Prólogo

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Quando quase tive meu corpo empurrado da cama em direção ao chão frio não foi uma surpresa tão grande. E menor ainda foi quando um pequeno ser humano de cabelos loiros bagunçados e grandes olhos castanhos pulou por entre os lençóis e se ajeitou no centro dos mesmos, com um minúsculo livro colorido nas delicadas mãos cobertas pelas mangas do pijama de corações rosa.

— Posso saber o que a senhorita está fazendo fora da sua cama a essa hora da noite? — perguntei  fingindo um tom firme, mas quebrando em uma leve risada quando a pequena formou um biquinho doce nos lábios.

— Papai, eu não posso dormir agora! As estrelas já estão aqui! — a menina disse com o rosto banhado em ansiedade, oferecendo um sorriso travesso e engatinhando até a pequena janela colada a cama, puxando com certa dificuldade as cortinas e tendo que pedir auxílio para abrir as vidraças grossas.

— O que quer dizer, Amélia? É alguma das suas histórias de novo? — disse ajudando minha pequena a abrir as janelas e deixando um céu limpo e com vários pontinhos brilhantes exposto, apenas para nós dois.

E wow. Eu podia jurar que o céu estava mais iluminado naquela noite. Poderia jurar de verdade que nunca havia visto tantas estrelas espalhadas. E podia jurar que eu mesmo estava brilhando também ao ver os olhos atentos e curiosos de minha filha diante daquele teto reluzente banhado pela escuridão e pela luz lunar.

— Não papai. Essa é de verdade. Tá tudo aqui, olha. — dizia apontando para o livrinho estendido em seu colo e abrindo o mesmo, procurando uma página específica. — "Então a princesa olhou pro céu e viu a estrelinha mais brilhante, fez um desejo de coração e fechou os olhos para ele se realizar". Temos que fazer um pedido igual a princesa, papai. Agora escolhe a estrelinha mais brilhante, tá bom? E tem que fechar os olhos se não não funciona.

Soltei talvez o primeiro sorriso verdadeiro do dia quando ela ficou de joelhos na cama e jogou-se em meu abraço de urso, levantando as palmas e cobrindo meus olhos, deixando-me na escuridão total.

Tem que ser de coração, papai.

Suspirei, assentindo ao pedido e retirando com cuidado suas pequenas mãos, a vendo já com os olhinhos espremidos, possivelmente já fazendo o próprio pedido.

Então, sentindo uma vontade estranha, subi meu próprio olhar para o céu, vendo no topo mais alto do céu a estrela mais brilhante, soltando a respiração devagar, e assim fechando os olhos por um efêmero momento.

Apenas um efêmero momento.

Honestamente, eu não poderia estar mais perdido e sem esperanças sobre a vida. As contas estavam cada vez mais altas, os papéis do terceiro divórcio encontraram o caminho de meu apartamento e o tempo parecia criar vida própria.

Eu estava tão esgotado. Tão cansado.

Que as coisas comecem a dar certo dessa vez.

Assim, abrindo os olhos, vi minha pequena que me olhava com curiosidade e um pequeno sorriso nos lábios delicados.

Desejar de coração, não é?

Com uma pequena risada ecoando pelo quarto, fomos dormir sob um céu olhando para nós dois. E talvez, só talvez, as estrelas realmente tenham ouvido as batidas de nossos corações naquele dia.

Só talvez, as estrelas tenham ouvido o meu suspiro quebrado se misturar com o vento que se partia pelas grossas paredes da casa.

Só talvez, as estrelas tenham atendido ao meu pedido de coração.

Learning to Fall in Love | l.sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora