Primeiro Circulo - Limbo

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A escuridão intensa e fria...

Observando os vultos brancos caindo como se fosse chuva. Chuva de almas... Uma delas passou perto de Lua atravessando sua mão, encarando a ex Divindade com uma expressão de terror e pânico, seu rosto era esquelético e as órbitas vazias.

Risadas eram ouvidas, um quarto chique com um lustre dourado. Um homem estava deitado na cama, saboreando um champanhe da mais cara, a mulher sorriu, apenas de lingerie enquanto montava em cima dele, enchendo cada pedaço do corpo do homem de beijos.

Por causa de gemidos e risadas, os dois não ouviram os passos de alguém subindo a escada. A silhueta preta surgiu na porta, o homem e a mulher arregalaram os olhos quando viu o cano da arma apontado pra si. Tudo escureceu e o barulho de dois tiros foram ouvidos...

Um grito feminino saiu da boca daquela alma que caiu disparado.

Uma mão gigante segurou Lua. Os olhos grandes e luminosos no tom vermelho encarava com imponência e intimidação. Logo mais dois pares de olhos encarava a ex Divindade.

— Divindade da Noite... Entidade Celestial — Um deles falou. Deixando-a cair que foi segurada por outra mão.

— Hehe... A situação não está boa pra você. — A segunda voz falou. — Traição e sangue de inocentes em suas mãos...

— N-Não... Foi isso que... — Ela falava com a voz fraca e cansada, mal conseguia abrir os olhos. — Q-Que aconteceu...

— Não? — A terceira voz estranhou. Pegando Lua bruscamente, a segurava pendurada pelas roupas. — Mas, a vida toda observamos vocês. E tudo está aqui. — Tocou com o dedo gigante a testa de Lua. — Desde o seu nascimento até a hora de agora.

A pequena pedra na testa de Lua brilhou, um clarão tão grande no qual cegou todo ao seu redor.

E o Senhor disse: Que Haja Luz.

Da escuridão nasceu a luz, diferenciando o dia e a noite. O surgimento de seus Serafins representantes no qual adormeciam, até estarem prontos pra nascer.

No segundo dia, os céus foram separados da água dando vida aos oceanos e mares. Mas, no quarto dia, se criou a lua e o sol com as mesmas se alinhando nos céus, seus governantes nasceram.

Assim como todo começo da história dos Deuses, com essa divindade não foi diferente...

A criança de cabelos brancos olhava curiosa aquele campo vazio, encarando a lua prateada no céu, iluminando o céu em uma majestade magnífica, ao estender a mão deu um toque no ar, e com esse toque surgiu naquele manto azul escuro um ponto branco e brilhante. Fascinada, ela tocou de novo e de novo, trazendo mais e mais pontos brancos e brilhantes enfeitando aquele céu, imaginando o quanto seria lindo aquele céu vazio todo enfeitado com aquelas preciosidades, corria em direção ao horizonte enquanto tentava encher o quanto podia daqueles pontos, em seus olhos azuis transmitindo o fascínio e esperança de ver coisas novas. Atrás de si, o azul escuro parecia lhe seguir assim como as estrelas, a curiosidade tomava conta da pequena menina até que se deparou com uma silhueta familiar, os cabelos e olhos dourados que voavam ao vento, asas das cores laranja, amarelo e azul como o nascer do dia, assim como as suas que eram do tom azul escuros com pontos brilhantes como as estrelas.

Um menino com a mesma aparência que a sua, assim como a noite que lhe acompanhava, o dia acompanhava a essa criança loira. Aproximando um do outro em passos lentos e calmos, se encaravam com curiosidade tentando entender de onde vieram, os únicos seres naquele mundo tão vazio...

Tocaram os dedos um do outro, as pequenas joias na testa de ambos brilhavam, entrelaçando os dedos fecharam os olhos começando a flutuar, as metades da manhã e da noite nos céus trazendo os satélites naturais, um raio vindo deles iluminavam suas Divindades. Talvez fosse um presente de Deus, Caos, ou no caso de Serafins... Metatron, como as vestes nos tons de suas representações surgiram sobre as crianças, no qual o único instinto foram abraçar um ao outro para apartar o medo.

Entre o Mar e a NoiteOnde histórias criam vida. Descubra agora