Faz duas semanas que eu tinha chegado à Coreia, duas semanas que tentava falar com Henry, Peter, Siwoo e nenhum deles me respondia, e que não sabia nada sobre Christopher. Não liguei para ele e ele também não ligou e nem me enviou mensagens. Eu esperava que ele fosse me ligar, mas, porra! ele não fez isso!
Minha cabeça criou paranoias e comecei a achar que ele tinha esquecido de mim, pois tinha inúmeras pessoas que estavam dispostas a estar em sua cama, e que eu não significava nada para ele. Christopher ficou em meu apartamento e eu esperava que o desgraçado não tivesse levado ninguém para lá. Eu o xingava antes de dormir mentalmente e então chorava com saudades dele.
Eu estava na merda. A que ponto eu tinha chegado chorando por causa dele.
Eu gostava de estar em casa, mas sentia falta de estar nos Estados Unidos e sempre que parava para pensar, chorava por não ter conseguido a simples tarefa de concluir uma faculdade. A culpa de ser um péssimo amigo gostava de me assolar às vezes quando eu estava distraído. Eu ia todos os dias para a academia do meu pai e ajudava em qualquer coisa que não me fizesse colocar um par de luvas ou me aproximar demais do ringue, não me incomodava em lavar o banheiro, se isso significava que não iria voltar a treinar. Porém, essa decisão não era fácil, constantemente recebia indiretas dos meus pais e de Dak, ele estava na minha cola com todo aquele papo de que eu estava de volta e que podíamos voltar a ser o que éramos.
Eu sentia falta de Christopher, sentia falta até dele me irritando e me chamando de Lindinho o tempo todo. Aquele filho da puta pervertido. Queria que as coisas fossem menos dolorosas e que eu o esquecesse de vez, no entanto toda a minha vida na Coreia me lembrava dele, porque ele era um lutador mesquinho e eu vinha de uma família de lutadores. Quanto mais tentava esquecê-lo, mais lembrava e via o quanto nós dois estávamos errados.
Coloquei o quadro do meu pai em cima da prateleira, havia acabado de limpar toda sua sala. Olhei pela janela, vendo Dak sob o ringue, ele era o projeto perfeito do meu pai. Suspirei, cruzando os braços. Papai o havia treinado para ser incrível e queria que eu fizesse isso também, que eu fosse assim e continuasse com seu legado, contudo eu odiava aquilo, a violência do ringue. Eu a odiava, mesmo que tivesse uma parte dela em mim.
Eu queria mudar isso, estava tentando mudar.
Sentei-me no sofá, pegando meu celular no bolso e o desbloqueando. Eu havia mandado textos para os meninos e eles visualizaram, mas não me responderam. A parte boa era que isso significava que eu não estava bloqueado. Rolei a tela para baixo e lá estava minha última conversa com Christopher, ele pedia a porra de um pacote de salgadinho no qual era viciado. Ri, ele era uma criança. Respirei fundo, encostando a cabeça na almofada. Nós éramos o pior casal da face da terra, éramos tão idiotas e errados.
Encarei a porta quando ela abriu e Dak entrou, ele estava suado e com os cabelos jogados para trás, seus músculos estavam tensionados e duros e o suor escorria por seu pescoço. Olhei para ele e revirei os olhos, voltando meu olhar para a tela quando ele abriu o freezer, tirando uma garrafa de água.
— Yu, por que não damos uma volta hoje à noite?
— Não estou a fim — respondi sem olhá-lo, me assustei quando ele tocou em meu pescoço e me afastei. — O que está fazendo?
— Notei que quando você chegou tinha alguns chupões no pescoço.
— Não é da sua conta — me levantei e ele segurou em meu braço, me puxando para perto, olhei para ele.
— Estava namorando alguém?
— Minha vida não é mais da sua conta Dak — ele suspirou.
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Underground dentro do Ringue ( Original Version)
ActionSérie Mafia Portinari ( Livro 1) VIOLÊNCIA/ LUTAS/ TRANSTORNO/ LEMON HARD/+18 Min Ryung é filho do ex-lutador mundialmente famoso, o grande Zeus. Nascido no mundo do ringue,todos esperavam que ele seguisse a carreira do seu grande pai, porém quando...
