Capitulo 15 Sentimentos de Culpa

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Papai dizia: "assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda uma vida". A pior parte da mentira é quando você a confunde com a verdade. A mentira manipula até quem está mentindo e a pessoa enganada não é a única a entrar nessa ilusão. Querendo ou não, o mentiroso precisa estar dentro dela, sentir da mesma forma que os enganados; e o risco é você se iludir também, mas quando ela quebra; os primeiros a cair são os mentirosos. 

Respirei fundo olhando para o baralho nas mãos se Christopher. Fomos à casa de Siwoo depois que ele insistiu para irmos lá, e assim ele e Dylan pudessem conhecer Christopher melhor. Depois de comermos na cozinha, estávamos na sala jogando cartas. Christopher estalou o pescoço e eu estiquei olhando seu jogo, pois não sabia jogar, então não fazia ideia se ele estava ganhando ou não. Seus olhos virem para os meus e seu braço passou pelos meus ombros, fui puxado contra seu corpo e ele avaliou o fundo da minha alma com seus olhos verdes intensos. 

Eu não estava confortável desde que tínhamos chegado, era tão absurdamente sufocante mentir para Dylan e Siwoo. Porra, e nem sabia o que estava fazendo. Naquela manhã eu tinha acordado nu ao lado de Christopher, nós tínhamos transado na noite anterior e agora minha mente estava uma completa bagunça. Aquela situação estava fora do controle e sempre odiei quando não podia manter as coisas que estavam sob minhas ordens. Não sentia que era Arcângelo a tomar as rédeas, ele parecia tão desgovernado quanto eu. 

— Você pode dormi Lindinho, quando terminar eu te acordo — olhei de relance para os meus amigos, notando como Siwoo estava prestando atenção na nossa interação. Aquilo não era bom. Queria fugir. Sentir Christopher colar a boca contra a minha orelha. — você esta a dois passos do surto? — balancei a cabeça de forma desesperada em concordância.

— vamos embora — Christopher anunciou jogando as cartas sobre a pilha segurando no meu pulso para me levantar 

— vocês podem dormir no quarto que era do Ryung — Dylan disse chamando nossa atenção  — se estão cansados. 

— fiquem até o jantar, eu quero cozinhar hoje — Siwoo disse, tranquei o maxilar 

— ok — falei com um sorriso apertado, Arcangelo me mandou um olhar reprovador, mas eu o ignorei — eu vou deitar, continue jogando — falei olhando para Christopher, puxando minha mão e caminhando pelo o corredor que eu conhecia muito bem. 

Quando cheguei ao quarto, encarei a cama da qual eu dormi quando morava com os meus amigos. A dor forte bateu em meu peito. Como eu poderia estar fazendo isso com eles? A ideia de ser deportado parecia muito melhor do que ter que encara-los, ao invés deles descobrirem a verdade. Joguei-me na cama, afundando o rosto no travesseiro. Olhei sobre os ombros quando a porta foi fechada. Christopher me fitou. Engoli em seco sentindo o coração disparado quando ele deu um passo em minha direção. 

— vamos embora — Ele falou levantando a sobrancelha. 

— não — respondi voltando a afundar meu rosto no travesseiro 

— você quer ir embora — ele insistiu e senti a movimentação na cama ao que ele subia nela. 

— sim, mas vamos ficar porque não tenho dado atenção aos meus amigos ultimamente. 

Olhei para o lado quando percebi que Christopher se deitou com o rosto no mesmo travesseiro que o meu. Não consegui desviar os olhos dos seus ao senti-lo colocar uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Seu polegar esfregou meu queixo, arfei me virando de costas para ele. Minhas bochechas arderam e eu coloquei a mão contra o peito no sentido acelerado. Mordi o lábio inferior, enquanto ele se aproximava abraçando minha cintura, fechei os olhos com força antes de me virar me encolhendo nos seus braços. Ah… infernos… Christopher beijou a minha testa, esfregando as minhas costas. Levantei o queixo o assistindo fechar os olhos e apenas ignorei todas as perguntas que brotaram na minha cabeça e obriguei-me a dormir como ele. 

Underground dentro do Ringue ( Original Version)Onde histórias criam vida. Descubra agora