nunca foi e nunca vai ser o meu pai.

Sem esperar por uma resposta, Tecna se virou e voltou a andar, apressada. Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha e a fada da tecnologia se xingou por isso.

Não podia dar à ele o gostinho de sentir sua dor.

E, como uma maneira de deixá-la ainda mais irritada, seu celular voltou a tocar de forma frenética. Sem ler o nome de quem lhe chamava, a acastanhada atendeu de uma vez.

- Não quero falar com você, será que não entendeu ainda? - respondeu, ríspida.

- Uau, desculpa - a voz suave de Terra respondeu do outro lado da linha. - Não sabia que estava zangada comigo, eu...

- Não! - Tecna tratou em cortá-la. - Mil desculpas, Terra, eu pensei que fosse o idiota do meu irmão... Sinto muito, não estou brava com você.

A fada da Terra riu.

- Tudo bem! - assegurou. - É... eu sei que você disse que não iria fazer parte do plano da Stella, principalmente após a discussão de vocês, de hoje mais cedo e tal...

- Terra, direto ao ponto - pediu, já imaginando o que a amiga iria querer. - Por favor.

- Será que poderia me ajudar com o Zambak? O Silva irá ver o Queimado e eu ainda não consegui sozinha... Musa está aqui, mas, ela não sabe muito bem como mexer com essas coisas.

A especialista fechou os olhos.

- O que você não me pede sorrindo, que eu não faço chorando, Terrinha? - brincou, ouvindo mais uma vez a amiga rir. - Estou a caminho.

•••

Andando apressadas por cima da grama verde, Tecna, Terra e Musa se direcionavam até a barreira, onde as outras fadas já lhes esperavam.

De longe, podiam ser vistas. Aisha e Bloom conversavam sobre algo, enquanto Stella... Bom, agia como sempre: os braços cruzados e a expressão amarrada.

Terra foi a primeira a correr até as amigas, o vidrinho com o líquido amarelado pelo Zambak em uma das mãos e um sorriso animado nos lábios.

A medida que se via mais próxima à barreira, mais Tecna diminuía seus passos. A mente voltando ao encontro desagradável com o corpo desfigurado, lembrando à garota do que lhe esperava do lado de fora, caso tudo desse errado.

- Está tudo bem - a voz de Musa chegou ao seus ouvidos. A fada da mente tocou de forma leve no braço da acastanhada, que só então notou que havia ficado paralisada, de repente.

Tecna encarou a nova amiga ao seu lado, seus olhos castanhos se chocando com os arroxeados de Musa, que sorriu.

- Você não precisa ir.

- Não - negou, puxando o ar com força para seus pulmões. - Eu estou bem... Quer dizer, podemos ir.

- Vamos estar juntas, dessa vez - Musa continuou. - Não vai acontecer nada, se cuidarmos umas das outras.

A fada da tecnologia assentiu. Segurando com força uma das armas que havia levado - por precaução -, Tecna devolveu o sorriso que a outra lhe entregava.

De longe, Stella apressava as duas fadas, já sem paciência para esperar por elas.

- Agora vamos antes que a loirinha ali, exploda de raiva - definiu Musa, arrancando uma risada da especialista.

Ainda sentindo o receio de Tecna e sabendo o esforço que a mesma fazia para seguir adiante - mesmo com medo -, a fada da mente segurou na mão da garota, andando lado-a-lado com a nova amiga e tentando passar a confiança necessária que a acastanhada precisava.

••••••

𝐢. 𝐄𝐋𝐄𝐓𝐑𝐈𝐂 𝐋𝐎𝐕𝐄. ! ༉ 𝗿𝗶𝘃𝗲𝗻 (𝐢𝐧 𝐡𝐢𝐚𝐭𝐮𝐬)Onde histórias criam vida. Descubra agora