2023
Rio de Janeiro, Projac
Giovanna sentia-se tão abalada que estava à ponto de vomitar.
Saiu da sala de reuniões praticamente correndo em direção à saída mais próxima, em busca de ar.
Sua cabeça latejava, seu coração palpitava, seu corpo formigava e tudo o que ela mais queria era acordar desse pesadelo. Era perceber que tudo aquilo não passava de uma projeção de seu inconsciente e que ela estava segura, longe dos fantasmas de seu passado. Longe dele.
Ela queria chorar ou rir, gritar ou falar absolutamente nada. Queria bater nele, por ter ido embora, por ter quebrado o coração dela e por tê-la feito passar pelo inferno logo depois de ter conhecido o céu.
Também queria abraçá-lo e se odiava por ser estúpida, fraca, idiota desse jeito, ele não merecia seu amor, não depois de tudo o que ela passou, sozinha, por culpa dele. Entretanto, seu coração era tão traíra quanto Alexandre e não conseguia não amá-lo, assim como não conseguia não odiá-lo.
Giovanna saiu dali, decidida à dar um jeito naquela situação.
Pediria demissão, exigiria que ele saísse do projeto, surtaria, espernearia, qualquer coisa!
Ela não podia conviver tão próxima à ele.
Como podia o destino ser tão filho da puta ao ponto de colocar Alexandre de volta em seu caminho da forma mais inesperada possível?
Como pode o cosmos ser tão sacana ao ponto de alinhar os planos dos dois justamente em um dos momentos mais vulneráveis dela?
- Ah que bom que você já saiu, Giovanna. - Leonardo surgiu, como uma ponte entre o passado, que ela acabara de vivênciar, e o presente. Carregava a filha deles de maneira desajeitada, e a garotinha chorava, balbuciando pela mãe. - Ela não para de chorar.
Quando ele passou Lily para os braços de Giovanna, a mulher se agarrou nela, imediatamente, buscando conforto em seu cheirinho de neném, em seu peso e no calor de sua pele.
Lily resmungou um pouco, quando seu rostinho gorducho encostou na mãe, que, só então, percebeu o quão gelada estava.
- Ô, meu amor. A mamãe tá aqui. - Para impedir que a deixasse cair, respirou fundo e se concentrou em suas ações.
Abriu, com cuidado, os botões do vestido, o suficiente para que conseguisse amamentar a bebê, e a ajeitou em seu colo.
Já sabia cada um desses movimentos de cor e salteado, por memória muscular.
Enquanto regularizava sua respiração, para que isso não agitasse Lilian, repetia para si mesma que estava tudo bem, que logo iria para casa e que, lá, ele não poderia a alcançar, a assombrar e a machucar.
- Não sei porque ela tá chorando assim. - Leonardo voltou a falar e ela quase revirou os olhos.
A resposta para o choro da bebê era óbvia. Mas como todo o resto das áreas de suas vidas, o que era óbvio para Giovanna, nunca era óbvio para Leonardo.
- É fome. - Se viu dizendo, com tédio, ao mesmo tempo em que outra voz completou a sua com a perfeição que apenas duas pessoas que conheciam a alma
uma da outra teriam.
Alexandre.
Não era de se surpreender que ele tenha a seguido, anos antes, ele não era muito diferente. Persistente, inconsequente, irritante. Continuava sendo assim, e, conhecendo o Alexandre do passado, ele tornaria as coisas mais difíceis do que já são.
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Codinome Beija-Flor | GN
RomanceQuando um jovem músico se apaixona por um beija-flor. TW: Relacionamento abusivo, agressão. (Os eventos descritos nessa história não possuem compromisso algum com a realidade)
