28. Dose Dupla

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Começa com um corredor vazio.

É extremamente branco, frio e polido. Alguns médicos e enfermeiras andando pelo salão como se estivessem em um desfile. Seus uniformes bem passados, portas abrindo e fechando-se em um ciclo vigoroso. Uma discussão com a recepcionista sobre quatro adultos, uma criança, e um cachorro precisarem urgentemente invadir uma sala de parto é ouvida de longe. É a nossa discussão, por um bem maior.

Os bebês de Sarah nasceriam naquela noite de oito de novembro. E a publicitária havia dado entrada em seu trabalho de parto há mais de duas horas.

Assim que Louis encerrou a ligação, tudo discorreu de forma extremamente veloz aos meus olhos que nunca havia presenciado o nascimento de uma criança. Casacos foram jogados entre a sala de estar do advogado, sapatos eram calçados desajeitadamente, e Amélia quase foi derrubada por Cometa quando tentou prender sua guia azul à sua coleira, agitando-se, quase como se esperasse algo grandioso acontecer. Faltou muito pouco para eu não notar todos os lances de escadas ao trancarmos o apartamento e descermos ferozmente a fim de entrarmos no carro rumo ao hospital, este de seu recente retorno do mecânico após o conserto dos freios de mão.

Tudo aconteceu rápido demais para que eu conseguisse processar, e eu não era um grande fã de hospitais. Para ser sincero, eu os evitava tanto quanto o diabo fugia da cruz. Tudo naquele tipo de ambiente me causava desconforto: As paredes extremamente brancas, o chão milimetricamente limpo, o ar insuportavelmente gelado, os choros terrivelmente altos das salas de emergência, o desespero inteiramente notável na respiração de familiares. Minha pele arrepiava só de pensar nos sorrisos ensaiados dos médicos, em sua neutralidade e no quanto eles pareciam demonstrar quase e nenhuma emoção. Aquilo me incitava à uma sensação ansiosa enlouquecedora. Eu odiava neutralidade, odiava ver que sentimentos estavam sendo encobertos, sem chance de conseguirmos ver alguma fagulha de emoção crua e verdadeira.

Então, quando Louis desistiu após as inúmeras tentativas de convencer a recepcionista de St' Mary a entrarmos na sala de parto, não tivemos outra alternativa a não ser aguardar até que Sarah fosse encaminhada para seu próprio quarto ao final de tudo.

- Niall disse que ela queria parto normal. - Louis murmurou em dado momento enquanto aguardávamos sentados em cadeiras levemente desconfortáveis. Ele aceitava o copo de água que eu o oferecia. - Mas... Não sei. Eles estão há muito tempo em trabalho de parto.

Havia cerca de uma hora e meia desde que havíamos chegado - acompanhados por Zayn e Liam que, ao tornarem conhecimento da situação por ligação, correram ao nosso encontro para oferecer todo o suporte que Niall e Sarah iriam precisar - e Tomlinson, no qual por pouco não perdeu seu réu primário, enredou uma notável discussão com a recepcionista para que Cometa pudesse ficar conosco, afinal, ele não poderia ficar sozinho. O advogado chegou a buscar o exato código da lei que permitia animais de estimação no espaço hospitalar, que aquele era um direito alegado por lei e que iria entrar de qualquer jeito conosco.

Tudo bem que Louis havia, levemente, distorcido a verdade alegando que Cometa era o animal de estimação da paciente, mas isso era apenas um mero detalhe.

Desde então, havíamos sido transferidos do salão principal para uma sala de espera menor. As janelas do ambiente iam do teto até o chão, evidenciando todo o céu estrelado. Como já era madrugada, não haviam muitas pessoas ali além de nós e algumas enfermeiras passando de corredor para corredor, e a irritante voz metálica falando a cada dez minutos sobre troca de turnos e salas necessitando de alguma dessas enfermeiras.

Learning to Fall in Love | l.sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora