— Juliano, e se a gente fizer esse ano ser diferente?
— Como?
— Sei lá. É só quebrar tudo o que tem nos quebrado e ver no que dá.
— Eu nem sei como eu começaria a fazer isso.
— Talvez conversando com a sua mãe?
— Talvez. O que você vai fazer?
— Não sei ainda. Acho que vou morar sozinho. Sei lá, sinto que o meu ambiente tem me desmotivado a fazer tudo que eu quero fazer.
— Se minha mãe me expulsar de casa depois que eu falar com ela, vou morar com você, que deu a ideia.
— Bobão. Pode vir.
— A gente deveria fazer uma tatuagem também.
— Pintar o cabelo.
— As unhas.
— Acho que vou adotar um gato.
— Chama ele de Juliano. Daí você vai conhecer dois gatos que se chamam Juliano.
— Vou beber água e você vai dormir cedo.
— Vou mesmo.
— E nós devíamos fazer exercícios físicos também. E ter algum hobby divertido.
— Ok, calma. Uma coisa de cada vez, Greg.
— Mas tipo, quando eu digo hobby, quero dizer hobby mesmo. Mais como passatempo do que propósito de vida, tá bom? Viver com propósito é terrível. Eu não quero a gente deprimido daqui a um ano de novo, reclamando que passamos o ano tentando nos tornar os maiores "sei lá o quê" do mundo e não conseguimos, pensando que nossa vida não tem valor por isso, porque era o nosso único propósito e todas essas besteiras péssimas que nossa cabeça faz a gente pensar. Ou a gente faz a cabeça pensar, não sei exatamente como esse sistema funciona.
— Talvez a gente só deva parar de pensar daqui pra frente.
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Velho ano-novo
RomansTodo ano é igual na vida de Gregório, mas algo parece prestes a mudar quando ele conhece Juliano no mercadinho do bairro na noite de Réveillon.