TW: Transtorno alimentar
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2023
Rio de Janeiro, Projac
Para Giovanna, a liberdade de sentir abertamente, em frente ao mundo, através das entrelinhas e nuances de suas personagens, era a melhor parte de seu trabalho.
Era para uma câmera ou uma plateia, que ela entregava seus maiores atos de vulnerabilidade e realidade. Era ali, onde qualquer um podia ver, que ela se permitia ser pura, nua, transparente.
Chegava a ser engraçado como muitos especialistas elogiavam seus trabalhos com palavras como talento, técnica, perspicácia.
Não estavam errados. Porém, também não estavam completamente certos.
Quando Giovanna Antonelli atuava, ela se conectava, sentia...Se tornava. Nos momentos mais tensos, não era o talento que ela buscava, mas, sim, a simplicidade da vulnerabilidade e da transparência humana presentes em qualquer um.
Entretanto, naquela sala, com a cintura rodeada pelas mãos quentes e familiares de Alexandre, se odiou por deixar-se misturar à personagem, por perder-se no labirinto de emoções que não sabia definir ao certo se lhe pertenciam ou se eram de Íris.
Giovanna estava à beira de um abismo, sentindo-se tentada a pular e se entregar ao momento e colocar para fora a raiva e paixão guardadas em seu peito para o homem à sua frente.
Nero a puxou para si, afundando o rosto no abdômen feminino.
Antonelli, ao sentir a umidade da lágrima do músico ultrapassar os fios têxteis de sua blusa, fechou os olhos e respirou fundo, colocando a mão na nuca dele.
Usando sua personagem como ponte para a realização de seus desejos mais profundos e proibidos, acariciou o cabelo dele, notando que, ao toque, lhe parecia igual à anos atrás.
Como resposta, os dedos em sua pele coberta fizeram movimentos circulares, quase imperceptíveis, relaxando o corpo dela ao mesmo tempo em que o deixava em estado de alerta.
Ele ainda tinha efeitos sobre ela, sempre teria. As cicatrizes por ele deixadas, nunca se apagariam, assim como as estrelas, por ele também, desenhadas na extensão do corpo dela.
Alexandre seria um fantasma constante em sua história, como uma sina, um karma, que carregaria Giovanna pelo resto de seus dias e, talvez, por outras vidas também.
Ela o odiava por ser tão constante, em seus pensamentos, memórias e emoções.
Ela odiava à si mesma por deixá-lo fazer morada em seu coração, mesmo depois que ele foi embora sem olhar para trás.
- Excelente! Meu Deus, eu tô pasmo. - A voz de JEC quebrou o frágil cristal onde o ex-casal se inseriu, fazendo com que Giovanna se afastasse rapidamente, como se Alexandre fosse um elemento eletricamente carregado.
- Obrigada. - Sussurrou, limpando o rosto e abrindo um sorriso, voltando a vestir sua máscara habitual.
Era hora de retornar ao seu papel, alegre, espontâneo e tranquilo.
Era ao final do ato, quando as luzes se apagavam e a multidão saía, que a sua verdadeira peça teatral tinha início. Nela, Antonelli interpretava todos os papéis, sendo a vilã da própria história.
Olhou ao redor, encontrando expressões de admiração e emoção, aparentemente desacreditadas da sintonia que acabaram de ver ali.
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Codinome Beija-Flor | GN
RomanceQuando um jovem músico se apaixona por um beija-flor. TW: Relacionamento abusivo, agressão. (Os eventos descritos nessa história não possuem compromisso algum com a realidade)
