2.0 - perder noites de sono só para te ver dormir

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2023
Rio de Janeiro, Barra

Foi necessário um único indício de choro para que ela despertasse do sono leve, no qual era embalada.
Se levantou de maneira rápida e nem precisou abrir os olhos para chegar ao cômodo de objetivo, fazia isso por instinto e memória muscular, afinal, já fazia dez meses desde que sua nova rotina havia começado.

- Ei, meu pequeno lírio...A mamãe tá aqui. - Sussurrou, já entrando no quarto, cuja porta havia uma plaquinha com o nome de sua dona. - O que foi?

Se aproximou do berço, pronta para pegar o corpo pequenino e rechonchudo.
Ao apoiar a cabeça da bebê no lado esquerdo do colo, bem sobre seu coração, e começou a fazer movimentos estáveis, cantarolando uma melodia calma.
Como mágica, a menininha de olhos castanhos, como os da mãe, se tranquilizou, suspirando pesadamente, pronta para voltar a dormir, agarrada em uma mecha de cabelo que caia delicadamente nos ombros da mulher que lhe dava afago.

- Que prazer mais egoísta de cuidar de outro ser...- A mãe murmurou a mesma música que sempre acalmava a bebê. - E é por isso que te chamo, minha flor, meu bebê...- Terminou rindo de leve, da maneira que a pequena ronronava em seus braços, como se fosse um gatinho cansado depois de um longo dia.

- Por que você não me acordou para vir ficar com ela? - Um homem surgiu, no batente da porta do quarto. - Você é quem sempre vem, não cansa?

- Eu não me importo. - E era verdade.

Giovanna não se importava em perder uma noite inteira de sono só para ficar com sua bebê, que acordava, de vez em quando, em um choro desesperado, pedindo por carinho como se pedisse por socorro.

Por e para seu pequeno lírio, ela faria de tudo. Enfrentaria o mundo, destruiria continentes e provocaria tsunamis, para mantê-la bem, para mantê-la à salvo.

Já havia errado muito no passado, não faria o mesmo agora. Não, ela não deixaria que nada, nem ninguém, a fizesse errar. Não com Lilian.

Leonardo, seu marido, saiu do cômodo, voltando para a cama, com a mesma cara de estresse e irritação, por ter sido acordado no meio da noite, de sempre.

Ela sabia que ele amava a bebê, mas também sabia que não tinha muita paciência para algumas tarefas, por isso, se incobria da maior parte delas. Para ter certeza de que tudo saísse perfeito.

Com as pernas já cansadas de ficar de pé, Giovanna se sentou na poltrona de amamentação, fazendo carinho nas costas da filha, que agora dormia um sono profundo.

Não pregou os olhos até que o sol nascesse e fosse tarde demais para que dormisse novamente. Tinha coisas a fazer durante o dia e teria que deixar a pequena em casa, por duas horas aos cuidados do marido.
Ela nunca havia ficado tanto tempo longe de Lilian, não desde que a menina nasceu. Estava apreensiva.

O despertador logo tocou, a fazendo levantar da poltrona e colocar a bebê no berço.
Seu corpo reclamava de dor, mas ela ignorava a pressão muscular.

Ao sair do quarto da filha, foi direto para o closet, escolheu uma roupa e se enfiou no chuveiro.
A água era fria e escorria por sua pele quente, arrepiando todo seu corpo, a fazendo despertar por completo. Lavou os cabelos e os penteou, com calma, como se quisesse demorar o máximo que conseguisse para não ter que sair e encarar o mundo que a esperava do lado de fora de seu apartamento.

Codinome Beija-Flor | GNHistórias para pegar e não largar. Descubra agora