2023
Rio de Janeiro, Projac
Cientificamente falando, quando os níveis de dopamina do cérebro humano estão elevados é comum que esta influencie na percepção de tempo, estando totalmente associados à áreas do organismo correspondentes aos sentimentos, memórias e neurotransmissores, mas, para Alexandre, a velocidade dos segundos estava totalmente ligada à energia de sua parceira de trabalho.
Giovanna era uma força da natureza, daquelas que carrega, tudo e todos ao seu redor com força, como se fizesse questão de não passar desapercebida, como se não ligasse para o pensamento alheio e apenas se importasse em viver. Ela não ficava à ver navios, à ver a vida passar, não, ela era o próprio oceano, a própria corrente que carrega a vida.
Todos a sua volta sabiam disso. Alexandre sabia disso.
Os dois anos que passou ao lado dela na juventude, foram o suficiente para impactar toda a sua existência. Dois anos, ao lado de Giovanna, moldaram o decorrer de longos dezessete outros que seguiram. Esse é o poder dela, o tamanho da avalanche que sua simples existência provoca.
Quando esteve longe dela, Nero viu os dias passarem com lentidão, como se Cronos, o deus do tempo, estivesse embriagado em tamanha melancolia, que sentia preguiça de viver.
As árvores, no outono, perdiam as flores devagar e, na primavera, as ganhavam na mesma velocidade. No verão, a comida demorava para esfriar e a bebida para gelar, porém, os meses de inverno conseguiam ser pior. O frio britânico gelava seus ossos com tanta violência, que ele acreditava que o clima também o repudiava pelas decisões que tomou.
Ao voltar ao Brasil, ao entrar, novamente, na órbita de Giovanna, o tempo voltou a correr, a vida voltou a passar diante de seus olhos e as estações se mesclavam por tamanha rapidez.
De uma vez, seus dias voltaram a se basear na expectativa de ver a dona de seus pensamentos, novamente. De uma vez, o controle que tinha sob a própria vida lhe foi arrancado, novamente.
- Oi, boa tarde! - Disse, logo após bater de leve na porta do camarim.
Na sala, estavam Amora, Lilian e a babá da segunda, Fran. As adultas conversavam amenidades, enquanto Lily brincava no tapete interativo que Giovanna carregava para cima e para baixo, e, como de costume, a atriz estava, no momento, na área de maquiagem e cabelo do estúdio.
Somente por ela não estar lá, que ele podia estar. Somente porque Giovanna não estava por perto, que Alexandre podia realizar o desejo da bebê e pegá-la em seu colo, dedicando alguns segundos de sua atenção exclusivamente para ela, como se não houvesse mais ninguém ali além dos dois.
- O que cê tá fazendo aqui? - Amora perguntou, o encarando com olhos acusatórios.
- Seu Alexandre vem aqui todos os dias trazer um sanduiche e uma barrinha para a Dona Giovanna. - Fran explicou.
- É. - Ele concordou, sentindo-se, de repente, acanhado, como uma criança conversando com a diretora do colégio após fazer uma besteira. - A Giovanna não se alimenta bem e...Você sabe, nós vimos aquele dia. Eu fico preocupado.
- Não precisa se explicar. - A diretora da novela falou, com o cenho levemente franzido, assistindo a interação do homem e da filha da melhor amiga.
A bebê tinha as mãozinhas nas bochechas dele e ria das caretas que ele fazia, completamente à vontade com o músico, que sentia o peito borbulhar ao fazer a criança em seus braços rir.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Codinome Beija-Flor | GN
RomanceQuando um jovem músico se apaixona por um beija-flor. TW: Relacionamento abusivo, agressão. (Os eventos descritos nessa história não possuem compromisso algum com a realidade)
